ESCAFEDEU-SE
Por César Ramos
Hoje me lembrei de uma história hilária que conheci no exercício da advocacia.
No início da minha carreira, defendi um homem acusado de, como diz aqui no Pará, “passar o sal” noutro homem, o que teria feito por encomenda.
Nesse caso, ele era inocente. Não havia dúvida disso. Contudo – como sói acontecer -, o Ministério Público resistia a aceitar esse fato e o denunciou como o executor da empreitada.
Interessante é que ele veio de outro estado para fazer o serviço. Só que ele foi preso antes. E assim se encontrava quando outra pessoa o executou.
Na cadeia, ele passou a frequentar as orações de um grupo de mulheres de uma congregação religiosa.
De boa aparência, ele seduziu uma “beata”.
Não demorou muito, ele passou a chamá-la de “minha esposa”. Emocionada, ela começou a se apresentar como esposa dele. Gostava de encher a boca: “o meu esposo”.
Eu saí do caso antes do júri. Ele foi absolvido e solto.
Em determinado dia, encontrei na rua a “esposa” do homem, oportunidade em que perguntei por ele.
Grande foi a minha surpresa pela resposta. Ela me falou que, após sair do cárcere, ele ficou três dias na casa dela. Numa certa manhã, saiu para fazer um telefonema – na época, ligava do orelhão – para a mãe dele e… nunca mais voltou.
Noutras palavras: uma vez livre, o homem escafedeu-se.


