PROJETO EMPODERACAMPO DISCUTE DESAFIOS FUNDIÁRIOS E ACESSO A DIREITOS DAS COMUNIDADES DE VÁRZEA, EM SANTARÉM

O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio da 7ª Promotoria de Justiça Agrária da 2ª Região, representada pela promotora de Justiça Herena Neves Maués Corrêa de Melo, realizou, no dia 23 de setembro, na sede do MPPA em Santarém, a reunião de trabalho do Projeto eMPoderacampo, com foco na regularização fundiária das áreas de várzea e no fortalecimento do acesso das comunidades rurais a políticas públicas essenciais.

O encontro reuniu representantes de órgãos federais, estaduais e municipais, além de lideranças dos Projetos de Assentamento (PAE’s) de várzea, que apresentaram suas principais demandas. O conjunto de lideranças presentes representa cerca de 9 mil famílias residentes nas áreas de várzea dos municípios de Alenquer, Santarém, Juruti, Curuá, Óbidos e Oriximiná. Compuseram a mesa de abertura a promotora de Justiça, Herena Maués; o deputado estadual Erick da Costa Monteiro; o superintendente regional do INCRA em Santarém/PA, José Maria de Sousa Melo; o superintendente do Patrimônio da União no Pará, Danilo Soares da Silva; e o coordenador do Colegiado dos PAE de Várzea, Raul Rocha Silva.

As discussões se concentraram nas dificuldades relacionadas à emissão de Contratos de Concessão de Uso (CCU) e Concessões de Direito Real de Uso (CDRU), documentos fundamentais para garantir segurança jurídica às famílias assentadas e viabilizar o acesso ao crédito rural, programas habitacionais e outras políticas públicas de apoio à agricultura familiar.

Durante a reunião, também foram relatados diversos problemas enfrentados pelas comunidades, como a falta de atualização do cadastro de beneficiários, impasses relacionados ao Cadastro Ambiental Rural (CAR), dificuldades para acessar programas de habitação e crédito, e a ausência de serviços básicos, como unidades de saúde, transporte adequado e fornecimento regular de energia. Outro ponto de preocupação destacado foi o impacto ambiental causado por atividades de dragagem e mineração, que têm afetado os rios, a pesca e a qualidade de vida das populações ribeirinhas.

A promotora Herena Maués destacou que o Ministério Público está comprometido em atuar de forma integrada com órgãos públicos e associações comunitárias para enfrentar esses desafios. Segundo ela, “o foco do eMPoderacampo é assegurar que a burocracia do Estado não seja um entrave para que as famílias assentadas tenham acesso às políticas públicas que lhes são de direito”.

Ainda em sua fala, ressaltou que “não existe hierarquia entre indígenas, ribeirinhos e quilombolas. Todos são povos tradicionais e devem ter seus direitos igualmente respeitados” e que “as comunidades de várzea não podem ser invisibilizadas, mas reconhecidas como parte fundamental da Amazônia”.

O Impacto com informações do MPPA

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