ANALFABETISMO FUNCIONAL : O FANTASMA QUE ASSOMBRA AS ESCOLAS DO BRASIL
Por Ana Paula Pinho Soares
A alfabetização infantil no Brasil enfrenta um desafio alarmante: milhares de crianças estão sendo aprovadas no ensino fundamental sem saber ler ou escrever adequadamente. Em 2024, apenas 59,2% das crianças do 2º ano foram consideradas alfabetizadas, segundo o Indicador Criança Alfabetizada do Ministério da Educação. Isso significa que mais de 40% dos alunos com até 8 anos não dominam habilidades básicas de leitura e escrita.
Estados como Bahia (36%), Rio Grande do Norte (39,3%) e Sergipe (38,4%) apresentam os piores índices, revelando profundas desigualdades regionais. Crianças negras, indígenas, quilombolas e da zona rural são as mais afetadas, evidenciando o impacto das desigualdades sociais e raciais na educação.
Analfabetismo funcional: O obstáculo invisível
O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) mostra que 29% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são analfabetos funcionais. Isso inclui pessoas que conseguem ler palavras ou frases simples, mas não compreendem textos ou realizam operações matemáticas básicas. Entre os jovens de 15 a 29 anos, o índice subiu de 14% (em 2018) para 16% em 2024, revelando que mesmo após anos de escolarização, muitos estudantes não desenvolvem competências essenciais.
Aprovando sem aprender: A progressão continuada
A chamada “aprovação automática” — oficialmente conhecida como progressão continuada — permite que alunos avancem nos ciclos escolares sem necessariamente dominar os conteúdos. Embora tenha como objetivo reduzir a evasão escolar, essa prática tem sido criticada por mascarar deficiências de aprendizagem. Alunos são promovidos sem o domínio adequado da leitura e escrita, acumulando lacunas que se tornam difíceis de recuperar nos anos seguintes.
Especialistas alertam que a progressão continuada pode contribuir para o aumento do analfabetismo funcional. Por outro lado, seus defensores argumentam que a repetência não garante aprendizagem e que é preciso investir em estratégias pedagógicas mais eficazes, como reforço escolar, tutoria individualizada e formação docente.
Caminhos para a Superação
Para enfrentar esse cenário, é necessário:
- Revisar as políticas de promoção automática, vinculando a progressão a resultados reais de aprendizagem.
- Investir em formação continuada de professores, com foco em alfabetização e práticas pedagógicas baseadas em evidências.
- Ampliar o acesso a materiais didáticos de qualidade, especialmente em regiões vulneráveis.
- Implementar sistemas de avaliação formativa, que acompanhem o progresso dos alunos ao longo do ano.
- Fortalecer programas de recuperação escolar, com foco individualizado para alunos com dificuldades.
A alfabetização é a base para o desenvolvimento educacional, social e econômico de qualquer país. Garantir que todas as crianças aprendam a ler e escrever é um compromisso que deve unir governos, escolas, famílias e toda a sociedade.
O Impacto


