QUANDO A VERDADE ATRASA, MAS NÃO MORRE

Manoel Chaves Lima – Advogado tributarista e trabalhista, inscrito na OAB/PA nº 7677, com mais de 26 anos na advocacia cível

A verdade pode ser silenciada por um tempo. Pode ser abafada por interesses poderosos, encoberta por narrativas convenientes ou relativizada por discursos sofisticados. Mas ela tem uma característica inescapável:não morre.

O Brasil viveu, nos últimos anos, um período em que fatos relevantes, decisões controversas e comportamentos institucionais questionáveis foram amplamente discutidos nas redes sociais, mas ignorados por grande parte da mídia convencional. Isso criou dois países dentro de um só: um que sabia demais e outro que sabia de menos.

Quando, finalmente, veículos tradicionais passaram a noticiar e editorializar críticas a atos de ministros do Supremo Tribunal Federal, muitos cidadãos sentiram perplexidade — não pelo conteúdo, mas pelo atraso. O que para alguns já era conhecido há anos, para outros soou como revelação.

O problema não está na crítica em si, mas na seletividade do silêncio. Jornalismo não pode ser instrumento de conveniência política. Não pode escolher quando a verdade é oportuna. Sua função é servir à sociedade, não ao sistema.

Mais grave ainda é perceber que o País já dispõe de arcabouço jurídico suficiente para coibir excessos: a Constituição Federal, a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (LOMAN), o Código de Ética da Magistratura e os regimentos internos dos tribunais. Criar novos códigos ou discursos morais é inútil quando normas existentes são reiteradamente ignoradas.

O Estado Democrático de Direito não sobrevive sem limites. Todo poder sem freios tende ao abuso. Não é ataque institucional afirmar isso — é lição histórica.

O que se espera para 2026 não é revanche, nem radicalização. O Brasil precisa de equilíbrio, de instituições respeitadas porque respeitam a lei, de uma imprensa livre e responsável, e de cidadãos conscientes de que democracia não é silêncio, mas participação.

Que este novo ano seja marcado pela reconstrução da confiança pública, pela volta do jornalismo comprometido com a verdade e pelo reencontro do País com seus fundamentos constitucionais.

Que DEUS ilumine aqueles que decidem, para que decidam com justiça. E fortaleça o povo brasileiro, para que jamais aceite a mentira como normalidade.

O Impacto

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