Alberto Batista sobre comércio santareno: “Estamos em processo de recuperação econômica”

Por Thays Cunha

Estamos nos aproximando do mês de dezembro e com ele chegam as tão aguardadas festas de fim de ano, período no qual as vendas de diversos produtos aumentam consideravelmente, aquecendo o comércio em geral. Para falar sobre o assunto conversamos com Alberto Batista, Presidente do Sindilojas em Santarém e da Federação das Associações Comerciais do Pará, que comentou sobre como o comércio no município está se recuperando da pandemia, a importância da geração de empregos e quais os preparativos e expectativas para o encerramento de 2021.

O Impacto – Fale um pouco sobre a economia, empregos e a pandemia em Santarém.

Alberto – Falando especificamente de Santarém nós estamos em um processo de recuperação econômica. O ano de 2020 foi terrível para a economia em razão da pandemia, mas aos poucos estamos nos recuperando. E o comércio, que ainda é grande gerador de emprego e quem segura o PIB desse município, está reagindo positivamente.

Santarém é um dos municípios do estado que mais tem gerado emprego nos últimos doze meses, são 3.120 novos postos de trabalho. Certamente devem aumentar agora em novembro e dezembro, mas ainda não é o suficiente para retomarmos o que tínhamos em 2019, que a gente vinha numa crescente muito maior. Porém já é um alento, uma esperança. E vamos ter agora a Black Friday, um evento que está virando tradição no Brasil, e será um termômetro de como será o natal, sendo então praticamente o pontapé inicial das nossas vendas de final do ano. Até porque parte do FGTS já está sendo paga e isso é mais dinheiro no bolso da população, o que se traduz em mais consumo. O que nos preocupa é essa inflação galopante, acima de 10%, e o salário não tem acompanhado, até porque as datas bases, quando são negociados os reajustes salariais, são em cima da inflação passada. Com isso o poder de compra do consumidor termina comprometido, mas mesmo assim nós acreditamos que teremos as vendas do final do ano bem melhores do que a do ano passado.

O Impacto – O 13º também ajuda a melhorar a vendas, não é?

Alberto – Sim, temos agora nesses dois últimos meses o pagamento do 13º. No Brasil estamos falando de R$ 3.4 bilhões que são jogados na economia, na mão da população. E o comércio se prepara para essa data, estamos completamente abastecidos, principalmente nos segmentos em que há uma procura maior, como eletrônicos e eletrodomésticos. Por conta disso, pelo sindicato lojista, negociamos com o sindicato dos comerciários horários estendidos, com programação de horário especial na semana do natal. Agora mesmo na Black Friday o comércio vai ficar aberto até as 20 horas e na semana do natal, começando no domingo, o comércio abre das 9h da manhã até as 15h, e durante a semana até as 20h. E no dia 23 de dezembro vamos ficar até as 21h30 para dar oportunidade ao consumidor para que escolha o melhor horário. Temos um acordo com a Polícia Militar também para dar segurança à população, ao empresário e aos funcionários para que tudo transcorra normalmente nessas vendas e acontecimentos do final de ano.

O Impacto – Quais as expectativas para as vagas temporárias?

Alberto – Esse ano temos boas notícias, porque além das vagas temporárias novas redes de lojas varejistas se instalaram em Santarém, e isso gera mais emprego. Existe algo em torno de 200, 250 novas vagas temporárias e o que é interessante é que algumas dessas vagas terminam se consolidando, seja pelo bom desempenho do trabalhador ou por uma necessidade efetiva de se manter aquele quadro de funcionários..

O Impacto – Sobre a alta da inflação, até a parte da alimentação aumentou. Os reajustes totais estão muito impactantes?

Alberto – Os reajustes não se deram apenas nos alimentos. Material de construção subiu também, algo em torno de 50, 60%. A indústria de plástico foi a que mais sofreu e com isso os reajustes de alguns produtos chegaram a até 100% de aumento. Isso porque ainda existe no Brasil um monopólio da resina plástica que está na mão de uma só empresa, que fornece para o país inteiro e que adquire da Petrobras. Então é preciso ainda se pensar, no Brasil, em se dar oportunidade para novos fornecedores, tirar esse monopólio que termina sendo estatal, permitindo que haja uma concorrência e competitividade maior, e os preços se ajustem de acordo com a oferta e a demanda. Mas infelizmente ainda não temos essa cultura de oferta e demanda equilibrada no Brasil porque o governo ainda tem uma atuação muito forte na iniciativa privada, principalmente no segmento de produção.

O Impacto – O preço dos combustíveis também contribui para essas elevações?

Alberto – Você tem um cenário econômico mundial no qual há um aumento no preço dos combustíveis, que termina sendo levado também para o consumo, para os produtos de uma maneira geral, até porque nosso modal de transporte ainda é muito caro, que é o rodoviário, e isso impacta diretamente no preço final que chega até o consumidor.

O Impacto – Quais os planos para a agricultura familiar em Santarém?  

Alberto – Vamos ter uma reunião em Belém com o secretário José Fernando, da Sedeme, para construir junto com o governo do município e as entidades empresariais a construção de uma central de abastecimento do pequeno produtor rural aqui para Santarém, Mojuí dos Campos e Belterra. Nós acreditamos que teremos esse projeto implantado em Santarém e isso vai fortalecer a agricultura familiar e o pequeno produtor. Nos preocupa a expansão do agronegócio em Santarém justamente porque termina alijando o pequeno produtor do seu local de trabalho e isso infla as cidades, infla os bairros, aumenta a população aqui e não tem oferta de emprego para todos.

E a ideia da central e abastecimento é justamente essa, incentivar o produtor rural para que permaneça no campo, gerando dinheiro e renda, e com isso o consumo local também aumenta. Quando você observa o faturamento de grãos nos 3 municípios, em torno de 800 milhões neste ano, isso não se traduz em consumo local. É muito pouco o que fica e é distribuído na população. Já a produção do pequeno produtor é totalmente consumida no local onde ele mora, então é importante que a gente tenha êxito na construção dessa central de abastecimento para que possa melhorar a renda de todas as comunidades, a urbana e principalmente a do interior.

O Impacto – Finalizando…

Alberto – A gente se antecipa desejando boas festas a toda população de Santarém, desejando um Feliz Natal e torcendo realmente para que a gente tenha uma melhora na economia, uma melhora no cenário econômico e principalmente que a gente possa se ver livre desse vírus que atingiu a população. Nós perdemos muitos amigos e conhecidos, mas a nossa esperança é a de que dias melhores virão e é preciso que tenhamos fé, é preciso que a gente acredite e trabalhe no sentido de produzir uma melhor qualidade de vida para todos nós santarenos e para o oeste do Pará .

RG 15 / O Impacto

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