Correios fecharão agências no Pará: 16 municípios ficarão sem agência, diz Sindicato

O Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos do Estado do Pará (Sincort) afirma que agências dos Correios de 16 municípios paraenses fecharão as portas a partir do dia 4 de abril. De acordo com a entidade, na semana passada, começaram a ser afixados nas unidades os avisos de que elas encerrariam “provisoriamente” as suas atividades, mas sem detalhes sobre prazo para reabertura. O Liberal procurou os Correios e aguarda um retorno sobre o assunto.

As agências que receberam aviso de fechamento, segundo o Sincort, foram as de Porto de Moz, Itupiranga, Nova Ipixuna, Bannach, Afuá, Curionópolis, Cachoeira do Piriá, Augusto Corrêa, Portel, Floresta do Araguaia, Nova Esperança do Piriá, Concórdia do Pará, São Geraldo do Araguaia, Água Azul do Norte, Canaã dos Carajás e Garrafão do Norte. Na maioria dos casos, o encerramento está programado para o dia 4, mas em outras situações a data informada foi 15 de abril.

O presidente do Sindicato, Israel Junior, informou que, ao ser comunicado por servidores sobre os avisos, imaginou que seria algo “pontual” em algum município. Porém, logo a entidade percebeu que a situação se repetia em várias cidades. “Enviamos um documento solicitando explicação e eles não informaram até hoje”, declarou Israel.

Uma pessoa que trabalha nos Correios enviou ao Sindicato um documento interno com uma lista das 16 agências que seriam fechadas, em cidades que contam com uma única unidade dos Correios. Nesse documento que o Sincort teve acesso constam alguns motivos, como desinteresse do proprietário da unidade em renovar contrato com os Correios, dificuldade em encontrar imóveis, entre outros. “Eles não dão local, nem prazo e nem data. Eles já estão dizendo que os (usuários) de Porto de Moz, por exemplo, terão que ter atendimento em Gurupá, que fica a cinco horas de barco”, diz Israel.

Outra preocupação envolve os cerca de 70 trabalhadores que atuam nessas agências e podem ser afetados. “O Correio não respondeu o que vai acontecer com os servidores, mas o sindicato acredita que eles serão transferidos à revelia. Talvez sejam obrigados a mudar de cidade e viver de aluguel”, declarou o presidente do Sincort, ressaltando que muitos trabalhadores já possuem residência fixa na localidade em que atuam.

Presidente da Câmara Municipal de Garrafão do Norte, Flávio Sousa conta que os vereadores da cidade estão sendo procurados por moradores preocupados com o possível fechamento da agência dos Correios. “Principalmente alguns agricultores que dependem da entrega, ou que ainda dependem de cartas de filhos que moram distante. A gente entende que a comunicação, por mais que haja tecnologia, ainda é realizada via correio, principalmente na área rural. Agricultores artesanais também nos procuraram e relataram que entregam, que recebem postagem e mandam seus produtos. Esse público está sendo prejudicado, a gente sabe que tem mais de 30 mil habitantes na cidade. A maioria também consome, faz suas compras pela internet, são poucas empresas que entregam em Garrafão do Norte. Esse público está nos procurando pedindo socorro para que haja uma intervenção na Câmara”, relatou.

Segundo Flávio, uma das alternativas apresentadas foi utilizar a agência de Capitão Poço, que fica a 25 quilômetros de Garrafão do Norte. Ele afirma que pretende se reunir com os vereadores da cidade para tentar uma agenda com um diretor dos Correios, para encontrar uma solução.

Em Canaã dos Carajás, a administração municipal também precisou intervir para evitar o fechamento da agência dos Correios da cidade. Segundo matéria divulgada no site da Prefeitura, houve uma conversa com a gerência dos Correios no Pará, em Belém, na tentativa de buscar uma solução que impedisse a medida. Na última sexta-feira (18), foi oficializada à prefeitura a suspensão por 90 dias da decisão de encerramento das atividades.

“Segundo informado à prefeitura, a decisão pelo fechamento não está ligada à viabilidade econômica da agência ou à demanda pelo serviço, mas a uma questão burocrática da empresa em relação à política de locações, que contrasta com os preços praticados pelo mercado imobiliário em Canaã. Para garantir uma solução definitiva, a prefeita de Canaã, Josemira Gadelha, vai pessoalmente à Brasília, ao Ministério das Comunicações”, afirma a gestão municipal.

Fonte: O Liberal

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