ENTREVISTA – “DURANTE SÉCULOS O BRASIL SILENCIOU A HISTÓRIA DO POVO NEGRO”, DIZ PROFESSORA
O dia da Consciência Negra foi celebrado nesse dia 20 de novembro destacando a resistência e a história da população negra. Em conversa com a Sarah Beatriz da equipe do Jornal O Impacto, a professora Beatriz Oliveira comentou ações importantes para promoção de uma educação antirracista.
Sarah Beatriz: Qual a importância do dia da Consciência Negra para a sociedade brasileira?
Profª. Beatriz Oliveira: O dia da Consciência Negra existe porque durante séculos o Brasil silenciou e apagou a história do povo negro. Essa data foi criada para reconhecer a luta desse povo contra a escravidão e tudo que veio depois dela: o racismo, preconceito, a exclusão e a violência no país contra a população negra. Assim, quando falamos desse dia destacamos a história e a memória dos negros.
Sarah Beatriz: Comente sobre a legislação antirracista nº 10.639.
Profª. Beatriz Oliveira: A Lei 10.639/03 que torna obrigatório o ensino de história e cultura africana, afro-brasileira nas escolas. Já existe a mais de 20 anos e, hoje em dia, as escolas ainda não entenderam essa obrigatoriedade de se trabalhar no contexto escolar a educação antirracista no decorrer do ano letivo. A maioria deixa para falar da temática somente no novembro, de forma superficial, como uma data comemorativa.
Sarah Beatriz: Quais as principais manifestações do racismo?
Profª. Beatriz Oliveira: O racismo é estrutural e se manifesta de várias formas, não somente no espaço escolar, mas na sociedade, no cotidiano das famílias. Quando a criança diz: “não gosto de preto”, “samba não é de Deus”, “prof. faz atividade de colagem com bombril para representar o cabelo do negro”. Dentre outros relatos que ouvimos no contexto escolar são exemplos de racismo e preconceito.
Sarah Beatriz: Quais ações são importantes para combater esse problema nas escolas?
Profª. Beatriz Oliveira: São diversas as ações importantes que podemos e devemos desenvolver nas escolas. Por exemplo, currículo antirracista / ensino da história e cultura afro-brasileira, alinhado com a Lei 10.639/03. Formação de profissionais da educação e capacitação contínua, projetos culturais e artísticos; além da criação de comitês escolares de escuta e participação – grupos formados por alunos, professores, famílias para discutir racismo, monitorar ações antirracistas, escutar denúncias e sugerir melhorias no ambiente escolar.
Sarah Beatriz: Destaque as atividades desenvolvidas na escola que trabalha em alusão a essa temática.
Profª. Beatriz Oliveira: Tenho dialogado com a coordenação em relação a essa temática no espaço escolar. Organizamos o Projeto Político Pedagógico (PPP) com as leis antirracistas. Buscamos parcerias com o Grupo AFROLIQ para formação contínua da equipe de trabalho do CEMEI. Através de um projeto macro do cemei que incentiva os professores a por em prática a Lei 10.639/03 e a 11.645, o ano todo com as ações como: Gincana antirracista, jogos antirracistas e integração da temática em demais projetos, bem como pelotão antirracista nos desfile cívicos da escola e o Sarau Cultural antirracista. Todas as atividades têm a participação das famílias e parceiros da unidade. Entendo que a escola é um espaço fundamental para formar cidadãos com consciência crítica, empatia e respeito à diversidade.
Por Sarah Beatriz
O Impacto


