O PODER MODERADOR EM AÇÃO: A Deformação da Democracia Brasileira
Carlos Augusto Mota Lima – Advogado Especialista em Segurança Pública*
Os ministros da Suprema Corte, em especial Dias Toffoli e Gilmar Mendes, já haviam admitido publicamente que o Supremo Tribunal Federal assumiu protagonismo nas decisões políticas do país. Em declaração direta, Toffoli afirmou que o Brasil passou a ter uma “nova forma de governo”, na qual o STF exerce o papel de Poder Moderador.
STF: um novo centro de decisões. Desde então, o STF tem revisado decisões do Congresso Nacional sempre que estas não se alinham aos interesses do governo federal.
A título de comparação: No governo Lula, mais de 80% dos recursos ao STF foram atendidos. Já no governo Bolsonaro, 90% dos recursos foram negados. Essa disparidade é confirmada pelas palavras do ministro Gilmar Mendes: “O STF de fato atrapalhou o governo Bolsonaro, mas foi para o bem do Brasil.”
Viagens, discursos e redes sociais – Na atualidade, os ministros se expressam sem reservas, viajam pela Europa com dinheiro público e preocupam-se mais com críticas nas redes sociais do que com a Constituição. Um exemplo disso é a declaração de inconstitucionalidade do art. 19 do Marco Civil da Internet, que representou clara usurpação da competência legislativa e tentativa de censura preventiva à população.
A reforma da Lei Eleitoral representa o fim da opinião. Enquanto isso, tramita no Congresso a reforma da Lei Eleitoral, que criminaliza a manifestação de opinião — algo comum apenas em regimes autoritários. O tratamento dado pelo STF à população reflete o grau de repressão institucional:
Cármen Lúcia chamou o povo de “tiranos”; Luiz Barroso nos classificou como “manés”; Alexandre de Moraes declarou que “as redes sociais deram voz aos imbecis”.
Além disso, qualquer questionamento às urnas eletrônicas será considerado crime, com penas que podem chegar a 8 anos de prisão.
O embate entre o STF e o Congresso: quem governa? O Congresso Nacional, submisso ao Executivo e silenciado pelo Judiciário, demonstra sua fragilidade institucional. A fala de Lula ao reagir à derrubada do decreto sobre o IOF expõe a dependência do governo federal:
“Se hoje eu não for ao STF, não consigo governar mais esse país.” — Presidente Lula
Ao recorrer ao STF, o governo encontrou no ministro Alexandre de Moraes um aliado incondicional. Ele suspendeu, de forma monocrática, a decisão da maioria parlamentar. Mais que um ato jurídico, um gesto de dominação política.
Congresso dominado, povo calado. Vivemos um cenário de Congresso anêmico e mídia militante cooptada, com parlamentares mais preocupados em gravar vídeos para o TikTok do que defender a democracia. Essa rendição tem dois combustíveis: Corrupção sistêmica parlamentar; Blindagem midiática sustentada por verbas públicas.
O “Holocausto” de 8 de Janeiro. No episódio de 8 de janeiro, centenas de pessoas — incluindo crianças, mulheres e idosos — foram presos em condições análogas a campos de concentração. O silêncio da Corte diante dessas violações revela a completa ruptura com os direitos fundamentais. Crianças foram mantidas como reféns políticos, contrariando o Estatuto da Criança, do Idoso e a própria Constituição Federal.
Dois pesos, duas medidas. Enquanto mães com filhos menores, como Débora, são condenadas a penas pesadas sem direito à prisão domiciliar, traficantes perigosos são soltos, e os processos da Lava Jato anulados. Como resultado vemos o ex-governador Cabral, condenado a mais de 400 anos de prisão, virar YouTube, fazendo vídeo para às Redes Sociais.
O Brasil à deriva, nada freia o ímpeto, a saga avassaladora de dominação dos ministros, paladinos da justiça e moralidade brasileira. Nada os intimida, não tem limites, recentemente o ministro Barroso fez a seguinte declaração: Fizemos a melhor regulação das redes sociais do mundo.” Será? Ou é pretensão demais?
A nova “Democracia Relativa”. Hoje, os ministros falam abertamente, sem disfarces, enquanto o povo é silenciado. O Congresso se curva. A imprensa ignora. As instituições traem o povo. Parabéns aos senadores e deputados federais, que trocam apoio político por “emendas PIX”. Parabéns pelo desserviço prestado à Nação, bem-vindos à nova Democracia Relativa do PT.
Até quando o povo suportará tantas humilhações? A história mostra que todo regime autoritário tem prazo de validade. Lembremos dos destinos de Saddam Hussein, que foi retirado de um buraco feito um mulambo humano, Kadafi e Bashar al-Assad. A justiça pode tardar, mas jamais falha.
Nota sobre o Autor:
Advogado regularmente inscrito na OAB/PA sob o nº 4725. Professor de Direito Penal, com Pós-Graduação em Ciências Penais com Extensão ao Magistério Superior; Pós-Graduação em Direito Constitucional; Pós-Graduação Lato Sensu (MBA) pela Faculdade Cândido Mendes – RJ em Segurança Pública; Pós-Graduação Lato Sensu pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUCRS – em Segurança Pública; ex-Delegado de Polícia Civil e ex-Defensor Público
O Impacto



parabéns Dr Carlos Augusto, gratidão pela matéria importantíssima, que tenho a certeza que vai abrir os olhos de muitos segos que tem esse partido PT de estimação, gratidão por nos deixar bem ciente de tudo que está acontecendo no Brasil…eu tenho acompanhado a degradação da nossa nação…eu estou de coração partido de dor e revolta…não sei porque ainda não fizeram nada pra freiar o abuso da suprema côrte…,antes que este navio afunde de vez … (me desculpa por não saber me expressar…)
Parabéns Dr. Carlos Augusto pelo seu excelente comentário. O nome adequado hoje para o STF seria a Suprema Corte Política do Brasil. Na realidade o STF é a grande vergonha do nosso país. E pra sermos verdadeiros nós temos uma justiça corrupta que deixa muito a desejar.
Deus tenha misericórdia do nosso Brasil