81 ANOS DA ACES: UMA HISTÓRIA DE DEDICAÇÃO E TRANSFORMAÇÃO PARA SANTARÉM E O OESTE PARAENSE

Por Fábio Maia – Colunista de O Impacto

Como diretor da Associação Comercial e Empresarial de Santarém (ACES) há 18 anos, é com imenso orgulho que escrevo este artigo hoje, 14 de janeiro de 2026, data em que nossa querida entidade completa 81 anos de existência. Como vice Diretor de Patrimônio na atual gestão, tenho acompanhado de perto o quanto essa associação representa não apenas para o setor empresarial, mas para toda a sociedade santarena e da região do Baixo Amazonas. Fundada em 1945 por visionários que sonhavam com um futuro próspero, a ACES tem sido o motor de inúmeras lutas e conquistas, unindo homens e mulheres empreendedores em um esforço altruísta pelo desenvolvimento econômico, social e ambiental. Neste texto, inspirado no livro comemorativo dos 80 anos – uma obra rica em atas, depoimentos e memórias –, farei uma síntese dessa trajetória gloriosa, destacando membros ilustres e ações que moldaram nossa cidade e região.

Tudo começou em 14 de janeiro de 1945, quando um grupo de comerciantes, liderado por Manuel Cardoso Loureiro, primeiro presidente da então Associação Comercial de Santarém (ACS), se reuniu para fortalecer a economia local em um momento de transformação. Santarém, polo estratégico no oeste do Pará, enfrentava desafios como a navegação fluvial precária e impostos elevados. Loureiro, com sua visão pioneira, organizou protestos contra taxas abusivas sobre produtos amazônicos e defendeu a construção de um aeroporto moderno, que viria a impulsionar o comércio regional. Em seus dois biênios (1945-1947 e 1953-1954), ele ampliou a representatividade da entidade, filiando-a à Confederação Nacional do Comércio e promovendo a solidariedade entre associados.

Ao longo das décadas, a ACES passou por renomeações que refletem sua evolução: em 1947, sob Vicente Malheiros da Fonseca (presidente em múltiplos mandatos, como 1947-1948, 1949-1950 e 1955-1956), tornou-se Associação Comercial do Baixo Amazonas (ACBA), ampliando sua atuação para além de Santarém. Malheiros, autor do hino da ACES – uma bela composição que exalta a união e a renovação –, lutou por melhorias na infraestrutura portuária e energética, pavimentando o caminho para conquistas futuras. Seu legado inclui a defesa de tarifas justas de energia e a integração com entidades nacionais, fortalecendo a voz da região.

Outros líderes marcaram épocas de intensas batalhas. Mário Fernandes Imbiriba (1963-1964 e 1965-1966) enfrentou crises econômicas e políticas, liderando campanhas pela eletrificação rural e pela modernização do porto de Santarém, essenciais para o escoamento de produtos agrícolas. Evandro Lopes Vasconcelos (1969-1970 e 1971-1974) expandiu o quadro de associados e defendeu o setor madeireiro contra regulamentações excessivas. Já André Teixeira Vinholte (1977-1978) resgatou o nome original ACS e intensificou a luta por rodovias, precursor das demandas pelo asfaltamento da BR-163, que viria a conectar Santarém ao resto do país de forma mais eficiente.

Nas décadas de 1980 e 1990, presidentes como Manoel Chaves de Lima (1987-1992) e Ademilson Macêdo Pereira (1995-1996, 1997-1998 e 2001-2002) enfrentaram desafios como a inflação e a abertura econômica. Pereira, em particular, impulsionou o “Projeto Tramoeste”, uma iniciativa visionária para trazer energia da Usina de Tucuruí à região, combatendo a precariedade energética – ecoando a histórica “Luta Contra a Escuridão”, campanha que mobilizou a sociedade contra apagões crônicos e defendeu tarifas acessíveis. Essas ações não só iluminaram lares e empresas, mas também atraíram investimentos industriais.

Entrando no século XXI, a ACES assumiu nomes como ASES (2002) e, finalmente, ACES (2004), abraçando todos os segmentos econômicos. Renato Siqueira e Dantas (2003-2006) promoveu capacitações e parcerias com o Sebrae, fomentando o empreendedorismo. Olavo Rogério Bastos das Neves (2007-2010) liderou a modernização administrativa, com foco em inovação tecnológica. Alberto Batista de Oliveira (2011-2014) defendeu o agronegócio e o turismo, enquanto César Duarte Ramalheiro (2015-2016) assinou protocolos para a implantação do Distrito Industrial de Santarém – uma conquista épica que, após anos de negociações com governos estadual e federal, seria o embrião do polo para indústrias que estamos em via de iniciar, e que gerará empregos e diversificará a economia local.

José Roberto Branco Ramos, com três biênios (2017-2022), navegou pela pandemia da Covid-19 com resiliência, promovendo lives educativas, campanhas de vacinação e apoio a microempresas. Sua gestão contribuiu muito para o avanço do Distrito Industrial e a criação do embrião do então Centro de Inovação ACES Tapajós (CIAT). Agora, sob Alexandre Augusto Lima Chaves (2023-2024), a ACES inaugurou o CIAT, um hub de tecnologia em parceria com instituições como a UFOPA e o Sebrae, fomentando startups e soluções inovadoras para o agronegócio e o turismo, já preparando a entidade para o futuro. Chaves, com sua equipe dinâmica, continua a defender pautas importantes como a pavimentação completa da BR-163, a regularização fundiária, segurança jurídica e infraestrutura para um ambiente favorável ao investimento privado e ao desenvolvimento sustentável da região.

Não posso deixar de destacar os conselhos que enriquecem nossa entidade. O Conselho da Mulher Empresária (CME), presidido por Rosemary Roselene de Barros Fonseca, tem promovido eventos como o “Mulheres que Inspiram” e capacitações para empreendedoras, com vice-presidentes como Alanna Silva e Maria Betânia Duarte Conrado impulsionando a igualdade de gênero no mundo dos negócios. Já o Conselho de Jovens Empresários (CONJOVE), atualmente liderado por Frederico Ribeiro, organiza missões empresariais e projetos de inovação, com membros como Jefferson Soares de Alcantara preparando a nova geração para os desafios futuros.

Essas conquistas – do aeroporto inicial à energia sustentável, do Distrito Industrial ao CIAT – impactaram profundamente Santarém e o oeste paraense, gerando empregos, melhorando infraestrutura e promovendo sustentabilidade. Depoimentos no livro, como o de José Roberto Branco Ramos, reforçam: “A ACES é uma família unida pelo progresso”. Homenageados como Vicente Malheiros e Manuel Loureiro inspiram-nos a prosseguir.

Aos 81 anos, a ACES segue forte, composta por empreendedores altruístas que dedicam tempo e recursos pelo bem comum. Como diretor, sinto orgulho de fazer parte dessa história e convido empreendedores a se associarem. Que venham mais décadas de lutas vitoriosas, transformando nossa região em um polo de desenvolvimento para todos. Parabéns, ACES!

Fábio Maia é pesquisador em desenvolvimento regional e das questões amazônicas, e é articulista do jornal O Impacto. Escreve semanalmente sobre política, ambientalismo e soberania nacional. Também é autor do livro “O Ambientalismo como Nova Forma de Colonialismo na Amazônia”, que você pode adquirir clicando aqui.

O Impacto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *