ADVOGADO DE PORTA DE CADEIA: UM PERSONAGEM FOLCLÓRICO
Por César Ramos
Ao assistir ao filme “Tempo de Matar” uma cena me provocou uma reflexão: o advogado do preso conversando com ele através das grades dentro da carceragem.
Essa cena simboliza a figura do “advogado de porta de cadeia”, expressão que alguns empregam em tom pejorativo.
Quando iniciei minha advocacia na área criminal e até na fase do estágio, eu conversava com muitos presos assim. Tomei café com alguns dentro de celas.
Atualmente aqui no Pará, essa cena ou está extinta, ou é uma raridade. Isso porque, quando uma pessoa é presa, se ela estiver em delegacia de polícia, raramente a autoridade policial responsável permite o acesso do advogado à carceragem. Quando não dificulta o atendimento do advogado, leva o preso para uma sala ou parlatório.
Se o preso estiver recolhido no sistema penitenciário, o advogado jamais o atenderá na carceragem. Depois de agendar um atendimento pelo site da Secretaria responsável pela custódia, o advogado o atenderá no parlatório.
Minha percepção – mas posso estar errado- é que, se ainda não chegou, chegará o tempo em que a figura do “advogado de porta de cadeia” será lembrada apenas como um personagem folclórico da história da advocacia.
O Impacto


