A NOVA ARTIMANHA DOS PREFEITOS PARA GANHAREM ELEITORES
Por José Olivar
Os políticos brasileiros sempre exercitaram um ardil para conquistar votos nas eleições. Aliás, essa prática é velha e vem de longos anos, numa desfaçatez sem igual. Quem não lembra dos “currais” eleitoreiros dos grandes coronéis do Nordeste, latifundiários do passado, os quais praticamente obrigavam os ocupantes de suas vastas áreas de terra a votarem em quem indicassem, desde candidatos a presidente, governadores, deputados, vereadores e prefeito.
O tempo passou, a política evoluiu, mas o coronelismo de hoje é bem mais moderno, seguindo, a grosso modo, aquilo que o Império Romano, por seus imperadores, pregava: deem espetáculo e divertimento que o povo sempre os apoiará.
Atualmente, virou moda prefeitos darem festas em datas especiais, contratando grandes artistas para apresentação ao povão, como acontece nas comemorações de passagem de ano, no carnaval ou no aniversário de cada cidade. Em Santarém, o forte dessas apresentações se faz nos réveillons, no aniversário da cidade e no Sairé.
Tudo seria mil maravilhas se os prefeitos cuidassem com a mesma abnegação dos hospitais e postos de saúde, dos buracos nas vias públicas, da insegurança (botando suas guardas municipais nas ruas — Santarém nem tem), se reduzissem impostos e cuidassem melhor dos bens e serviços públicos.
O problema é que as festas e apresentações mirabolantes são espetáculos que se tornaram moda em quase todos os municípios brasileiros, a ponto de já haver um deputado com projeto de lei pronto para proibir a farra com o dinheiro público em algo que não gera segurança, não gera atos de saúde pública, não gera educação, não gera bons atos de gestão. Os únicos resultados, pode-se dizer, são: gastos altos de dinheiro público (o povão nem sabe que as altas somas em dinheiro pagas por essas apresentações musicais e promovidas pelos prefeitos são farras com nossos impostos); e que o fim maior dessa pirotecnia é angariar sua simpatia, conseguir seu apoio ao gestor e, consequentemente, seu voto.
Preste atenção e verá que no país inteiro são só shows nos finais de ano — antes não era tão flagrante — e também, dependendo da cidade, nas datas mais festivas de cada município, principalmente, agora no carnaval
Quase todos — com raras exceções — tiram vantagem dessas contratações, contabilizando um valor maior do que efetivamente pagaram. E a diferença tem sempre um caminho certo. Como os shows giram em torno de oitocentos mil a meio milhão, 20% disso representa muita coisa. Todo mundo sabe que, em vários municípios, o Ministério Público interveio e proibiu judicialmente tais eventos ou fiscalizou de perto os fins do dinheiro público.
Não são todas as cidades que os gestores se locupletam com atos de concussão (exigir vantagem econômica), mas muitas ESTÃO UNINDO O ÚTIL AO AGRADÁVEL.
O Impacto


