BRASIL ENTRE OCIDENTE E SUL GLOBAL: A QUEM QUEREMOS NOS ALINHAR?

Por Manoel Chaves Lima – Advogado tributarista e trabalhista, inscrito na OAB/PA nº 7677, com mais de 26 anos na advocacia cível

O Brasil, por sua posição geográfica, dimensão continental e riqueza natural, sempre foi peça-chave no tabuleiro internacional. Nos últimos anos, porém, temos assistido a uma reorientação silenciosa da política externa: um maior alinhamento com o chamado “Sul Global”, especialmente com potências como China e Rússia, em detrimento da histórica parceria com o Ocidente, sob liderança dos Estados Unidos.

Essa mudança não foi amplamente debatida com o povo. O eleitor brasileiro não foi consultado se deseja ver o país mais próximo de regimes de viés autoritário, que restringem liberdades, controlam a informação e censuram a sociedade. Tampouco se discutiu, de forma transparente, quais seriam os ganhos e perdas de cada escolha.

O alinhamento internacional de uma nação não é questão secundária: ele define seus rumos econômicos, tecnológicos, culturais e até mesmo sua soberania. Aproximar-se de países que controlam fortemente a economia e a política, pode trazer investimentos e acordos, mas também pode colocar em risco a liberdade e a independência nacional.

Por outro lado, manter-se próximo ao Ocidente não significa submissão, mas pode representar maior compromisso com valores democráticos, livre iniciativa, inovação e respeito aos direitos humanos.

O povo brasileiro precisa participar dessa decisão. Não é justo que um governo, eleito para administrar o país por quatro anos, defina sozinho alianças que podem comprometer o destino das próximas gerações. O alinhamento internacional deve refletir os interesses do Brasil e os valores do seu povo – que, em sua esmagadora maioria, defende a liberdade, a soberania, o progresso e os valores da família.

É chegada a hora de perguntar: a quem queremos nos alinhar? Aos que defendem a liberdade ou aos que a restringem? Aos que respeitam a democracia ou aos que apenas a utilizam como fachada? A decisão não pode ser imposta de cima para baixo; precisa nascer do debate nacional, da consciência popular e do legítimo exercício da soberania do povo brasileiro.

O Brasil tem potencial para ser protagonista no cenário global. Mas só cumprirá esse papel se souber, com clareza, quais valores defende e com quem deseja caminhar. O futuro do país não pode ser decidido em gabinetes fechados: deve ser construído à luz do dia, com a participação de todos os brasileiros.

O Impacto

 

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