Santarém e a disputa pela Câmara Federal: perspectivas para 2026
Por Fábio Maia
O cenário político de Santarém, mirando as eleições federais de 2026, revela uma disputa ainda indefinida, mas com contornos que apontam para dinâmicas típicas do jogo político paraense. Uma pesquisa realizada pelo Destak Publicidade e Marketing, divulgada recentemente, oferece pistas inovadoras sobre o comportamento do eleitorado local e os desafios dos principais candidatos.
O Retrato Atual da pesquisa mostrou que 91,1% dos participantes não sabem ou preferiram não declarar intenção de voto neste momento, sinal claro de um eleitorado ainda disperso e de baixo conhecimento de nomes. Na pesquisa estimulada, porém, a liderança de Henderson Pinto (MDB) com 19%, seguida por Adriana Almeida (13%) e Priante (MDB) (12%), ilustra um retrato de polarização entre candidaturas consolidadas e o espaço para novos nomes.
Este percentual elevado de indecisos demonstra que o jogo é aberto e será definido durante a campanha, à medida que propostas, alianças e a atuação dos candidatos se tornem mais visíveis para a população.
A estrutura e hegemonia Regional do MDB, que abriga tanto Henderson Pinto quanto Priante, aparece novamente como protagonista no oeste do Pará. A força do partido é impulsionada pelo apoio do governador Helder Barbalho e pela sua capilaridade estadual, que permite costurar alianças com prefeitos e lideranças locais. Essa estrutura partidária faz com que Henderson e Priante partam largando na frente — o que, no entanto, também pode resultar em possíveis disputas internas ou na necessidade de equilíbrio estratégico para maximizar o número de cadeiras do partido.
O fator Adriana Almeida, ex-vereadora e candidata em ascensão, mobiliza um eleitorado engajado em pautas sociais e na renovação da política local. Seu desempenho nas urnas em Santarém nas eleições anteriores e sua presença com 13% das intenções de voto evidenciam não apenas seu potencial de crescimento, mas também o desafio de ampliar sua influência para além dos limites municipais. Focar em alianças e estratégias que a colocarão em evidência estadual será fundamental para transformar promessa em efetiva conquista eleitoral.
O peso da votação anterior e da capilaridade partidária tanto para Priante (166.238 votos em 2022) quanto Júnior Ferrari (PSD, 160.342 votos) apresentam musculatura política consolidada, com base espalhada em diferentes regiões do Pará. Eles ilustram o perfil dos candidatos que reúne histórico eleitoral relevante e capacidade de articulação partidária, elementos premiados pelo sistema proporcional.
Henderson Pinto, também beneficiado pela votação expressiva da federação, chega forte em Santarém e ostenta boas chances tanto pelo quociente eleitoral como pela distribuição das sobras.
Já Chapadinha, apesar do reconhecimento popular, precisará superar o tempo fora do Congresso para reativar sua base e disputar vagas pelas sobras, dependendo do desempenho de sua candidatura e do partido, o que não será uma missão fácil.
Como oportunidades e desafios, a grande incógnita segue sendo o eleitor indeciso: uma parcela significativa da população que pode virar o jogo, a depender da capacidade dos candidatos de dialogar, apresentar propostas concretas e construir alianças sólidas. O ambiente é propício para reviravoltas, típico da política paraense, marcado por articulações e fortes redes de interesse. Além disso, a eleição de 2026 será influenciada pelo desempenho do governo estadual e pelo cenário nacional, impondo aos candidatos a necessidade de articular seu discurso local ao contexto mais amplo do Pará e do Brasil.
Portanto, o quadro em Santarém revela a força das estruturas tradicionais, como o MDB e o PSD, mas também espaço para novos atores se consolidarem. Os próximos meses serão decisivos para medir quem saberá converter indecisos, construir alianças e, sobretudo, demonstrar sintonia com o sentimento do eleitor local. A disputa está aberta — e o jogo político, mais uma vez, promete emoções à altura da história paraense.
O Impacto


