Quando o dinheiro perde a importância
Há momentos na vida em que o dinheiro simplesmente perde o valor. Pouco importa.
Pense numa doença rara, resistente a qualquer intervenção médica. Ou numa condenação penal, sem possibilidade de transação ou de substituição da pena privativa da liberdade por medida alternativa adequada, apenas para exemplificar. Em situações assim, por mais que se tenha, o dinheiro revela-se impotente.
Como agente do Direito, já presenciei o sofrimento — momentâneo, sim, mas profundo — de famílias abaladas por atos reprováveis de entes queridos que resultaram, ainda que cautelarmente, em prisão. A dor da vergonha pública, do angustiante processo criminal e da perda da liberdade não se resolve com cifrões.
Ainda assim, nesses casos, restam caminhos: defesas, recursos, esperança.
Mas, diante da inexorável morte, que um dia chega para todos, indistintamente, não há o que fazer. Para quem parte, rico ou pobre, não há retorno. Tudo se encerra. Nada se leva.
Se deixar bens, ainda que modestos, o falecido costuma legar — salvo raras exceções — uma longa e desgastante jornada de disputas no inventário e partilha, quase sempre agravada por mágoas antigas, ciúmes familiares e vaidades mal curadas.
É nesse entrelugar da vida que se revela, com clareza solar, o que realmente importa — e não se compra: amor, solidariedade, amizade, perdão, felicidade.
Esses, sim, são os verdadeiros valores que dão sentido à vida e constituem patrimônio incalculável, incomparável. E deles precisamos cuidar. Enquanto há tempo.
Fica a dica.


