32 anos sem Manuel Canté: Um guerreiro que Santarém jamais deve esquecer

Por Manoel Chaves Lima – Advogado tributarista e trabalhista, inscrito na OAB/PA nº 7677, com mais de 26 anos na advocacia cível

No dia 08 de setembro de 1993, Santarém perdeu de forma inesperada e dolorosa um de seus filhos mais honrados: o engenheiro civil Manuel de Almeida Canté Filho. Passaram-se 32 anos, mas sua lembrança permanece viva entre aqueles que conheceram sua integridade, sua competência técnica e seu espírito de responsabilidade com a sociedade.

Homem de poucas palavras, simples, honesto e trabalhador, Manuel Canté se destacou por sua estatura moral e ética, tanto quanto pela competência profissional. Foi responsável pela construção de obras sólidas e duradouras em nossa cidade, entre elas escolas públicas, prédios particulares, casas populares e, de maneira especial, a sede da Câmara Municipal de Santarém, obra realizada em condições adversas, sob grande sacrifício pessoal, a pedido do então prefeito.

Na Associação Comercial e Empresarial de Santarém – ACES, de que foi Diretor, comandou, de forma voluntária, a reconstrução da sede, com a reforma da fachada e a construção dos dois pisos dos fundos, onde hoje funciona o Auditório da entidade. Seu trabalho sempre se distinguiu pela seriedade e pelo compromisso com a qualidade e a segurança.

Infelizmente, a mesma confiança que dedicava ao trabalho e à palavra dada, Manuel Canté depositou também nas promessas da política. Ao assumir compromissos em favor da comunidade, acreditou que teria o respaldo da administração municipal para honrar com fornecedores, trabalhadores e parceiros. Contudo, não recebeu o pagamento devido pela construção da Câmara no prazo prometido. O atraso se prolongou, multiplicaram-se ações judiciais, dívidas, cobranças e pressões insuportáveis. Amigos e autoridades a quem recorreu não lhe estenderam a mão no momento mais difícil.

O peso dessa injustiça foi insuportável, levando-o, no dia 08 de setembro de 1993, a abreviar a própria vida. Uma perda imensurável, não apenas para sua família — que ficou desamparada, com esposa e filhos pequenos — mas também para toda a sociedade santarena, que via naquele engenheiro um exemplo de honradez e competência.

Sua esposa, com coragem e perseverança, jamais desistiu de buscar, pela via judicial, o reconhecimento da dívida do município. Somente décadas depois, ao final de 2024, foi autorizado o pagamento, em valor muito inferior ao devido, encontrando-se ainda em tramitação para inclusão em precatório. Uma reparação tardia e incompleta, mas que não apaga a memória da injustiça sofrida.

Neste 08 de setembro de 2025, reverenciamos a memória de Manuel de Almeida Canté Filho. Recordamos o engenheiro competente, o cidadão probo, o pai de família dedicado, o homem de honra que acreditou no valor da palavra e na seriedade da vida pública e que, infelizmente, foi traído por promessas não cumpridas.

Mais do que uma homenagem, este tributo é um ato de resgate histórico. Santarém deve a Manuel Canté o reconhecimento de que sua vida não foi em vão. Ele construiu não apenas obras de concreto, mas também um exemplo de retidão, dignidade e compromisso com a coletividade. Sua tragédia deve servir de alerta às gerações futuras, para que a boa-fé, o trabalho e a seriedade nunca mais sejam sacrificados pelas omissões do poder público.

Hoje, a cidade que ele ajudou a erguer o lembra como um guerreiro que sucumbiu às malsinadas circunstâncias, mas cuja memória permanece como patrimônio moral de Santarém.

Que sua vida e sua história inspirem todos nós a jamais desistirmos de lutar pela verdade, pela justiça e pela dignidade humana.

O Impacto

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