Reminiscência
Por José Ronaldo Dias Campos
O rio, a praia e a infância: memória viva de um tempo que se foi.
Quando menino, nas manhãs de domingo, após a missa, eu partia da glamorosa praia da Tecejuta — hoje tomada pelo Terminal Marítimo — e seguia, sem pressa, pela areia branca de São Marcos, Candura da Prainha e Coroa de Areia, até alcançar a Vera Paz; às vezes ia além, chegando à praia da SUDAM, a saudosa “Nalha”.
O percurso era tecido de passos leves, bate-bola, corridas atrás de papagaio e mergulhos intercalados nas águas azul-cristalinas do Tapajós.
Na volta, com o sol a pino e a fome apertando, mas de alma leve pelo afago da natureza, eu subia pela Praça da Igreja de São Sebastião, atravessava o campo do Colégio Dom Amando e seguia para nossa casa, na Avenida Mendonça Furtado, nº 699, feliz da vida para o almoço.
Nada se interpunha entre mim e o horizonte: apenas a areia alvíssima e o rio, companheiro fiel a refrescar corpo e alma.
Era a infância em estado puro — paisagem e inocência entrelaçadas.
Saudosa lembrança.


