A CONFISSÃO TARDIA DA MÍDIA E A CRISE CONSTITUCIONAL QUE O BRASIL NÃO PODE IGNORAR
Por Manoel Chaves Lima – Advogado tributarista e trabalhista, inscrito na OAB/PA nº 7677, com mais de 26 anos na advocacia cível
Nos últimos anos, o Brasil acompanhou, com perplexidade e desconfiança, a condução de inquéritos e processos no âmbito do Supremo Tribunal Federal, especialmente sob relatoria do Ministro Alexandre de Moraes, envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro e diversos oficiais-generais de seu governo. Para além das paixões políticas, o que se viu — e agora vem sendo publicamente reconhecido — foi a instalação de um verdadeiro estado de exceção, conduzido e legitimado sob o argumento de que tudo era “por uma boa causa”.
Durante todo esse período, críticas contundentes surgiram nas redes sociais e em setores independentes da imprensa: apontava-se que os inquéritos acumulavam vícios graves — ausência de juiz natural, concentração de funções de investigar e julgar, restrições à ampla defesa, censura prévia, bloqueio de acesso a documentos e decisões sigilosas. Denunciava-se, igualmente, que o STF estaria abandonando sua função constitucional para operar como um tribunal político.
A reação da chamada “velha mídia” — Globo, G1, Estadão, Folha de S. Paulo, Veja, UOL e centenas de veículos que replicam suas pautas — sempre foi a mesma: minimizar, negar, ridicularizar e repetir, como um mantra, que “tudo era constitucional”, “tudo era necessário” e que qualquer crítica representava “ataque às instituições”. Enquanto isso, ministros como Luís Roberto Barroso declaravam publicamente que o STF “derrotou o bolsonarismo”. Carmem Lúcia admitia censura prévia. Jornalistas celebravam decisões que, agora sabemos e eles também sabiam ser constitucionalmente duvidosas.
Mas eis que, de súbito, após alcançada a condenação de Bolsonaro e dos generais, esses mesmos veículos começam a publicar editoriais afirmando que “é chegada a hora de o Supremo voltar a cumprir a Constituição”. Confessam, ainda que de forma velada, a Carta Magna foi relativizada para alcançar um objetivo político específico.
Essa admissão é de extrema gravidade. Porque, ao reconhecer que garantias fundamentais foram atropeladas “por uma boa causa”, a mídia assume que:
1º – houve um estado de exceção seletivo;
2º – a Constituição foi utilizada como instrumento flexível de conveniência política;
3º – a perseguição a um espectro ideológico foi tolerada e incentivada;
4º – e que agora, pelo risco de o método se voltar contra outros, é preciso “voltar à normalidade”.
E a pergunta inevitável surge:
Em qual democracia do mundo civilizado é legítimo violar a Constituição para combater adversários políticos?
Nenhuma. Absolutamente nenhuma.
Se houve violação — e agora até jornalistas do establishment reconhecem isso — então, não basta pedir que o Supremo “pare” de fazer o que fez. A simples volta ao status quo ante não corrige os danos. A única consequência compatível com o Estado Democrático de Direito seria:
1 – Anular atos e decisões produzidas sob excepcionalidade inconstitucional;
2 – Extinguir inquéritos com vícios insanáveis;
3 – Restaurar a plena observância das garantias constitucionais;
4 – E reerguer a credibilidade das instituições, hoje profundamente abaladas.
Isso não é discurso político, é lógica jurídica.
Não é defesa de Bolsonaro, dos generais ou de qualquer pessoa.
É defesa da própria democracia.
Quando a imprensa admite que ajudou a normalizar práticas de exceção, ela revela ao país sua faceta mais preocupante: não a de formadora de opinião, mas a de operadora política. Ao fazê-lo, perde autoridade, perde confiança e expõe a fragilidade institucional do país.
O que assistimos não foi mero ativismo judicial. Foi um deslocamento perigoso do eixo constitucional, que só não se converteu em tragédia institucional porque, agora, os próprios agentes que o incentivaram começam a temer seus efeitos.
Mas será que ainda há tempo?
Será que o Supremo está disposto a rever o que fez?
Será que a mídia terá coragem de assumir seu papel nessa crise?
Ou preferirá silenciar, agora que o alvo inicial foi atingido?
O Brasil não pode aceitar que violações constitucionais sejam justificadas por “boas causas”. Isso é o oposto da democracia. É, justamente, sua negação.
A verdadeira defesa das instituições exige coragem para reconhecer erros, revogar abusos e restaurar plenamente a ordem constitucional. Sem isso, continuaremos à deriva — vivendo entre exceções, conveniências e narrativas — enquanto a democracia se esvai lentamente diante de nossos olhos.
O Impacto



Atentar conta a Democracia e o estado democrático de direito, é crime.
“Tentar” dar golpe de estado, também é crime.
Ambos previstos na constituição em vigor no Brasil. Todos os políticos e militares, sabem ou devem saber disso.
Se tivessem sido punidos na forma da lei os golpistas de 1964, talvez não tivessem tentado outro golpe em Janeiro de 2023. Que fique de exemplo para esta e para as futuras gerações.
Só blá blá blá, quero ver o órfão de golpista que escreveu esse texto apontar fatos