FÓRUM ABORDA RESPOSTA DA SAÚDE À CONTAMINAÇÃO POR MERCÚRIO NO TAPAJÓS

Mulheres grávidas e recém-nascidos da etnia indígena Munduruku, no Pará, estão sujeitas a concentrações de mercúrio cinco vezes maiores do que o limite considerado seguro pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A afirmação faz parte dos dados iniciais de uma pesquisa em curso promovida pela da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e traz à tona os sérios efeitos da contaminação por mercúrio na Bacia do Tapajós.

As informações foram divulgadas durante o Fórum de Combate aos Efeitos da Contaminação por Mercúrio no Tapajós, realizado na sede do Ministério Público do Estado do Pará (MPPA) em Santarém. O evento contou com a participação de representantes de entidades públicas, especialistas e líderes indígenas para discutir estratégias de combate à crise.

Lideranças locais e representantes de movimentos sociais compartilharam ideias, como testagem em massa nas áreas mais afetadas, projetos de segurança alimentar entre governos e melhor notificação de casos de exposição.

De acordo com Paulo Basta, pesquisador da Fiocruz e responsável pela pesquisa em andamento com gestantes e recém-nascidos Mundukuru, a intoxicação adquirida pelas crianças acontece ainda no útero materno. Essa exposição continua durante a amamentação e se prolonga através da alimentação complementar. Essa intoxicação, que leva anos, pode causar danos neurológicos permanentes a essas crianças. A pesquisa tambe´m aponta casos de aborto espontâneo, malformações congênitas, câncer e insegurança alimentar.

Apesar do amplo registro em estudos e pesquisas científicas, a contaminação por mercúrio continua subnotificada nos registros oficiais de saúde. Heloísa Meneses, professora e epsquisadora da Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa) considera o problema como algo silencioso, complexo e disperso em vários fatores porque o envenenamento por mercúrio não vem apenas do garimpo ilegal, mas tambe´m de aoutras atividades como o desmatamento, queimadas e a construção de hidrelétricas.

O Ministério da Saúde promete a implantação de uma Plano de Enfrentamento ao Mercúrio já durante a COP 30 e está dividido em seis eixos que englobam vigilância em saúde, educação e comunicação, pesquisa e atenção integral a essas áreas e populações expostas.

Há também a promessa da revisão da ficha de notificação de intoxicação exógena que consta no Sistema de Vigilância Epidemiológica para que nela seja incluso um espaço exclusivo para o mercúrio. A intenção é simplificar o registro dos casos e, dessa forma, a notificação.

Um acordo entre as secretárias municipais de saúde e a Secretaria Estadual de Saúde do Pará, a Sespa, foi firmada esperando estabelecer metas que vão desde o treinamento de pessoal até atualização dos sistemas de informação sobre casos de intoxicação. Além disso, estão enviando cartas a entidades como Fiocruz, Ufopa, Instituto Evandro Chagas (IEC) e Instituto Mercúrio da Amazônia (Iamer) para que ajudem a fortalecer a pesquisa na região do Tapajós, incluindo comunidades do Baixo, Médio e Alto Tapajós.

 

Por Rodrigo Neves com informações do MPPA

 

O Impacto

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