UM VENCEDOR POR MUITAS MÃOS
Por César Ramos
Quando eu tinha 5 anos de idade, meu falecido pai abandonou minha mãe e meus outros 5 irmãos – a mais velha tinha 13 anos. Para piorar, a mamãe ainda estava grávida da minha falecida irmã mais nova.
Depois que o papai nos abandonou, vivemos os piores anos das nossas vidas. Muitas noites, dormimos com fome. Comemos do “pão que Deus mandou” pelas mãos dos nossos vizinhos.
Como criança, eu não tinha noção de nada. Queria brincar e comer.
Para estudar, a mamãe costurava folhas de papel almaço – que eram dadas pelo professor José Cruz – em capas de calendários para fazer nossos cadernos.
Nossas blusas de farda eram dadas por outras pessoas. Algumas vinham furadas; a mamãe as costurava para fechar os furos.
Quando eu chegava à escola com meu caderno costurado, as professoras, sensibilizadas – para não dizer com pena – doavam-me caderno para substituir o meu.
Foi recebendo ajudas e doações de várias pessoas que eu venci pelo estudo: tornei-me um advogado de sucesso.
Isso significa que não venci sozinho. Não! Eu sou um “vencedor por muitas mãos”.
Por César Ramos
O Impacto


