Crise de confiança nos poderes da república: o que espera o povo?

Por Manoel Chaves Lima- Advogado tributarista e trabalhista, inscrito na OAB/PA nº 7677, com mais de 26 anos na advocacia cível

Nas vésperas de mais uma eleição nacional, cresce no seio da sociedade brasileira um sentimento de frustração e desconfiança em relação às instituições que compõem a República. O Executivo, o Legislativo e o Judiciário parecem distantes do povo e de suas legítimas aspirações, alimentando uma crise de representatividade que mina a credibilidade da própria democracia.

O Judiciário, em especial, tem sido alvo de questionamentos. Para muitos cidadãos, “justiça” e “STF” se tornaram sinônimos, revelando desconhecimento sobre o que de fato é o Poder Judiciário e como ele funciona. Essa confusão é compreensível, pois, na prática, o Supremo Tribunal Federal concentra poderes desproporcionais, e suas decisões repercutem de modo imediato e profundo na vida nacional. O problema é que, em diversas ocasiões, o STF e outros tribunais superiores parecem pautar-se por viés ideológico, afastando-se da imparcialidade que se espera de um guardião da Constituição.

No campo político, a situação não é diferente. A falta de projetos claros de país e de ideologias bem definidas faz com que os partidos sejam meros instrumentos eleitorais, sem identidade nem compromisso de longo prazo com o povo. Isso contribui para o crescente desencanto da população, que já não sabe em quem confiar nem em quem votar.

O resultado é uma democracia fragilizada, na qual o povo sente-se órfão de representantes legítimos. O cidadão não vê, no exercício do poder, a defesa de valores como liberdade, soberania, desenvolvimento e justiça social. Vê, antes, a perpetuação de privilégios e a manutenção de uma distância cada vez maior entre os governados e os governantes.

Diante disso, é necessário refletir: como resgatar a confiança nas instituições? Como aproximar a justiça e a política da realidade e das necessidades do povo brasileiro? A resposta pode estar em reformas estruturais que devolvam à sociedade o poder de decidir e fiscalizar, tornando os representantes verdadeiros servidores da nação.

A democracia só se sustenta com a participação ativa e consciente do povo. Se este perde a confiança nos poderes da República, perde também a esperança no futuro. Eis o grande desafio do Brasil: reconstruir a ponte entre o Estado e a sociedade, para que a justiça seja, de fato, justa, e a política, verdadeiramente representativa.

O Impacto

 

 

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