Artigo – Acidentes domésticos com armas e outros oferecem risco à vida das crianças

Por Thays Cunha

Segundo dados compilados pela Folha, utilizando informações fornecidas pelo Ministério da Saúde, a cada três dias uma criança no Brasil, de até 14 anos, entra em algum hospital devido a ferimentos causados por acidentes domésticos com armas de fogo. A análise avaliou os números entre 2015 e 2018, e catalogou somente nesse período 518 internações. Outra análise mostra que entre 1996 e 2015 os acidentes levaram a 292 óbitos de crianças.

As normas demandam que para possuir arma em casa uma pessoa deve ter mais de 25 anos, ocupação lícita, residência fixa e também não pode ter sido condenado ou responder a inquéritos ou processos criminais. É necessária também a comprovação de capacidade técnica e psicológica, e caso haja crianças morando com o dono da arma, uma declaração deve ser assinada provando que ele possui um lugar seguro, como um cofre, para guardá-la.

Porém, sabemos que nem todos seguem essas normas, pois há os aqueles com armas legalizadas que não se preocupam em escondê-las tão bem e também os que possuem em casa armas irregulares. No entanto, deixar essas armas à vista ou em locais de fácil acesso é um grande risco para todos ao redor. Crianças não conseguem distinguir com clareza armas reais das de brinquedo, e quando as encontram são movidas pela curiosidade de brincar com elas, o que aumenta as chances dela se ferir ou ferir alguém.

Além disso, em domicílios onde existem armas não só as crianças como outras pessoas correm o maior risco de se matarem, se machucarem ou serem vítimas de acidentes ou brigas com armas que podem levar à morte.

OUTROS ACIDENTES COM MORTES

Além de incidentes com armas de fogo as crianças e adolescentes também estão sujeitos a outros tipos de acidentes domésticos que podem chegar a um desfecho trágico. De acordo com informações disponibilizadas pelo site criancasegura.org.br, que monitora regularmente os dados relacionados a acidentes com crianças que acontecem no Brasil por meio da plataforma de dados do Ministério da Saúde, o Datasus, “acidentes são a principal causa de morte de crianças de 1 a 14 anos no Brasil. Por ano, mais de 3.300 meninas e meninos morrem por esse motivo e outras 112 mil crianças são internadas em estado grave”.

No entanto, apesar de as pessoas acharem comum uma criança se acidentar, “90% dos acidentes poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção.” Segundo esses dados, por dia uma média de 09 crianças entre 0 e 14 anos morrem em decorrência de acidentes. Os que causam mais vítimas são:

– Acidentes de trânsito – ocorre quando crianças estão na condição de passageiros de veículos e quando são pedestres e sofrem atropelamentos. Esse tipo de acidente é a principal causa de morte de crianças de 5 a 14 anos no país. Por isso é importante o uso do cinto de segurança para as maiores e de cadeirinha para as menores dentro dos carros. É preciso também observar as crianças quando atravessam as ruas, sempre as segurando pela mão.

– Afogamento – são a principal causa de morte de crianças de 1 a 4 anos e podem acontecer em piscinas, rios, lagos, mar e até mesmo em banheiras e baldes. É preciso telar piscinas, ficar atento a reservatórios de água e sempre acompanhar a criança dentro da água, usando colete salva-vidas ou boias protetoras.

– Sufocação – ocorre quando a criança fica com as vias respiratórias obstruídas ao engolir alimentos pequenos, pedaços de brinquedos e outros objetos, e pode acontecer até mesmo devido ao conteúdo gástrico. É a principal causa de morte acidental de bebês de até 1 ano de idade, por isso é importante ficar de olho nas crianças enquanto comem e oferecer objetos que não podem ser engolidos, mastigados ou despedaçados.

INTERNAÇÕES

As maiores causas de internações de crianças entre 0 e 14 anos também são relacionadas a acidentes, tais como quedas, queimaduras, intoxicações e, como já dito, acidentes envolvendo armas de fogo.

De acordo o criancasegura.org.br, quedas figuram em primeiro lugar como acidentes que mais causam internações, e podem acontecer em situações e locais cotidianos como sofás, camas, janelas, lajes, parquinhos, etc.

A segunda situação que mais causa acidentes são as queimaduras. Podem acontecer por meio de contato com fogo, líquidos ou superfícies quentes, choques elétricos e até mesmo por contato com produtos químicos.

CUIDADOS

Para prevenção, a orientação é verificar as crianças estão brincando em locais seguros, usar portões de segurança e redes de proteção em escadas e janelas, além de pisos antiderrapantes em banheiros e áreas de lazer.

Devemos manter as crianças longe da cozinha e do fogão, colocar os cabos das panelas virados para dentro, deixar comidas e líquidos quentes no centro da mesa, deixe aparelhos eletrônicos ou que gerem calor longe do contato com as crianças, e guarde fósforos, isqueiros, velas e outros produtos inflamáveis em locais altos e trancados.

É importante destacar que armas de fogo devem ser guardadas descarregadas e travadas em locais trancados e que sejam realmente impossíveis de uma criança mexer/alcançar. A munição deve estar em separado também. Não devem ser colocadas escondidas de baixo de camas ou em armários, pois são lugares que, apesar de parecerem seguros, não oferecem nenhuma proteção.

Como bem afirma o Manual de Orientação 2019-2021 do Departamento Científico de Segurança da Sociedade Brasileira de Pediatria, “Na primeira infância, a proteção é passiva, isto é, o adulto cuidador precisa saber dos riscos que estão à volta da criança e adolescente, bem como da capacidade física e mental de cada idade a vir, para que possa lhes oferecer um ambiente saudável e protegido, antes que algo de mal aconteça”.

RG 15 / O Impacto

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