Partidos políticos sem identidade e sem projeto de país
Por Manoel Chaves Lima – Advogado tributarista e trabalhista, inscrito na OAB/PA nº 7677, com mais de 26 anos na advocacia cível
A democracia brasileira enfrenta um dos seus maiores paradoxos: temos dezenas de partidos políticos registrados, mas poucos, ou quase nenhum, apresentam uma identidade clara, com princípios, ideologias ou projetos consistentes para o futuro do Brasil.
Na prática, as legendas transformaram-se em meros veículos de candidaturas, sem compromisso ideológico ou fidelidade programática. Pessoas se filiam não porque acreditam nos valores do partido, mas porque a lei eleitoral não permite candidatura independente. Assim, partidos são tratados como simples cartórios de registro, destituídos de alma, de visão de nação e de compromisso com a sociedade.
O resultado é que, a cada eleição, o eleitor se vê diante de nomes, mas não de projetos.
Não há clareza sobre quais partidos representam a direita liberal, a direita conservadora, a esquerda moderada ou a esquerda radical. Não há definição de programas econômicos, sociais ou ambientais que orientem os votos. O eleitor, desinformado, escolhe muitas vezes pela simpatia pessoal, pelo marketing político ou pela promessa mais sedutora – promessa essa, quase sempre, esquecida após a eleição.
Esse vazio ideológico abre espaço para a incoerência. Durante a campanha, muitos candidatos rejeitam qualquer associação a ditaduras, ao socialismo ou ao comunismo.
No entanto, uma vez eleitos, se aliam a regimes e práticas que negam exatamente aquilo que diziam repudiar. O povo é, assim, enganado e traído em sua boa-fé.
É urgente que os partidos políticos revejam seus programas e assumam publicamente suas posições. O eleitor tem o direito de saber, de maneira clara e transparente, se determinada legenda defende um modelo liberal de economia, uma visão conservadora de sociedade, uma proposta socialista de organização ou qualquer outra linha de pensamento. Não se trata de impor uma única ideologia, mas de garantir honestidade e coerência no debate político.
O Brasil precisa de partidos que expressem com firmeza suas convicções, que ofereçam ao povo não apenas nomes de candidatos, mas projetos de país. Só assim será possível restabelecer a confiança do eleitor, dar sentido ao voto e permitir que o povo participe de maneira consciente da construção do futuro da nação.
Sem clareza programática, continuaremos presos a um sistema onde o discurso eleitoral é uma farsa e a prática política, um engodo. O país não merece isso. O povo brasileiro, trabalhador e resiliente, tem direito a partidos que digam claramente quem são, o que defendem e para onde querem conduzir o Brasil.
O Impacto



Melhor jurista que tenho como um mentor e posso afirmar que tem meu respeito Dr.manoel chaves