A imprudência do STF e o risco de convulsão social no Brasil: a prisão de Bolsonaro como estopim; o tiro pode sair pela culatra

Por Carlos Augusto Mota Lima* – Advogado Criminalista

Os acontecimentos de 8 de janeiro já não convencem nem os mais desinformados. Todos sabem que se trata de uma perseguição política, uma farsa com o claro e inequívoco propósito de eliminar o ex-presidente Bolsonaro da disputa eleitoral nas próximas eleições. Essa covardia, essa manipulação, essa farsa se confirma a cada instante. Ninguém em sã consciência, por mais humilde que seja, mesmo sem qualquer conhecimento jurídico, deixa de perceber a condução tendenciosa do processo que tramita na Suprema Corte.

Essa situação tornou-se ainda mais evidente durante a instrução processual, quando o ministro relator, indiferente a tudo e a todos — especialmente ao devido processo legal e à Constituição — conduz o feito atropelando, de forma escancarada, a lei processual penal. Ignora, inclusive, as mudanças trazidas pela reforma de 2008, conduzindo a instrução conforme sua conveniência, induzindo testemunhas e réus a dizerem o que deseja ouvir. Trata-se de um verdadeiro atropelo às normas e às leis, tornando o processo nulo de pleno direito.

Este processo é natimorto. Nasceu morto, primeiro, pela incompetência do juízo; segundo, pela relatoria, que jamais poderia estar, sob hipótese alguma, nas mãos do ministro Alexandre de Moraes; terceiro, pelo cerceamento de defesa — fato gravíssimo que, por si só, compromete a validade do processo. Basta lembrar que, durante o depoimento de Bolsonaro, a defesa solicitou a reprodução de um vídeo com falas do atual ministro do STF, Flávio Dino, criticando as urnas eletrônicas — pedido esse indeferido. Além disso, a defesa sequer teve acesso integral às provas e documentos constantes dos autos.

Trata-se de um processo com milhares de documentos, mas sem a concessão de prazo razoável para que a defesa pudesse se manifestar adequadamente. Isso configura cerceamento de defesa, pois é humanamente impossível, mesmo ao advogado mais experiente, formular uma resposta à altura diante de tamanha complexidade. O ministro relator, contudo, permanece indiferente a tudo isso, priorizando exclusivamente os interesses da acusação.

Durante a instrução, atropelou advogados e o próprio procurador, utilizando métodos que não têm mais lugar no processo penal brasileiro desde a reforma de 2008.

Essas condutas abusivas culminaram na mais vergonhosa das delações. Todos sabem que ela é fruto de uma prisão ilegal e abusiva do Cel. Cid. Uma delação sem qualquer valor jurídico, uma vez que o juiz não pode, por lei, participar da negociação de delação. Pior ainda: o ministro relator ameaçou o delator com a prisão — não apenas a ele, mas também a seus familiares — forçando sua saída do país.

Pergunta-se: qual o valor dessa delação? Nenhum.

Inconformado com o descrédito público do processo, o relator insiste nos abusos, sendo seletivo inclusive quanto à participação da imprensa, proibindo a cobertura de atos processuais solicitada pela defesa. Como pode agir assim? Age como se o processo fosse uma obra de sua propriedade. Todos sabem que, à luz da legislação penal, o processo é público — salvo exceções legais — portanto, qualquer cidadão pode ter acesso à sala de audiência ou ao Tribunal do Júri. Qual o sentido de tamanha seletividade?

O processo penal, conduzido de forma abusiva e ilegal, só avança graças à omissão de um Parlamento corrompido e covarde, alheio a esse grave problema social que assola o Brasil. Pessoas morrem no cárcere, outras são condenadas a penas elevadas, muitas abandonam o país, enquanto outras usam tornozeleiras eletrônicas sem sequer terem cometido crime algum. Isso é inadmissível.

É vergonhoso imaginar que mais de 500 deputados e 81 senadores se comportem como palhaços, escolhendo cuidadosamente cada palavra ao se dirigirem ao ministro Alexandre de Moraes, tremendo de medo, dizendo “sim, senhor” e “não, senhor”.

Generais das mais altas patentes foram humilhados. Durante os interrogatórios, era visível sua submissão diante do todo-poderoso ministro. Acuados, escolhiam palavras com receio de represálias. Muitos estão presos ou usam tornozeleiras. Uma vergonha que o tempo não apagará. Um tribunal civil colocou de joelhos as mais altas autoridades das Forças Armadas. Durante as oitivas, o relator ainda teve a petulância de ameaçá-los de prisão. Isso é patético e inimaginável.

Lembro que, antigamente, para prender um soldado raso, a polícia agia com extrema cautela. Hoje, um general de quatro estrelas é preso por um juiz civil, com as Forças Armadas dizendo apenas “sim, senhor” e “não, senhor”. Para piorar, o general Braga Netto continua preso, em flagrante violação aos preceitos constitucionais que regem a prisão preventiva. Um réu com esse histórico, com serviços prestados ao país, é tratado como criminoso de alta periculosidade. Foi conduzido para Brasília com tornozeleira eletrônica, como se representasse perigo iminente à ordem pública. Por outro lado, um piloto traficante de drogas, preso pela segunda vez transportando 400 kg de entorpecentes num avião, foi liberado sob a alegação de que não representa ameaça à sociedade.

Esses absurdos, esse desmando, essa busca incessante pela prisão de Bolsonaro podem representar, tanto para o STF quanto para o governo Lula, um verdadeiro tiro no pé. Por quê? Porque a população brasileira ainda não engoliu a eleição de Lula. Para muitos — talvez para a maioria — sua eleição é duvidosa. Essa dúvida decorre do comportamento do TSE e do STF durante o processo eleitoral.

Sem ter superado esse trauma, o povo já não suporta mais assistir à farsa desse processo, à tentativa de golpe de Estado e às injustiças cometidas contra inocentes que permanecem presos, condenados a penas elevadas, enquanto bandidos, traficantes, estupradores e assaltantes são colocados em liberdade.

Essa distorção do sistema, essa inversão de valores, essas injustiças vêm, há tempos, saturando a paciência do povo brasileiro. Soma-se a isso o desgoverno atual, que sufoca a sociedade com impostos, esbanja recursos públicos em viagens e debocha da população. Sem mencionar o apoio a ditaduras sanguinárias. Recentemente, o governo declarou apoio ao Irã — uma ditadura que executa mulheres e homossexuais em praça pública.

Tudo isso está fervendo dentro de um caldeirão prestes a explodir. Talvez, a prisão do ex-presidente Bolsonaro seja a faísca que falta para desencadear uma convulsão social, talvez,  por isso, até hoje, não tenha sido decretada sua prisão.

Neste sentido, todo cuidado é pouco. Ninguém aguenta mais esse desgoverno e esses desmandos. Aquilo que pode ser visto pelo governo Lula como a solução para pavimentar sua reeleição pode, na verdade, ser o estopim para uma reação popular contrária, especialmente diante da absoluta falta de provas concretas contra Bolsonaro. O tiro pode, sim, sair pela culatra.

Nota sobre o Autor:

É Advogado regularmente inscrito na OAB/PA sob o nº 4725, Professor de Direito Penal com Pós-Graduação em Ciências Penais com Extensão ao Magistério Superior, Pós-Graduação em Direito Constitucional, Pós-Graduação Lato Sensu (MBA) pela Faculdade Cândido Mendes – RJ em Segurança Pública, Pós-Graduação Lato Sensu pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS – em Segurança Pública, ex-Delegado de Polícia Civil e ex-Defensor Público.

O Impacto

Um comentário em “A imprudência do STF e o risco de convulsão social no Brasil: a prisão de Bolsonaro como estopim; o tiro pode sair pela culatra

  • 30 de junho de 2025 em 10:23
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    Excelente texto sobre o que realmente esta acontecendo nesse país, além de todas essas evidências brilhantemente apresentadas pelo autor, faltou citar por exemplo as imagens do dia que se alega esse “golpe” imaginário. porque essas imagens foram apagadas ? Comprometeriam “alguém” de fora do núcleo Bolsonaro ? ou realmente iam mostrar que essa farsa não existiu. Uma coisa é fato, se fossem apagadas por um Ministro do Bolsonaro, O STF estaria em cima para saber o porque ?.

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