PASSADO E FUTURO: O BRASIL DIANTE DO ESPELHO DA CONSCIÊNCIA
Manoel Chaves Lima – Advogado tributarista e trabalhista, inscrito na OAB/PA nº 7677, com mais de 26 anos na advocacia cível
Quem, com as graças e permissão de DEUS, entrar em 2026, estará trazendo no corpo e na alma as marcas profundas de 2025. Um ano que feriu expectativas, abalou confianças e expôs, de forma dolorosa, as fragilidades institucionais de um país que nasceu sob o signo da esperança, mas que frequentemente se vê prisioneiro de seus próprios desvios.
Iniciamos 2025 acreditando que ventos de mudança soprariam a favor das liberdades individuais, da verdade e do equilíbrio entre os Poderes da República. Havia a expectativa de que excessos fossem revistos, que perseguições cessassem e que a censura, explícita ou velada, recuasse.
Contudo, o que se viu foi apenas uma redução pontual das tensões, sem que o medo e o silêncio deixassem de fazer parte do cotidiano de milhões de brasileiros.
A democracia não sobrevive quando o cidadão vive acuado. Não prospera quando a crítica é criminalizada. Não se sustenta quando a verdade passa a ser filtrada conforme interesses políticos e econômicos.
Mais da metade da população brasileira ainda recebe informação quase exclusiva de um único sistema de comunicação, com forte capilaridade nacional, cuja linha editorial, por vezes, se distancia da pluralidade necessária ao verdadeiro jornalismo. O resultado é uma sociedade parcialmente informada, incapaz de exercer plenamente o juízo crítico que sustenta a cidadania.
Nesse cenário, o protagonismo excessivo do Poder Judiciário — especialmente do Supremo Tribunal Federal — passou a gerar inquietação. Não por sua existência, indispensável ao Estado de Direito, mas pela percepção de que limites constitucionais foram relativizados, competências concentradas e princípios basilares da Constituição Federal de 1988 progressivamente tensionados.
A crítica responsável não ataca instituições; ao contrário, as fortalece. Instituições sólidas não temem o escrutínio público — elas o acolhem como instrumento de aperfeiçoamento democrático.
O despertar recente de setores da mídia tradicional — como O Globo, Folha de São Paulo e O Estado de S. Paulo — ainda que tardio, é um sinal de que a verdade insiste em emergir. “Antes tarde do que nunca”, dirão alguns. Mas é preciso ir além: que esse jornalismo crítico não seja episódico, seletivo ou circunstancial.
Entrar em 2026 exige mais do que esperança; exige compromisso. Compromisso com a Constituição, com a separação e harmonia entre os três Poderes, com a liberdade de expressão, com a dignidade humana e com os valores que estruturam a República.
Que DEUS nos conceda sabedoria para reconstruir pontes, coragem para corrigir rumos e humildade para reconhecer erros. O futuro do Brasil não pode ser obra do medo, mas da verdade, da justiça e da responsabilidade coletiva.



Excelente texto! Com ponderação, lucidez e realismo, o Nobre Advogado apontou os fatores que tisnam a democracia e que exigem solução imediata para que a esperança do povo por dias melhores não se desvaneça.
Belo artigo Dr. Manoel . Lúcido , atual e tremendamente verdadeiro . Parabéns.