A ARMADILHA CLIMÁTICA: IMPORTANDO O FRACASSO EUROPEU PARA A AMAZÔNIA

Por Fábio Maia – Colunista de O Impacto

“A imitação é a forma mais sincera de estupidez” – Adaptação livre

Enquanto a Europa acorda de sua fantasia climática – empobrecida, desindustrializada e dependente da China – nós, na região Norte do Brasil, continuamos importando com entusiasmo bovino a mesma agenda que destruiu o velho continente. E o fazemos com orgulho, como se estivéssemos na vanguarda do progresso, quando na verdade estamos apenas repetindo os mesmos erros, só que 25 anos atrasados.

DO GOLF AO DACIA: A LIÇÃO QUE NÃO APRENDEMOS

Em 2000, o carro mais vendido na Europa era o Volkswagen Golf – símbolo de uma Europa industrial, produtiva, próspera. Em 2025, é o Dacia Sandero – feito na Romênia com peças chinesas, símbolo de um continente que passou de produtor a consumidor, de rico a empobrecido.

A Europa não chegou aí por acidente. Chegou porque decidiu sacrificar sua indústria, sua agricultura e sua soberania energética no altar do ambientalismo radical. Fechou fábricas em nome da “sustentabilidade”, destruiu sua agricultura com burocracia verde, abandonou energia barata e confiável por sonhos eólicos e solares.

O resultado? A indústria europeia caiu de 20% para 13% do PIB. A produção de aço despencou 30%. Três milhões de fazendas fecharam entre 2010 e 2020. E agora importam comida do Chile, cereais da Ucrânia, manufaturados da China – tudo em nome da redução de carbono.

A ironia é genial: pararam de produzir localmente para “reduzir emissões”, mas agora importam os mesmos produtos de 5 mil quilômetros de distância. Brilhante.

A AMAZÔNIA REPETINDO O ERRO EUROPEU

E nós? Nós olhamos para esse desastre e pensamos: “Que ideia maravilhosa! Vamos fazer igual!”

Na Amazônia, estamos seguindo o mesmo roteiro suicida:

Agricultura sob ataque: Os mesmos que nunca plantaram uma mandioca querem nos ensinar como produzir. Criam regras impossíveis, burocracia sufocante, exigências ambientais que inviabilizam a produção. O resultado? Agricultores desistindo, terras abandonadas, e a região importando verduras de São Paulo que poderiam ser produzidas aqui.

Indústria bloqueada: A Área Portuária 2 estagnada. O Distrito Industrial ameaçado antes mesmo de começar. Cada projeto industrial enfrentando anos de licenciamento, dezenas de ações judiciais, embargos intermináveis. Tudo em nome do meio ambiente – o mesmo argumento que destruiu a indústria europeia.

Energia cara e insegura: Cidades ainda dependem de termelétricas caras enquanto ativistas bloqueiam hidrelétricas. Queremos atrair indústrias, mas não garantimos energia competitiva. Exatamente como a Europa, que fechou suas usinas nucleares e agora paga energia 4 vezes mais cara que a China.

Pecuária demonizada: O gado virou vilão climático. Os mesmos que comem picanha no restaurante querem acabar com a pecuária amazônica. Ignoram que nossa carne alimenta o Brasil e o mundo, gera emprego, sustenta famílias. Mas não importa – vacas emitem metano, então precisam sumir. Depois importamos carne da Argentina.

OS NÚMEROS DO EMPOBRECIMENTO PROGRAMADO

Vamos falar de números concretos do que essa agenda já causou na região:

A produção agrícola da região Norte cresce muito abaixo do potencial – não por falta de terra ou capacidade, mas por excesso de burocracia ambiental. Enquanto o Matopiba explode em produtividade, nós discutimos se podemos ou não ter áreas para plantar.

Santarém tem localização privilegiada, terras férteis, água abundante, mas importa grande parte dos alimentos consumidos na cidade. Sim, você leu certo: uma cidade no meio da Amazônia importando comida.

A Área Portuária 2 poderia gerar 50 a 75 milhões de reais anuais em impostos para a prefeitura. Mas está praticamente vazia porque qualquer investidor foge da insegurança jurídica que criamos.

O Distrito Industrial, que pode transformar Santarém em polo manufatureiro, corre risco de virar elefante branco se não tivermos porto para escoar produção nem energia competitiva para atrair empresas.

Resultado final: desemprego, pobreza, dependência. Exatamente como a Europa.

ENQUANTO ELES ACORDAM, NÓS APROFUNDAMOS O SONO

A grande ironia é que a Europa já está voltando atrás. Países como França, Alemanha e Itália começam a rever suas políticas ambientalistas radicais. Agricultores europeus estão nas ruas exigindo o fim da burocracia verde. Governos reconhecem que foram longe demais.

A Alemanha reabriu usinas de carvão. A França voltou a investir em nuclear. A União Europeia admite que precisa reindustrializar ou vira irrelevante.

Mas aqui? Aqui nossos representantes, especialmente na região Norte, seguem bovinamente repetindo os mantras ambientalistas como se fossem verdades absolutas. Seguem defendendo políticas que a própria Europa já reconhece como fracassadas.

Temos deputados e senadores amazônicos que parecem agentes de ONGs internacionais, não representantes do povo. Defendem restrições à agricultura, à pecuária, à mineração, à indústria – tudo que gera emprego e renda – em nome de uma “Amazônia preservada” que na prática significa Amazônia pobre, dependente e atrasada.

A HIPOCRISIA DOS “DEFENSORES DA AMAZÔNIA”

Os mesmos que bloqueiam desenvolvimento na Amazônia vivem em São Paulo, Rio ou Brasília – cidades construídas destruindo biomas inteiros. Usam celulares com minerais extraídos de algum lugar (provavelmente não foi com consulta livre e informada às comunidades locais). Comem carne, consomem energia, usam produtos industrializados.

Mas querem que a Amazônia fique intocada. Querem que sejamos eternos guardiões da floresta – pobres, mas sustentáveis. Enquanto eles prosperam com o desenvolvimento que nos negam.

A Europa fez isso consigo mesma e está pagando o preço. Nós estamos fazendo conosco mesmos, sob orientação europeia, e achando que é progresso.

O CAMINHO CHINÊS QUE FINGIMOS NÃO VER

Enquanto a Europa se autodestruía com agenda climática, a China fazia o oposto. Construiu a maior indústria do mundo. Multiplicou sua produção de aço. Investiu pesado em energia – incluindo centenas de usinas de carvão. Tirou 800 milhões de pessoas da pobreza.

Hoje, a China compra empresas europeias falidas, fornece os produtos que a Europa não produz mais, domina cadeias produtivas inteiras. E faz isso enquanto mantém o discurso de “preocupação ambiental” – discurso que só aplica aos outros, nunca a si mesma.

A lição é clara: desenvolvimento vem antes. Prosperidade vem antes. Quando você é rico, pode se dar ao luxo de proteger o ambiente. Quando é pobre, vira refém de quem é rico.

Mas nós insistimos em tentar proteger primeiro, desenvolver depois. Resultado: não protegemos (vide desmatamento ilegal galopante) e não desenvolvemos (vide estagnação econômica regional).

O ESPÍRITO COLONIAL QUE NOS APRISIONA

Aqui chegamos ao ponto crucial: quando vamos deixar de ser colônia mental da Europa?

Por que seguimos religiosamente agendas criadas em Bruxelas, Londres ou Paris? Por que dançamos conforme a música de ONGs financiadas por europeus e americanos? Por que nossos próprios representantes amazônicos repetem como papagaios conceitos importados que não se aplicam à nossa realidade?

O espírito colonial está vivo e forte na mentalidade de nossas elites. Acham que tudo que vem de fora é superior, moderno, correto. Se a Europa faz, deve estar certo. Se ONGs internacionais recomendam, devemos obedecer.

Esquecemos que a Europa se desenvolveu devastando seus biomas. Que os EUA construíram potência industrial poluindo rios e queimando carvão por um século. Que todos os países ricos fizeram primeiro, regularam depois.

Mas nós devemos fazer o inverso. Devemos sacrificar nosso desenvolvimento no altar de uma agenda climática que os próprios criadores já abandonam.

DESENVOLVIMENTO NÃO É INIMIGO DO AMBIENTE

Deixemos claro: defender desenvolvimento não significa defender devastação. Significa defender o direito de nossa região crescer, gerar empregos, criar riqueza – com responsabilidade, sim, mas sem a paralisia que nos impuseram.

Desenvolvimento sustentável de verdade é aquele que melhora a vida das pessoas. Que tira famílias da pobreza. Oferecem alternativas econômicas aos jovens para que não precisem emigrar. Que usa os recursos naturais com inteligência, não os tranca em redoma intocável.

A Cargill está em Santarém há mais de 20 anos. Cadê a catástrofe ambiental? Cadê a extinção em massa? Cadê o Rio Tapajós morto? Não houve porque desenvolvimento bem feito convive com preservação.

Mas a turma da agenda climática não quer saber disso. Prefere manter a Amazônia como museu vivo – com sua população pobre, desempregada, mas orgulhosamente “sustentável”.

A HORA DE ESCOLHER

A Europa fez sua escolha e está pagando o preço. Desindustrializou-se, empobreceu, tornou-se dependente. Do Golf ao Dacia – eis o progresso europeu.

Nós estamos no meio do caminho dessa mesma trajetória. Ainda dá tempo de escolher diferente.

Podemos continuar seguindo bovinamente a agenda climática importada, bloqueando nossa agricultura, impedindo nossa indústria, espantando investimentos, gerando desemprego. E daqui 20 anos estaremos como a Europa hoje: pobres, dependentes, irrelevantes.

Ou podemos acordar. Perceber que a armadilha foi montada justamente para isso – impedir que regiões como a nossa se desenvolvam e compitam com quem já é desenvolvido.

Podemos exigir de nossos representantes que defendam NOSSOS interesses, não os interesses de ONGs estrangeiras. Que lutem pelo desenvolvimento da Amazônia, não por sua transformação em parque temático para europeus visitarem.

Podemos criar nosso próprio modelo de desenvolvimento – amazônico, adaptado à nossa realidade, respeitando nossas características, mas sem abrir mão de prosperidade.

O VEREDICTO FINAL

A agenda climática europeia fracassou. A própria Europa está reconhecendo isso e voltando atrás. Mas aqui, alguns de nossos representantes continuam defendendo com fervor religioso as mesmas políticas que destruíram o velho continente.

Importamos o fracasso europeu como se fosse vitória. Repetimos erros documentados como se fossem inovações. Sacrificamos nosso futuro em nome de uma ideologia que nem seus criadores levam mais a sério.

Não está na hora de deixarmos o espírito de colônia europeia para trás?

Não está na hora de assumirmos o protagonismo do nosso próprio desenvolvimento?

Não está na hora de dizermos: A Amazônia não é laboratório de experimentos climáticos europeus. É nossa casa. E vamos desenvolvê-la do nosso jeito, para nosso povo, em nosso benefício?

A escolha é nossa. Podemos continuar como colônia mental, repetindo mantras importados, caminhando para o empobrecimento programado.

Ou podemos acordar, olhar para a realidade ao invés de relatórios de ONGs, e construir uma Amazônia próspera, desenvolvida e sim, sustentável – mas sustentável de verdade, não no sentido europeu de “pobre, mas feliz”.

O Brasil e principalmente a região Norte merecem mais que isso. Merecem desenvolvimento. Merecem emprego. Merecem prosperidade.

Mas para isso, precisamos primeiro nos libertar das correntes mentais que nos prendem a uma agenda fracassada, criada por quem já se desenvolveu e agora quer nos impedir de fazer o mesmo.

A Europa foi do Golf ao Dacia. Nós vamos para onde?


Fábio Maia é pesquisador em desenvolvimento regional e das questões amazônicas, e é articulista do jornal O Impacto. Escreve semanalmente sobre política, ambientalismo e soberania nacional.

Também é autor do livro “O Ambientalismo como Nova Forma de Colonialismo na Amazônia”, que você pode adquirir clicando aqui.


O Impacto

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