“O minério é nosso!!”
Por Fábio Maia
Em um discurso recente, o presidente da República reafirmou a soberania brasileira sobre os recursos minerais do país, declarando: “Temos todo o nosso ouro para proteger. Temos todos os minerais ricos que vocês querem para proteger. E aqui ninguém põe a mão. Este país é do povo brasileiro”. A fala, embora assertiva, revela uma contradição gritante quando observamos a realidade do setor mineral no Brasil: enquanto o Estado e o chamado “ambientalismo de mercado” sufocam pequenos produtores e garimpeiros com fiscalizações draconianas, multinacionais estrangeiras operam livremente, muitas vezes sob o manto protetor de ONGs financiadas por interesses internacionais.
O Brasil vive um paradoxo no debate sobre mineração. De um lado, cooperativas de garimpeiros são criminalizadas, suas máquinas destruídas pelo Estado, suas casas queimadas em operações que mais se assemelham a ações de guerra do que a fiscalização legítima. Do outro, empresas como CMOC Group (China), Kinross Gold (Canadá), Brazil Iron Limited (Reino Unido) e Hydro (Noruega) exploram nossas riquezas sem alarde, sem protestos midiáticos, sem a mesma pressão judicial e militante que recai sobre os pequenos trabalhadores.
Por que essas corporações não sofrem embargos judiciais intermináveis? Por que não vemos ONGs ambientalistas acampadas às portas de suas minas, como fazem contra garimpeiros na Amazônia? A resposta é óbvia: o ambientalismo radical no Brasil não é sobre preservação — é sobre controle. Controlar quem pode explorar, quem pode lucrar e, principalmente, quem deve ser impedido de prosperar.
Enquanto o garimpo artesanal é tratado como crime, multinacionais estrangeiras extraem toneladas de minérios sem gerar industrialização significativa no país. O minério sai bruto, o lucro vai para o exterior, e o Brasil fica com os passivos ambientais e a miséria do subemprego. Onde está o discurso “verde” quando se trata dessas empresas? Onde estão as ações do IBAMA e do ICMBio incendiando escavadeiras de multinacionais, como fazem com as máquinas de pequenos produtores?
O ambientalismo seletivo não se importa com a natureza — importa-se com quem manda. Se o garimpeiro brasileiro tentar se legalizar, será esmagado por uma máquina estatal hostil. Mas se uma empresa estrangeira, muitas vezes financiadora de ONGs que pregam o “fim da mineração predatória”, quiser explorar nossas terras, as portas se abrem com facilidade.
Se há tanto clamor por “sustentabilidade”, por que não permitir que cooperativas de garimpeiros se formalizem, adotem técnicas menos impactantes e contribuam para a economia nacional? Por que não exigir que as multinacionais que aqui operam industrializem o minério em solo brasileiro, gerando empregos de qualidade e movimentando o setor secundário?
A verdade é que o Brasil vive sob um colonialismo verde, onde a narrativa ambiental serve para estrangular a autonomia econômica do povo brasileiro, enquanto estrangeiros levam nossas riquezas sem qualquer constrangimento. O minério é nosso? No papel, sim. Na prática, enquanto o Estado persegue o pequeno produtor e ignora a atuação predatória de gigantes internacionais, a soberania nacional não passa de uma piada de mau gosto.
O que precisamos não é de discurso, mas de coerência. Ou o Brasil é dono do seu destino, ou continuará sendo uma colônia de ONGs e corporações que riem da nossa cara enquanto embolsam o que é nosso.
O Impacto


