MATO, LIXO E ABRIGO PARA USUÁRIOS DE DROGAS: TERRENO ABANDONADO EXPÕE MORADORES A RISCOS

O  terreno abandonado localizado na Haroldo Veloso entre Turiano Meira e Curuá-Una no bairro Interventoria, em Santarém, expõe moradores a riscos, principalmente, por está tomado pelo mato e ser abrigo de usuário de entorpecentes, inclusive, a área foi palco de um crime bárbaro registrado há mais de 10 dias. O idoso Sebastião Braga, de 67 anos, foi morto por suspeitos que estavam interessados em sua aposentadoria e ainda teve parte do corpo cortado, além de ser carbonizado.

 Acesse o canal de O Impacto no WhatsApp

Embora o crime tenha causado comoção popular e ter levantado debates da opinião pública sobre o destino adequado da área que atualmente pertence à UNIÃO, nenhuma medida a respeito foi tomada.

A reportagem da TV Impacto foi até o local e constatou que o espaço ainda continua sendo utilizado para descarte irregular de lixos domésticos gerados em casas, além de pneus, sofás, geladeiras, ventiladores sem utilidades, entre outros.

O espaço é também abrigo de moradores em situação de rua, pessoas usuárias de entorpecentes, que em alguns casos praticam ações criminosas para manter o vício. Moradores relataram a nossa equipe que vivem em temor constante, devido às tentativas de invasões de residências nas proximidades e presença de pessoas que comercializam substâncias ilícitas a esse público, que ficam no terreno.

Um morador,que preferiu não se identificar, relatou detalhes da situação que vivencia ao longo de mais de 20 anos residindo nas proximidades. “Eu moro próximo desse terreno aqui há uns 22 anos, e desde que eu conheço essa área ela nunca foi melhor que isso. Sempre foi um espaço onde é depositado lixo, o pessoal descarta animais mortos aqui.No período de inverno, é o matagal, e quando chega o verão, tem uns desocupados que tacam fogo na vegetação seca.  Os órgãos competentes nunca fizeram nada para melhorar.  Já teve um tempo que tinha um campinho de futebol, mas foi a própria comunidade, o pessoal aqui próximo que fez, mas depois abandonou”, disse.

Conforme alegou o morador, fazem cerca de uns 6 anos que o terreno foi ocupado por um grupo de pessoas e o crime de latrocínio contra o idoso,ocorrido no último dia 9 de fevereiro, já era previsto de acontecer.

“Porque tinha um grupo de elementos muito grande que frequentava aqui, e tinha uns 4 ou 5 até morando nessa área. Então, já era previsto que isso ia acontecer com alguém.E se a polícia investigar direitinho é capaz de encontrar mais coisas aqui dentro, porque é uma área grande, bastante mato, e se torna perigoso na questão de segurança”, afirmou.

No entanto, o acúmulo de lixo é algo que impressiona outra moradora a qual também preferiu preservar sua identidade.Ela nos contou que toda semana existe uma pessoa que em plena luz do dia vai com uma carroça carregada de entulhos para despejar na área. E isso se tornou constante e até considerado ‘normal’ para quem flagra a situação, pois não existe nada que inibe essas práticas.

Outro morador revela que o lixo não é somente despejado por pessoas de outros bairros, mas pela própria vizinhança, que acaba colaborando com os resíduos os quais entopem galerias e assim provoca grandes alagamentos.

 “Mesmo tendo a coleta de lixo regular, que aqui é nas terças, quintas e sábados, todos os dias você vê pessoas jogando lixo aqui, nessa área.  E quando chove é a mesma coisa, o lixo desce, entope as galerias ali, alaga aquela área do mercadinho da Prainha, e torna aquele caos total”.

Por fim, os populares da região destacaram a falta de interesse dos órgãos competentes em mudar essa realidade e sugeriram o que poderia ser feito.

“E é isso, enquanto as autoridades, a prefeitura ou alguém que é responsável por essa área não tomar uma providência para limpar ela, manter ela limpa, vai continuar essa mesma novela.Todo ano a mesma coisa. Alguns que faziam furtos também na área se escondiam aqui para fugir da polícia. A minha sugestão é mantendo ela limpa, fizesse campo, uma área que as pessoas pudessem fazer caminhadas, fazer atividades físicas. Tem muita coisa que dá para fazer com essa área, que é muito grande e útil. Agora só falta boa vontade de quem é responsável por ela”.

Terreno abandonado

O terreno já não está mais sob responsabilidade do 8º Batalhão de Engenharia de Construção (8º BEC). A área foi repassada à Secretaria do Patrimônio da União (SPU), órgão do Governo Federal responsável pela gestão de bens públicos federais.

Atualmente, parte da antiga área administrada pelo batalhão militar já está ocupada por instituições públicas, como a Justiça, o Ministério Público (MP), o Instituto Federal do Pará (IFPA) e o CEPES. Esses órgãos utilizam trechos que passaram por destinação formal após a devolução do espaço à União.

Contudo, ainda existe uma extensa área sem construções dentro desse perímetro. Por se tratar de um terreno federal sob responsabilidade da SPU, qualquer uso, ocupação ou intervenção na área depende de autorização do órgão gestor.

O espaço considerado estratégico por estar situado em uma região urbana importante de Santarém, próximo as vias de grande circulação e a instituições públicas.

Nossa equipe de reportagem deixa o espaço aberto para posicionamento dos órgãos público se, dessa forma, seja possível dar uma resposta à sociedade que há anos sofre com o local que serve para mato, acúmulo de lixo, moradia de pessoas em situação de rua, esconderijo para criminosos e ‘cemitério’ de animais mortos.

Leia também:

Idoso é morto e tem corpo carbonizado em Santarém

Caso Sabá: Polícia Civil indicia quinteto por crime que chocou Santarém

Por Diene Moura

O Impacto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *