A NECESSIDADE DE ESTAR CERTO, A HUMILDADE E A MATURIDADE
Por César Ramos*
Estava assistindo a um jogo de futebol quando o árbitro marcou um pênalti em lance normal de jogo. Ele foi chamado ao VAR (árbitro de vídeo) para ver as imagens do lance e decidir se mantinha ou não a penalidade.
De nada adiantou: ele ignorou as imagens e manteve a marcação.
Esse episódio me lembrou de uma necessidade psicológica do ser humano: a de estar certo.
O VAR e todos os comentaristas de arbitragem viram que não foi pênalti. Mas o poder de decisão estava com o árbitro de campo.
A meu ver – mas posso estar errado -, é preciso ter a virtude da humildade para lidar com essa necessidade psicológica. Sem essa virtude, tal necessidade pode reforçar ou revelar atitudes arrogantes.
A necessidade de estar certo pode ser um dos fatores de guerras. Não me refiro apenas às guerras militares. Não! Reporto-me principalmente aquelas “guerrinhas” que, vez ou outra, ou costumeiramente, travamos pela disputa da razão.
Essa disputa pode estar numa simples divergência de opinião ou até numa discussão mais acalorada, que, não raro, deixa feridas e mágoas.
Eu mesmo já me vi em cenário de “guerra” sem perceber que, na verdade, queria ter razão, queria estar certo. Faltou-me humildade.
Reconhecer nossos erros, principalmente quando são apontados por pessoas que estão ao nosso redor, é indubitavelmente um exercício de humildade.
Ao lado dessa virtude caminha a maturidade, que ensina que, em algumas circunstâncias, é sábio deixar de lado a nossa necessidade de estar certos para que o outro se sinta com razão, ainda que não a tenha.
Se agirmos com humildade e maturidade, evitaremos “guerras” bobas. E seguiremos em paz.
É o que penso, mas posso estar errado.
O Impacto


