TERRAS CAÍDAS: DECRETADA EMERGÊNCIA NO QUILOMBO DO ARAPEMÃ
O fenômeno de terras caídas no Quilombo do Arapemã já ocasionou danos materiais expressivos, afetando moradias, bens das famílias, infraestrutura comunitária e áreas produtivas”, assim declarou o coordenador municipal da Defesa Civil (COMDEC), Darlisson Maia.
Acesse o canal de O Impacto no WhatsApp
Para ele, a situação trata-se de um cenário de risco elevado e contínuo, que torna inviável a permanência da população nas áreas atingidas, sendo imprescindível a adoção de providências urgentes por parte do poder público.
Como resultado de visitas técnicas e monitoramento da área, a Prefeitura de Santarém decretou situação de emergência no Quilombo do Arapemã, localizado na região de várzea, em razão do avanço do processo de erosão da margem fluvial.
Atualmente composta por 100 famílias, a comunidade tem como principal meio de subsistência o programa Bolsa Família, além da pesca artesanal. O fenômeno cada vez mais se aproxima das moradias, construídas predominantemente em madeira, o que vem aumentando significativamente a vulnerabilidade das famílias.
Darlisson Maia explicou que a erosão fluvial é um fenômeno natural associado à dinâmica dos cursos d’água, caracterizado pelo desgaste progressivo das margens e do leito do rio.
Esse processo pode provocar instabilidade do solo, desmoronamentos e o fenômeno conhecido regionalmente como “terras caídas”, especialmente, em áreas ribeirinhas.
“Durante a inspeção em campo, a equipe realizou levantamento métrico e a caracterização do talude marginal, confirmando que a erosão se encontra em estágio acelerado”, disse Maia, acrescentando:
“As medições in loco demonstraram que diversas unidades habitacionais apresentam vulnerabilidade crítica, situando-se a aproximadamente 30 metros da margem do Rio Amazonas”, detalhou o coordenador”.

Durante a inspeção, foi constatado ainda que a comunidade não dispõe mais de espaço para o recuo das residências, já que o território está comprimido entre o avanço do Rio Amazonas e a proximidade com o Lago do Carobal.
A continuidade do fenômeno – que ocorre de forma contínua e progressiva desde 2022 -, representa risco iminente de danos materiais severos e ameaça direta à integridade física e à vida dos moradores.
Inclusive, foram diagnosticados danos a áreas produtivas, plantações permanentes e temporárias, afetando diretamente a segurança alimentar e a dignidade das famílias.
Devido ao cenário dramático, foi recomendado o monitoramento contínuo das fendas identificadas, além da articulação imediata entre órgãos municipais e estaduais para a gestão das áreas de risco e a adoção de medidas de proteção às famílias atingidas.
Remanejamento dos moradores
À reportagem, Darlisson Maia informou que foi definido em reunião com a Comunidade, INCRA e a Prefeitura, de que não tem mais condições dos moradores permanecerem na área.
Não pelo fato de as casas terem sido atingidas, mas porque, entre 2024 e 2025, uma área de restinga de cerca de 300 metros que servia de proteção, hoje, quase não existe.
O decreto de emergência foi protocolado junto ao Governo Estadual e Governo Federal, e está sob análise. O objetivo é conseguir recursos para viabilizar a construção de infraestrutura, tais como abertura de ramais, ruas e construção de microssistema de água no local para onde as famílias serão remanejadas, que fica no Quilombo Bom Jardim.
Referente a construção de moradias e a viabilização do remanejamento das famílias do Quilombo Arapemã, deverá ficar a cargo do Incra. (com informações da PMS)
O Impacto


