PROJETO “TRADIÇÃO E INOVAÇÃO – BIOJOIAS DA AMAZÔNIA” CAPACITA MULHERES EM SANTARÉM E FORTALECE A SOCIOBIOECONOMIA

Oficinas gratuitas reuniram 16 mulheres, unindo tradição artesanal, design sustentável e circulação cultural pelo Pará

Das sementes da floresta nasceram novas possibilidades. Nos dias 27 e 28 de fevereiro, 16 mulheres do Residencial Salvação participaram do projeto “Tradição e Inovação – Biojoias da Amazônia”, uma imersão formativa que transformou insumos da biodiversidade em colares, brincos e pulseiras carregados de identidade cultural.

Realizadas no Espaço da SEMDEC, as oficinas integraram a programação do projeto aprovado no Edital de Circulação da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), realizado pelo Governo do Estado do Pará, por meio da Secretaria de Cultura. A iniciativa conta com a parceria do Ponto de Cultura Coletivo Nunghara, ampliando a articulação entre cultura, formação e fortalecimento do setor criativo na região.

Durante 2 dias de formação intensiva, as participantes aprenderam técnicas de criação e montagem de biojoias a partir de sementes amazônicas, explorando não apenas o aspecto estético, mas também o valor simbólico e sustentável das peças. Todos os materiais foram fornecidos gratuitamente, além de transporte e alimentação, garantindo inclusão e acesso à formação cultural.

A proposta vai além do aprendizado técnico. Ao unir tradição artesanal e inovação em design, o projeto reafirma as biojoias como expressão contemporânea da Amazônia, peças que carregam território, memória e biodiversidade.

A culminância da formação será a exposição pública das peças produzidas, marcada para os dias 2, 3 e 4 de março, no Centro de Artesanato Cristo Rei, espaço tradicional de valorização da produção local.

O projeto já havia demonstrado seu potencial durante o período do Sairé, quando promoveu desfile e lançamento de coleções de cinco marcas regionais, com cerca de 80 peças exclusivas apresentadas ao público. A iniciativa consolidou a proposta de dar visibilidade ao trabalho de mulheres e comunidades que transformam elementos naturais da floresta em design autoral.

Para a produtora cultural e proponente Bruna Jaqueline Sousa, a ação fortalece cadeias produtivas sustentáveis e amplia o protagonismo feminino na cultura amazônica. “As biojoias são mais do que acessórios. Elas representam identidade, pertencimento e valorização do nosso território. Ao oferecer formação e criar espaços de circulação, fortalecemos a cultura e estimulamos novas possibilidades para essas mulheres”, afirma.

Entre as alunas, o impacto foi imediato. Raissa Cunha, participante da oficina, destacou a experiência como transformadora. “Eu nunca tinha trabalhado com biojoias. Aprender a transformar sementes em peças bonitas me fez enxergar a floresta de outra forma. Hoje eu vejo que posso criar algo com significado”, relata.

A circulação do projeto segue agora para Rurópolis, entre os dias 13 e 15 de março, onde 15 mulheres participarão gratuitamente de nova edição com oficinas e exposição das peças produzidas. A expansão reforça o compromisso com a descentralização das políticas culturais e com o fortalecimento da economia criativa no interior do Pará.

O Impacto

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