Exportadores de Sonhos
Por Fábio Maia
A consequência mais dolorosa do ambientalismo radical causador de um modelo econômico engessado, não aparece nos gráficos de PIB ou nos relatórios de desmatamento. Ela se manifesta de forma silenciosa e trágica nos lares da nossa região. É a dor da partida, o adeus forçado aos filhos que, após anos de estudo e dedicação, não encontram aqui um lugar para construir seus futuros. Esse fato trata do êxodo de talentos, a “fuga de cérebros” que sangra o nosso maior capital: o humano. É a história de como a Amazônia se tornou uma terra que forma seus filhos para depois expulsá-los.
A juventude de Santarém e de todo o Oeste do Pará está indo embora. Não por falta de amor à terra ou por desejo de aventura, mas por uma dura e simples realidade: não há empregos. Nossos filhos e filhas se formam em nossas diversas universidades, concluem cursos técnicos, sonham em aplicar seus conhecimentos aqui, mas esbarram em um mercado de trabalho estagnado, incapaz de absorver a mão de obra qualificada que ele mesmo produz.
O que dizemos a um jovem engenheiro agrônomo que não encontra campo para plantar? Ou a uma administradora de empresas que não encontra empresas para administrar? Dizemos adeus. Desejamos sorte e os vemos fazer as malas, levando na bagagem não apenas roupas e diplomas, mas o potencial de inovação e a energia que tanto precisamos para transformar a nossa região.
É um ciclo perverso e cruel. O Estado investe na formação do cidadão, a família investe em sua educação, e quando esse capital humano está pronto para dar retorno à sociedade, ele é exportado. Outros centros, como Manaus, Belém, ou cidades do Sul e Sudeste, recebem de graça o profissional que custamos tanto a formar. Eles se beneficiam da nossa estagnação.
Essa “fuga de cérebros” é o sintoma mais evidente do fracasso do modelo atual. Um desenvolvimento verdadeiro não se mede apenas pela preservação de árvores, mas pela capacidade de reter e atrair talentos. Uma região que expulsa sua juventude não é sustentável; ela está morrendo. Cada jovem que parte é um pedaço do nosso futuro que se vai.
Santarém, como principal polo educacional do oeste do Pará, exemplifica de forma dramática essa crise. A cidade abriga a Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), diversas instituições de ensino superior privadas e escolas técnicas e profissionalizantes, que formam milhares de profissionais anualmente. No entanto, a economia local, sufocada pelas restrições ambientais e pela falta de investimentos, não consegue absorver essa mão de obra qualificada.
O paradoxo é evidente: formamos capital humano de excelência, mas o condenamos a migrar para outras regiões ou a viver de subemprego. Esse potencial desperdiçado é um dos maiores custos sociais do ambientalismo destrutivo, que prioriza a floresta em detrimento das pessoas e do seu futuro.
A falta de perspectiva tem reflexos diretos no aumento da criminalidade. Sem emprego e renda, muitos jovens acabam sendo atraídos para o mundo do crime, engrossando as estatísticas de violência. É uma tragédia social que começa na aceitação de um ambientalismo destrutivo, que gera uma falta de uma política de desenvolvimento clara e eficaz. Não podemos mais fechar os olhos para essa realidade. É preciso criar um ambiente de negócios favorável, que atraia investimentos, incentive o empreendedorismo e gere os empregos que nossos filhos tanto precisam. É preciso romper com as amarras que impedem o nosso desenvolvimento e construir um futuro onde a Amazônia seja um lugar de oportunidades, não de despedidas.
Caso contrário, continuaremos a nos entristecer nas partidas, em vez de celebrar conquistas.
O Impacto


