MORADORES DO JUÁ DENUNCIAM IGREJA POR OCUPAR ÁREA PERTENCENTE À ASSOCIAÇÃO
Moradores do Juá acionaram nossa equipe de reportagem para denunciar uma igreja católica que supostamente teria ocupado a área destinada à construção da associação do bairro. As lideranças cobram uma resposta imediata, pois, segundo eles, pretendem construir na sede um local apropriado para atendimento médico, já que atualmente utilizam a feira da localidade, além de residências dos próprios associados para se reunirem. Embora já exista um terreno para construção da Unidade Básica de Saúde (UBS), ainda não há previsão de entrega.
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Uma das lideranças do bairro, identificada como Margareth, detalhou para as repórteres Wandra Trindade e Diene Moura que, desde quando ocuparam a área do Juá, foi alinhado que deixassem terrenos para a construção de logradouros públicos.
“Nós doamos o terreno para a igreja católica. Inclusive, estamos aqui com a Ata de Constituição, onde consta tudo direitinho detalhado. E o terreno da referida instituição ficou com 62 de frente por 82 de fundo. Porém, de repente, nós nos deparamos com uma situação que nos deixou muito sofridos, porque a área da associação, além de ser um lugar que nós deixamos para fazer a sede, estamos com uma precisão muito grande pela prioridade da saúde e fazer a estrutura aqui, para que a gente possa atender a saúde até que a UBS fique pronta, seria um dos maiores objetivos. Quando nós realmente tivemos a surpresa de chegar e nos deparar com uma construção da igreja católica, dizendo ser autorizado pela diocese”, afirmou.
De acordo com Margareth, a área delimitada para construção da igreja e da sede da associação foi articulada com o líder católico, que na época chegava ao bairro.
“Inclusive, a área da igreja começou com o nosso grupo de mulheres, que faziam as celebrações e trouxeram essa força da igreja católica para cá. Quando o padre Arilson chegou e, ele que assumiu como líder católico, foi para ele que nós entregamos a documentação, ata de constituição, o CNPJ da nossa associação, tudo foi feito perante uma reunião, em assembleia”.
A liderança explicou ainda que eles tentaram buscar diálogo com a diocese para que tentassem reverter a situação, mas não obtiveram êxito.
“Logo de imediato nós procuramos a própria diocese, ou seja, nós fomos atrás do arcebispo, porém ele estava ocupado, não nos recebeu e o advogado da diocese, um deles, conversou conosco. Nós apresentamos a reclamação sobre o que estava acontecendo, entretanto, nada foi feito. Nós procuramos o Ministério Público e a doutora Simone, para que nos acompanhasse nesse ato jurídico, e que nós possamos hoje vir através de vocês fazer o apelo. A comunidade em si, ela precisa do lugar e ter a sua sede”.
O conflito pelo terreno ocorre há mais de três meses e conforme explicou a reportagem também não houve procura por parte da diocese com a finalidade de chegarem a um acordo. “Nada foi respondido, nem nos procuraram, para que a gente pudesse sentar e conversar, só apenas eles insistem em ficar na posse dessa terra que não pertence à igreja”, ressaltou a moradora Margareth.
Atendimento de saúde e sede da associação
Margareth explicou que os moradores recebem o atendimento de saúde no local onde tem a estrutura de uma feira, além de que a associação trabalha de maneira ‘emprestada’, sem local fixo. Por este motivo, tem o intuito de obter a área para construir a associação e assim destinar um espaço para atendimento de saúde. Esclareceu também que há pessoas as quais precisam e tem a opção de buscar atendimento de saúde mais distante, mas para que isso ocorra é necessário se deslocar até às UBSs do bairro Salvação ou até mesmo na Conquista.
“Que realmente seja retornado para nós à área que pertence à associação, porque é certo e de direito, primeiro que nós não podemos ficar sem o espaço, e segundo, se cada um já tem o seu espaço, que se conforme com o que tem e não tire o que não é seu”, concluiu.
Atualmente, a associação conta com 5 mil cadastrados que residem no bairro, além de um grupo denominado ‘Mulheres em Ação’, que integram cerca de 40 membros que realizam atividades de interesse do comunitários.
A outra liderança, identificada como Saíde Santos, se sentiu injustiçada e esclareceu que esteve a frente do movimento que ajudou a limpar o terreno escolhido para a construção da igreja e da sede.
“Sou uma das componentes do Movimento de Mulheres, inclusive, trabalhei na igreja, nós entregamos, fomos nós que fundamos a igreja, nós mulheres, e nós capinamos aqui. Minha mão ficou calejada de tanto trabalhar aqui, entregamos para a igreja tudo limpinho e eles alegam que só por isso eles têm que tomar conta. Mas não é assim, nós temos que valorizar o trabalho de outros também, que começaram. É verdade que ficou cada pedacinho para cada setor, e foi repartido. Então, esse é direito nosso, do povo, de todos nós”.
Dona Saíde apelou por uma resposta do poder público argumentando que trabalharam arduamente para capinar e deixar o espaço limpo para construção da sede.
“Nós comunitários temos o direito de ter nossa sede também. Não é só outros órgãos, mas a sede também tem que ter aqui. E nós vamos ficar como? Onde? Na casa da Margareth? Ali? Aí vai e empresta, então, aluga? Se todo o bairro não tem a sua sede, nós temos, deixamos, inclusive, todas as áreas comunitárias deixamos. Desde 2009, foi trabalhado isso, todos os espaços da nossa comunidade”, relatou.
A integrante do movimento ‘Mulheres em Ação’ alegou ainda que muitos terrenos foram tomados e restou apenas esse que agora é ocupado pela igreja católica. Por fim, questionou o posicionamento da Justiça em apoiar quem realmente precisa.
“Que dê nossos direitos, porque nós, como moradores, esperamos uma atitude da justiça, pois tem que apoiar o povo, com nossos direitos. Não é para isso que a justiça existe? Então, nós esperamos isso! Como vamos acreditar nessa justiça aqui no Brasil? Como está acontecendo em todo o Brasil! A justiça nunca dá o direito para quem tem. É isso que nós esperamos, o nosso direito como morador. Porque nós fizemos uma luta aqui. Isso é uma luta nossa. Então, esse é o nosso direito de ter nossa sede aqui dentro, como morador, como cidadão, como pessoas. E esse respeito nós merecemos, como lutadores.
O espaço segue aberto para posicionamento da igreja São Jorge e demais citados na reportagem.
Por Diene Moura
O Impacto


