A DERRUBADA DOS VETOS À LEI DE LICENCIAMENTO AMBIENTAL: A VITÓRIA DO BRASIL PRODUTIVO

Congresso Derruba Vetos e Restabelece o Equilíbrio Entre Preservação e Desenvolvimento

Por Fábio Maia*

Em 27 de novembro de 2025, o Congresso Nacional protagonizou um dos mais importantes momentos para o futuro do desenvolvimento brasileiro. Com 295 votos na Câmara e 52 no Senado, os parlamentares derrubaram 52 dos 63 vetos presidenciais à Lei Geral do Licenciamento Ambiental (Lei 15.190/2025), restabelecendo dispositivos fundamentais para destravar a economia nacional sem abandonar a responsabilidade ambiental.

Não se trata — como querem fazer crer os catastrofistas de sempre — de um “PL da Devastação”. Trata-se, sim, do restabelecimento da normalidade democrática, onde produzir riqueza, gerar empregos e desenvolver infraestrutura deixam de ser crimes ambientais em potencial e voltam a ser reconhecidos como direitos constitucionais e obrigações do Estado.

O QUE ESTAVA EM JOGO

Quando o presidente Lula vetou 63 dispositivos da Lei de Licenciamento Ambiental em agosto, entregou-se à pressão de ONGs internacionais, ativistas urbanos e de uma burocracia ambiental que enxerga qualquer atividade produtiva como ameaça. Os vetos buscavam manter o Brasil refém de um sistema de licenciamento que:

  • Paralisa obras estratégicas por anos em análises burocráticas intermináveis
  • Inviabiliza economicamente empreendimentos de baixo e médio impacto
  • Concentra poder em Brasília, ignorando a realidade regional
  • Pune produtores rurais que querem se regularizar
  • Trata igualmente uma pequena reforma de estrada e uma hidrelétrica gigante

A derrubada dos vetos pelo Congresso não apenas corrigiu esses absurdos — restabeleceu a racionalidade ao processo de licenciamento ambiental brasileiro.

OS PRINCIPAIS AVANÇOS CONQUISTADOS

  1. LICENÇA POR ADESÃO E COMPROMISSO (LAC) — O FIM DA BUROCRACIA PARALISANTE

O que era antes: Até um pequeno produtor que quisesse instalar um aviário, uma queijaria ou ampliar sua lavoura precisava submeter-se a meses de análise burocrática, com custos proibitivos e prazos imprevisíveis.

O que voltou com a derrubada do veto: A LAC permite que empreendimentos de pequeno e médio porte com baixo potencial poluidor obtenham licença mediante autodeclaração de compromisso com normas pré-estabelecidas. O empreendedor declara conformidade, inicia suas atividades e fica sujeito à fiscalização posterior.

Benefício para Santarém e região:

  • Pisciculturas familiares poderão se licenciar em dias, não em anos
  • Pequenas agroindústrias (casas de farinha, laticínios, secadores de cacau) ganham agilidade
  • Ampliação de áreas de hortaliças periurbanas sem entraves burocráticos
  • Geração imediata de emprego e renda, sem comprometer controle ambiental

Por que Lula vetou? Porque acredita que o Estado precisa analisar previamente cada pequeno projeto, como se produtores fossem incapazes de assumir responsabilidades ambientais.

Por que o Congresso derrubou? Porque entendeu que fiscalização posterior é mais eficiente que análise prévia infinita, liberando recursos para focar em empreendimentos realmente complexos.

  1. DISPENSA DE LICENCIAMENTO PARA INFRAESTRUTURA E ATIVIDADES DE BAIXO IMPACTO

O que era antes: Manutenção de rodovias, duplicação de trechos existentes, reforma de redes elétricas e até obras de saneamento básico ficavam meses travadas aguardando licenciamento ambiental, mesmo sendo melhorias em infraestrutura já existente.

O que voltou com a derrubada do veto: Dispensa de licenciamento para:

  • Manutenção e duplicação de rodovias existentes
  • Ampliação de redes de transmissão de energia
  • Obras de saneamento básico até universalização
  • Atividades não listadas como de alto impacto ambiental

Benefício para Santarém e região:

  • Reforma da BR-163 e vicinais sem paralisação por licenciamento
  • Expansão da rede elétrica rural sem burocracia
  • Aceleração da universalização do saneamento (meta: 99% até 2033)
  • Manutenção de ramais e estradas vicinais essenciais para escoamento agrícola

Por que Lula vetou? Para manter controle centralizado sobre qualquer obra, mesmo as mais rotineiras.

Por que o Congresso derrubou? Porque obras de melhoria em infraestrutura existente não deveriam ser tratadas como novos empreendimentos de alto impacto.

  1. AUTONOMIA PARA ESTADOS E MUNICÍPIOS

O que era antes: Brasília centralizava decisões sobre licenciamento, ignorando especificidades regionais e criando gargalos administrativos intransponíveis.

O que voltou com a derrubada do veto: Estados e municípios ganham maior autonomia para definir critérios de licenciamento conforme realidade local, dentro dos parâmetros da Lei Complementar 140/2011.

Benefício para Santarém e região:

  • Pará poderá adequar critérios à realidade amazônica
  • Municípios ganham agilidade para aprovar projetos locais
  • Redução da dependência de Brasília e do IBAMA
  • Desenvolvimento econômico respeitando características regionais

Por que Lula vetou? Para preservar o poder centralizador de Brasília e manter Estados e municípios como meros executores de decisões federais.

Por que o Congresso derrubou? Porque federalismo não é apenas discurso — é reconhecer que prefeitos e governadores conhecem melhor suas regiões que burocratas brasilienses.

  1. PRODUTORES RURAIS COM CAR PENDENTE — O FIM DA CHANTAGEM BUROCRÁTICA

O que era antes: Produtores rurais com Cadastro Ambiental Rural (CAR) aguardando análise pelos órgãos estaduais ficavam impedidos de licenciar qualquer atividade, mesmo estando com documentação protocolada há anos.

O que voltou com a derrubada do veto: Dispensa de licenciamento para atividades rurais em imóveis com CAR cadastrado, mesmo que pendente de análise final.

Benefício para Santarém e região:

  • Milhares de produtores rurais com CAR protocolado poderão produzir enquanto aguardam análise
  • Fim da paralisação produtiva por morosidade estatal
  • Incentivo à regularização (e não punição aos que tentam se regularizar)
  • Retomada da produção agrícola familiar sem entraves burocráticos

Por que Lula vetou? Para manter produtores reféns da morosidade estatal, forçando-os a permanecer na informalidade ou paralisados.

Por que o Congresso derrubou? Porque é absurdo punir quem está tentando se regularizar pela incompetência do Estado em analisar processos.

  1. PRIORIDADE PARA SANEAMENTO E SEGURANÇA ENERGÉTICA

O que era antes: Projetos de saneamento básico e segurança energética enfrentavam os mesmos trâmites burocráticos de empreendimentos altamente poluidores, atrasando obras essenciais.

O que voltou com a derrubada do veto: Prioridade procedimental e simplificação para projetos de:

  • Saneamento básico (água e esgoto)
  • Geração e transmissão de energia
  • Abastecimento energético estratégico

Estudos de Impacto Ambiental (EIA) passam a ser exigidos apenas em situações excepcionais devidamente justificadas.

Benefício para Santarém e região:

  • Aceleração da universalização do saneamento (hoje apenas 35% de esgoto tratado)
  • Expansão energética para suportar desenvolvimento industrial
  • Redução de custos e prazos em obras essenciais
  • Saúde pública e desenvolvimento econômico priorizados

Por que Lula vetou? Porque considera que água e esgoto tratados não merecem prioridade sobre burocracia ambiental.

Por que o Congresso derrubou? Porque entendeu que saneamento e energia são direitos humanos básicos que não podem ser reféns de análises infinitas.

  1. LIMITAÇÃO DE CONDICIONANTES A IMPACTOS DIRETOS

O que era antes: Empreendimentos eram obrigados a compensar até impactos indiretos hipotéticos, virando fonte de financiamento para projetos sem relação direta com o empreendimento.

O que voltou com a derrubada do veto: Condicionantes ambientais e medidas compensatórias limitadas aos impactos diretos comprovados.

Benefício para Santarém e região:

  • Fim de compensações abusivas e desproporcionais
  • Custos de licenciamento mais previsíveis e racionais
  • Recursos do empreendedor focados na mitigação real de impactos
  • Atração de investimentos com custos transparentes

Por que Lula vetou? Para manter empreendedores como fonte de financiamento de agendas ambientais sem relação direta com seus projetos.

Por que o Congresso derrubou? Porque compensações devem ser proporcionais aos impactos reais, não transformar licenciamento em taxa disfarçada.

  1. LICENÇA DE OPERAÇÃO CORRETIVA (LOC) — REGULARIZAÇÃO SEM CRIMINALIZAÇÃO

O que era antes: Empreendimentos que operavam sem licença (muitas vezes por impossibilidade burocrática de obtê-la) eram simplesmente criminalizados e multados, sem chance de regularização.

O que voltou com a derrubada do veto: Criação da LOC, que permite regularizar operações sem licença prévia. A solicitação espontânea extingue a punibilidade criminal (Lei 9.605/98) e suspende processos/penas durante o compromisso de regularização.

Benefício para Santarém e região:

  • Milhares de pequenos empreendimentos familiares poderão se regularizar
  • Fim da criminalização de quem quer entrar na legalidade
  • Incentivo à formalização sem medo de punição retroativa
  • Geração de receita municipal via tributação de negócios regularizados

Por que Lula vetou? Porque prefere manter produtores na informalidade e sob ameaça constante de fiscalização punitiva.

Por que o Congresso derrubou? Porque entendeu que regularização é melhor que criminalização, e que o Estado deve facilitar — não impedir — que cidadãos entrem na legalidade.

  1. PREVALÊNCIA TÉCNICA DO ÓRGÃO LICENCIADOR

O que era antes: Decisão do órgão licenciador competente podia ser contestada indefinidamente por outros órgãos, gerando insegurança jurídica e paralisação.

O que voltou com a derrubada do veto: A manifestação técnica do órgão licenciador prevalece sobre autos de infração duplicados ou discordâncias de outros órgãos não competentes.

Benefício para Santarém e região:

  • Segurança jurídica para empreendedores
  • Fim de disputas burocráticas entre órgãos
  • Previsibilidade de prazos e decisões
  • Atração de investimentos com ambiente regulatório estável

Por que Lula vetou? Para manter a possibilidade de qualquer órgão contestar indefinidamente decisões técnicas.

Por que o Congresso derrubou? Porque hierarquia técnica e segurança jurídica são fundamentos de qualquer Estado de Direito funcional.

O CONTEXTO REGIONAL: POR QUE ISSO IMPORTA PARA SANTARÉM

Enquanto produzimos nosso relatório sobre a crise de autossuficiência alimentar regional, constatamos um paradoxo inaceitável:

  • 2,7 milhões de hectares de território
  • Apenas 9,42% utilizados para produção
  • 43,2% da população em pobreza
  • R$ 950 milhões/ano desperdiçados em importações alimentares
  • 45,3% do território bloqueado em unidades de conservação

A Lei de Licenciamento Ambiental, com os vetos derrubados, é a ferramenta legal que faltava para:

  1. Regularizar milhares de pequenos produtores com CAR pendente
  2. Licenciar rapidamente pisciculturas familiares (nossa maior vantagem competitiva)
  3. Viabilizar agroindústrias de mandioca, frutas tropicais e pescado
  4. Expandir saneamento sem travamento burocrático
  5. Atrair investimentos com segurança jurídica

Sem essa lei, um projeto de desenvolvimento regional seria inviável. Com ela, temos o arcabouço legal para transformar potencial em realidade.

A HIPOCRISIA AMBIENTALISTA EXPOSTA

Vale registrar a hipocrisia dos que chamaram a lei de “PL da Devastação”:

Fato 1: A votação ocorreu dias após a COP 30 em Belém, onde o próprio governo brasileiro defendeu “desenvolvimento sustentável”. Mas quando o Congresso aprova lei que viabiliza exatamente isso, o governo veta e ambientalistas gritam “devastação”.

Fato 2: ONGs internacionais que recebem milhões de dólares para “proteger a Amazônia” se opõem a qualquer lei que facilite produção sustentável na região. Querem a Amazônia intocada — e os amazônidas miseráveis.

Fato 3: Os mesmos que protestaram contra a lei não apresentaram UMA ÚNICA proposta concreta para viabilizar desenvolvimento econômico na Amazônia respeitando o meio ambiente. Apenas dizem “não” a tudo.

Fato 4: Deputados e senadores que votaram contra a derrubada dos vetos representam estados desenvolvidos do Sul e Sudeste, onde infraestrutura e indústria já estão consolidadas. Querem impedir que o Norte e Nordeste alcancem o mesmo patamar.

O DISCURSO DE DAVI ALCOLUMBRE: INSTITUCIONALIDADE ACIMA DA IDEOLOGIA

O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, foi cirúrgico ao defender a derrubada dos vetos:

“Votar esse veto é fundamental para destravarmos o tema do licenciamento ambiental como um todo, estabilizando o marco legal, dando previsibilidade jurídica. Há regiões inteiras aguardando que o Congresso finalize esta discussão para que grandes projetos saiam do papel, gerando emprego, renda e crescimento econômico, sempre com responsabilidade ambiental.”

E completou:

“Transformar a análise dos vetos em disputa política desconsidera o papel institucional do Congresso, de dar a palavra final sobre a vigência das leis do país. O Congresso Nacional não pode se furtar ao cumprimento de suas responsabilidades constitucionais.”

Alcolumbre tem razão. O presidente pode vetar, mas o Congresso — representante legítimo do povo — tem a palavra final. E o povo escolheu o desenvolvimento.

OS PRÓXIMOS PASSOS: LAE E A MP 1.308

A análise de 7 vetos referentes ao Licenciamento Ambiental Especial (LAE) foi adiada por acordo entre governo e oposição. O tema está sendo tratado na Medida Provisória 1.308/2025, com vigência até 5 de dezembro.

A LAE prevê licenciamento simplificado e em fase única para obras estratégicas, diferentemente do modelo trifásico tradicional (Licença Prévia, de Instalação e de Operação). É fundamental para:

  • Obras de infraestrutura estratégica
  • Projetos de segurança energética
  • Empreendimentos de interesse nacional

A classe produtiva deve acompanhar a tramitação da MP 1.308 e pressionar pela aprovação da LAE sem retrocessos. É a última peça do quebra-cabeça para consolidar um marco legal moderno e eficiente.

CONCLUSÃO: A VOLTA À NORMALIDADE

A derrubada dos vetos à Lei de Licenciamento Ambiental não é vitória da “bancada ruralista” ou do “agronegócio predador”, como querem os derrotados. É a vitória do Brasil que produz, gera empregos e constrói infraestrutura.

É a vitória de quem entende que:

  • Preservação ambiental e desenvolvimento econômico não são excludentes — são complementares quando há racionalidade no licenciamento.
  • Pequenos produtores merecem ser tratados diferentemente de grandes empreendimentos poluidores — e não criminalizados pela burocracia.
  • Estados e municípios conhecem melhor suas realidades que burocratas de Brasília — e devem ter autonomia para decidir.
  • Saneamento, energia e infraestrutura são direitos humanos — e não podem ser reféns de burocracia ambiental infinita.
  • Regularização é melhor que criminalização — e quem busca a legalidade não deve ser punido pela morosidade estatal.

Para Santarém e região, essa lei é a ferramenta legal que faltava para viabilizar nosso projeto de desenvolvimento baseado em vantagens competitivas reais: piscicultura, mandioca industrial, frutas tropicais e óleos vegetais.

Agora, cabe aos nossos gestores públicos, produtores e empresários aproveitar a janela de oportunidade criada pelo Congresso Nacional. Regularizar, licenciar, investir, produzir, gerar empregos e riqueza.

O Brasil produtivo venceu. A normalidade está sendo restabelecida. Cabe a nós, amazônidas, provar que desenvolvimento e preservação caminham juntos — desde que nos deixem trabalhar.


Fábio Maia é colunista do jornal O Impacto e defensor do desenvolvimento sustentável da Amazônia. Acredita que preservar é importante — mas condenar populações amazônicas à miséria em nome de uma falsa preservação é crime contra a humanidade.

O Impacto

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