Recordar é viver de novo
Por José Ronaldo Dias Campos
Ao passar pela avenida Mendonça Furtado, atrás do Colégio Dom Amando — onde nasci e vivi minha infância —, deparei-me com um terreno baldio na esquina da Praça Elias Pinto (antiga 31 de Março) com a rua Madre Imaculada. Ali, ao lado de uma frondosa seringueira, funcionou o saudoso Grupo Escolar Barão de Santarém, administrado pelo Estado.
Simplicidade na estrutura, excelência no ensino. O “Grupinho” ia até o 4º ano primário e era dirigido pela professora e poetisa Maria da Glória Dias Campos, minha mãe, sucedida por Maria Luiza Ayres de Mendonça, ambas apoiadas por mestras como Terezinha Sussuarana, Zuíla Coelho, Ordoênia Cohen, Oneide Wanghon, Eneida Diniz e Lelé Gonçalves.
A farda era de brim cáqui para os meninos e saia azul plissada com blusa branca para as meninas. Na cantina, dona Dora e Estelita serviam com afeto, criando laços que iam além da merenda.
Ali aprendi a ler e escrever. De lá, segui para outros colégios, depois para a faculdade de Direito e, mais tarde, para a vida. Hoje, restam apenas uma foto desbotada, encontros raros com ex–alunos e a saudade imensa.
Lamento que o governo estadual tenha deixado ruir esse patrimônio, soterrando parte viva da história de Santarém.
O Impacto



Você tocou num ponto muito importante. A degradação dos nossos monumentos e espaços históricos, como a sede do Fluminense Esporte Clube e em ruínas está também a sede do Veterano Esporte Clube, é mais do que uma perda física, é um apagamento silencioso da memória coletiva, da identidade cultural e do orgulho de uma comunidade.