O Estado do Tapajós: uma aspiração histórica

Por Me. José Ronaldo Dias Campos

Caros conterrâneos,

Creio que já passou da hora de concretizarmos a emancipação político-administrativa do Oeste do Pará, historicamente subjugado aos interesses da metrópole. Não se trata de gesto separatista movido por ressentimentos, mas de um passo necessário à construção de um futuro mais justo, equitativo e promissor para nossa gente.

Que o Estado do Pará, mãe generosa, compreenda e acolha com amistosidade essa legítima aspiração emancipatória. A divisão territorial não romperá os laços de cultura, história e afeto que nos unem. O que se pretende é, tão somente, que o Oeste do Pará possa autogerir-se com autonomia, imprimindo suas próprias prioridades ao desenvolvimento regional, sem o viés centralizador que há décadas sacrifica nosso progresso.

Não nos falta legitimidade. Já enfrentamos um plebiscito, em 2011, no qual o povo da região, de forma contundente e democrática, manifestou-se favoravelmente à criação do Estado do Tapajós, com mais de 98% dos votos válidos. Ainda assim, o projeto foi frustrado pela oposição ferrenha da capital e pela lógica majoritária do eleitorado concentrado em Belém e arredores, que insiste em decidir por nós — mesmo diante da abissal distância física, econômica e institucional que nos separa.

Belém, a capital, nada perderá. Permanecerá como centro político de um território ainda vasto, com estrutura consolidada e recursos suficientes para seguir sua caminhada. O que se propõe é a reorganização territorial que viabilize um novo modelo de gestão regional, onde Santarém possa, enfim, exercer seu protagonismo, liderando um Estado nascido da esperança, da diversidade e da força do seu povo.

É chegada a hora de retomarmos esse debate com maturidade e coragem. O Estado do Tapajós não é apenas uma aspiração histórica. É uma urgência contemporânea.

O Impacto

8 comentários em “O Estado do Tapajós: uma aspiração histórica

  • 14 de julho de 2025 em 09:49
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    Amanhã estarei no programa Amazônia em Pauta, comandada pelo amigo Olimpio Guarany. Colocarei estas opiniões como necessidade básica para um novo ordenamento territorial e governança da região do Oeste do Pará. O que se evidencia deste o plebiscito em 2011, é o agravamento do abandono. Isto mostra que a capital preferiu entregar a região a voracidade do Matogrosso e do centro sul do País ao dar o direito de governar seu povo e território. Somos hoje um território independente de fato, falta torna-lo de direito. Será às 21 h pelo Amazon Sat e transmitido pelo YouTube e radio alternativa de Itaituba.

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  • 13 de julho de 2025 em 17:15
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    Boa tarde, parabéns Dr. Ronaldo D. Campos, pela matéria. Dos 22 anos de batalha que fizemos ao longo do tempo, tivemos uma oportunidade de realização do Projeto Plebiscitário, que ao fim e ao cabo, a idiossincrasia, do Dias Tofolli, empacou o projeto, durante o plebiscito, desde que, ultrapassando a lei, o Min., com uma canetada, derrubou uma decisão do CN, contrariando o parag.3°, do artigo 18, das Transitórias, a realização do tal plebiscito em todo o Estado.
    Isso atrasou sobremaneira o projeto.
    Acho, que é possível reavivar essa ação e tocar com os novos e/ou velhos aliados da causa, incluindo parlamentares, para uma nova investida.
    Com fé,vamos em frente.
    Gostei do seu posicionamento.

    Parabéns
    e
    Um abraço fraterno.

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  • 13 de julho de 2025 em 15:59
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    Santarém, futura capital do Tapajós

    Embora separados fisicamente pela extensa distância (mais de uma hora de Boeing 737), a metrópole, equivocadamente, não permitiu a nossa emancipação, mantendo no cabresto uma região que declarou nas urnas, via plebiscito, quase à unanimidade de seu povo e de forma peremptória, a intenção de se tornar independente, de formar uma nova unidade federativa, justa pretensão que se perde ao longo da história.

    Mesmo confessando, e não poderia ser diferente, gostar de Belém, capital deste Estado, onde me formei, torço sim, e muito, pela emancipação da região oeste do Pará, que um dia chegará, e parece não estar longe, pela readequação territorial sabiamente definida na nova investida perante o Congresso Nacional.

    A capital, é bom ressalvar, nada perderá com a cisão, que eu nomino de um inevitável divórcio, pois ficará com toda estrutura física construída ao longo de séculos, adequada a um território ideal a se administrar; sendo que nós, do novo Estado, iniciaremos quase do zero.

    Quem mora aqui sente e sofre com a centralização da gestão pública na metrópole, em face da inquestionável distância que nos separa.

    Os laços de afinidade continuarão, pois são eternos!

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  • 13 de julho de 2025 em 13:59
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    Precisamos mudar os políticos que não apoiam nosso interesse e vontade politica dever nosso sonho se realizado meu amigo Zé Ronaldo

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  • 13 de julho de 2025 em 13:10
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    concordo com meu Amigo Dr José Ronaldo Dias Campos.

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  • 13 de julho de 2025 em 12:27
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    deixem de sonhar, todos sabem que isso jamais vai passar, enquanto o sistema governar, realmente,vê uma necessidade..mais os caras não aceitam, triste a realidade!!

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  • 13 de julho de 2025 em 11:00
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    Parabéns Dr. José Ronaldo.também comungo da sua idéia e inclusive trabalhei bastante na Campanha de 2011, onde infelizmente não fomos apoiados por quem de Direito.
    Continuemos na luta enquanto ainda podemos tratar desse importante Tema para o Desenvolvimento da nossa Querida Região do Tapajós.

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