Porta Fechada: o Quinto Constitucional e a exclusão do interior

Por Me. José Ronaldo Dias Campos

Amigo leitor, confesso que já esperava. Sabia que o rol masculino dos seis primeiros nomes à lista duodécima para o TJPA, via Quinto Constitucional, estava quase fechado antes mesmo da votação. Costura de bastidores, acordos de campanha, conchavos velados — tudo como manda o figurino político, inclusive dentro da OAB.

Sabia também que meu destino era ser o sétimo — e, ainda assim, insisti, mesmo com chance mínima de angariar votos das demais correntes, já comprometidas com seus apadrinhados.

Pensei, sim, em desistir ali mesmo, no púlpito. Mas sou teimoso. Raciocinei: quem sabe alguém não resolve levantar a bandeira do interior? Afinal, Santarém é a maior e mais antiga subseção da Amazônia. Não mereceria, ao menos, respeito?

Ledo engano. Silêncio sepulcral.
Tudo permaneceu como dantes no quartel de Abrantes.

Como na política convencional, repetiu-se a velha lógica da exclusão: nenhum nome do oeste do Pará passou.
O interior, apesar de sua força e história, seguirá apenas votando — sem representação legítima — como figurante de um enredo escrito e encenado pela metrópole, que não admite nossa emancipação, tampouco facilita nossa integração.

Sem santareno no páreo, o caminho ficou livre para a cooptação dos votos do interior — estratégia de quem domina, com naturalidade, os meandros da política tradicional.

Seguimos sendo coadjuvantes.
Eleitores, apenas e tão somente.
Triste sina!

5 comentários em “Porta Fechada: o Quinto Constitucional e a exclusão do interior

  • 27 de junho de 2025 em 17:41
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    Foi melhor assim…
    Eu até pensei em desistir, já prevendo o resultado do “Quinto Constitucional”, como dantes. Mas, como sou teimoso, resolvi arriscar. Agora, fora do certame, é hora de aproveitar a aposentadoria: curtir a família, viajar, redigir meus artigos e bater papo com os amigos. Estou em paz comigo mesmo, de bem com a vida — trabalho quando quero e porque gosto. Com as graças de Deus, sou dono do meu tempo. Sou feliz. Vida que segue!

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  • 27 de junho de 2025 em 17:27
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    Reconheço que não tenho traquejo nem apadrinhamento político. Contudo, creio preencher os requisitos do art. 94 da Constituição Federal para pleitear, com legitimidade, o cargo almejado. Tanto é verdade que, no último certame, alcancei a primeira colocação na lista sêxtupla do conselho seccional. Meu currículo me autoriza a lutar por esse sonho. Haveria demérito nisso?

    Minha insurgência não foi pessoal, mas dirigida ao esquecimento do oeste do Pará no processo seletivo. Fica com Deus — Ele, no tempo certo, nos julgará. Abraço, colega.

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  • 27 de junho de 2025 em 16:56
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    Eu não acho que são cartas marcadas na instituição. Mas ela sabe quem tem mais méritos e chances. . . Acho que falta mais qualidades de quem concorre do interior,; falta mais traquejo político; falta mais postura destacável; falta seguir uma corrente escolhida, e não ficar como pêndulo balançado para o lado que pensa vir ajuda, pois é melhor cair de cabeça erguida , do que ser preterido por promessa não cumpridas. Só um cego não vê que vai demorar muito para aparecer um candidato do interior com reais chances. A Dra. Katia chegou bem perto – logo não foi a OAB a culpada – mas as cartas marcadas não estavam na Ordem, e sim noutro patamar mais alto. . O próprio candidato tem que ter senso de previsibilidade, e não se tornar um freguês da derrota. Muitos outros colegas tentaram e desistiram, estes sim, com mais chances pelo laços com certas camadas da capital, mas falaram mais alto as compreensões das coisas. Cabe aqui o dito popular: gato escaldado tem medo de água quente.

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    • 28 de junho de 2025 em 09:57
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      Sobre sua indagação acima, caro Zé Ronaldo, tenho a dizer: A minha postagem sobre a representatividade na lista do OAB dos advogados do interior, que concorrem ao desembargo, quero esclarecer que : os meus comentários não tem direcionamento específico para vc ou outro colega, .mas uma análise de como somos tratados pelos os causídicos da capital e dou as razões. Só somos vistos para os votos que temos, por força da legislação, mas esquecidos na hora de guindar algum advogado ao desembargo. Disse tb: falta, além desta visão global dos direitos iguais dos integrantes da OAB, uma postura do advogado do interior de penetração junto ao Conselho, mostrando qualidades e capacidade, e jogo político sem amiudar, pois conhecimento jurídico temos, quiçá melhor do que alguns de lá. No entanto, comentei também que, candidaturas recorrentes, sem êxito, leva a um estado de desqualificação das nossas capacidades, pois, até hoje, nunca um advogado do interior foi escolhido, embora tenhamos bons nomes para tanto. Vejo que, daqui uns bons anos, com as subseções se colocando em pé de igualdade e qualidades de seus membros, poderá sair um Desembargador interiorano. Por hora, são 3 barreiras a ultrapassar, quase intransponíveis, se continuarmos a ser colocados, por nós mesmos, como desiguais dos de lá, amiudados e dependentes de bençãos sem que olhem nossas capacidades. Assim o é, meu amigo!

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