O teatro da Câmara: quando vereadores esquecem as promessas que os elegeram
Nas redes sociais e grupos de WhatsApp de Santarém a indignação explode. Comunidades inteiras, lideranças de bairro e diversos segmentos da sociedade manifestam decepção com aqueles que juraram defender seus interesses na Câmara Municipal. O que deveria ser transformação virou espetáculo de pura mediocridade.
A grande traição das urnas
Durante as campanhas, os hoje vereadores caminharam pelos bairros humildes, apertaram mãos calejadas e fizeram promessas musicais nos ouvidos de quem esperava mudanças. “Chegando lá, tudo será resolvido”, repetiam. As lideranças acreditaram, mobilizaram bases e doaram credibilidade para eleger quem prometia ser a voz dos esquecidos.
Meses depois, a realidade cruel: projetos no papel, demandas ignoradas e comunidades descobrindo que foram apenas degraus na escada do poder pessoal.
O circo dos palanques virtuais
Enquanto famílias enfrentam falta de saneamento, escolas deterioradas e postos abandonados, nossos vereadores descobriram uma nova paixão: as redes sociais. Feeds repletos de “moções de aplausos” para personalidades distantes, audiências públicas para fotografias e vídeos redundantes que mais parecem propaganda pessoal.
A Câmara virou estúdio de gravação onde o importante não é legislar, mas sim aparecer. Cada sessão é um teatro mal ensaiado, onde os atores esqueceram o roteiro que os levou ao palco.
Audiências Públicas: O novo circo
As audiências públicas tornaram-se símbolo da enganação institucionalizada. Reúnem pessoas esperançosas que expõem problemas e aguardam soluções. O resultado? Nada. Funcionam como válvulas de escape onde vereadores fingem ouvir e todos vão para casa com sensação de dever cumprido. Semanas depois, tudo permanece igual.
O vício das moções vazias
Enquanto lideranças aguardam aquela visita agendada e projetos morrem na gaveta das promessas, nossos legisladores dedicam seu tempo a “moções de aplausos” para celebridades distantes e aleatórias, afinal é mais fácil homenagear um cantor famoso do que resolver o esgoto a céu aberto no bairro que os elegeu.
A revolta digital das bases
Nos grupos de WhatsApp dos bairros, a revolta é palpável. “Cadê o asfalto prometido?”, “Quando vem a reforma da escola?” são perguntas que ecoam sem resposta. As lideranças que apostaram sua credibilidade nesses candidatos agora enfrentam o constrangimento de explicar por que nada mudou.
O despertar das lideranças
Mas algo mudou neste ciclo. As lideranças estão mais atentas, críticas e organizadas. Entenderam sua importância no jogo político e não pretendem mais ser massa de manobra eleitoral. Grupos organizados acompanham cada sessão, cobram promessas e documentam cada “moção de aplauso” enquanto problemas reais permanecem sem solução.
O canto da sereia perdeu o encanto
As lideranças descobriram que não vão mais cair no “canto da sereia” das promessas vazias. Aprenderam a diferença entre discurso e prática, entre marketing político e transformação real. Agora exigem cronogramas, cobram metas e monitoram resultados.
A única certeza
Quatro anos passam rapidamente, e para vereadores que escolheram o caminho da irrelevância, o tempo se esgota. As próximas eleições se aproximam, e as ruas que os receberam com esperança os esperam novamente.
A diferença é que agora as lideranças fazem as perguntas certas: “Que projetos você tirou do papel?”, “Quantas famílias você tirou da vulnerabilidade?”, “Que transformação concreta você trouxe?”
Para quem tem promessas cumpridas e projetos reais, há chance de renovação. Mas para os que escolheram o teatro das aparências, o destino é certeiro: farão parte do crescente grupo de ex-políticos esquecidos, odiados e, o pior de tudo, completamente ignorados.
A política santarena mudou, e quem não percebeu será atropelado pela própria mediocridade. As ruas não perdoam, e a memória do povo, quando desperta, é implacável.
Por Dom Rodrigo da Maia
O Impacto


