SANTARÉM E A GRANDE CHANCE

Por Anderson Dezincourt

Santarém do Tapajós, em 22/06/2026, completará 365 anos de fundação.

É uma cidade privilegiada por dois grandes rios — Tapajós e Amazonas — que formam, bem à sua frente, o espetacular Encontro das Águas.

Mais ainda: possui um vasto e invejável manancial hídrico, com diversos igarapés, dezenas de nascentes, lagos, o belíssimo rio Arapiuns e tantas outras maravilhas. Tudo isso aliado a uma extensa e exuberante cobertura vegetal, praias que nos tiram o fôlego e um povo extremamente acolhedor.

E vamos completar 365 anos sem dar, ao menos no meu humilde entendimento, a devida atenção e o cuidado que esse verdadeiro “presente” divino merece.

É vergonhoso ainda despejarmos esgoto em nossos rios, igarapés e demais cursos d’água.

É vergonhoso termos toda a nossa orla imunda, tomada por mato, lixo e enormes bocas de esgoto que, há décadas, despejam águas servidas vinte e quatro horas por dia.

Nas campanhas políticas, todos os candidatos conhecem os problemas do município e, principalmente, dizem conhecer as soluções. Falam em parcerias, em captação de recursos e em experiência acumulada por dez, vinte, trinta ou quarenta anos no poder, como se isso fosse garantia de solução para todos os males.

Mas, uma vez eleitos, desaparecem.

Não andam mais pela cidade, vilas e comunidades. Não percorrem as ruas. Não visitam os bairros. Não falam mais com as pessoas, que antes eram eleitores. E os problemas, em vez de diminuírem, só aumentam.

As ruas transformam-se em crateras; a falta de água nas torneiras torna-se rotina; o mato cresce de forma desordenada; as chuvas destroem casas e ampliam o sofrimento de muitas famílias. Enfim, prefeito, vereadores, secretários e demais “aliados” desaparecem do mapa, amparados por cargos, sinecuras e pelo velho empreguismo.

E, se alguém ousa ir à prefeitura em busca de uma dessas “autoridades”, depara-se com um verdadeiro cordão de isolamento burocrático, onde, não raro, intermediários se comportam como se fossem mais autoridade do que as próprias autoridades.

Como costumo dizer: imprensa comprada não é imprensa livre. É apenas uma fração da voz do povo silenciada pela força do dinheiro.

Apesar do tom crítico, deixo aqui uma sugestão construtiva.

Acompanho, nas redes sociais, iniciativas como o “Descarte Consciente”, que orientam sobre o destino adequado de medicamentos vencidos. Nesse sentido, seria de grande utilidade que a Prefeitura criasse, em seu site, espaços informativos claros e acessíveis.

Hoje, por exemplo, não se encontra, nem no site oficial nem por telefone, orientação sobre o descarte de lixo eletrônico ou de equipamentos inutilizados — como celulares, impressoras, máquinas de lavar, geladeiras ou micro-ondas. Em recente contato, fui informado de que sequer existe esse tipo de informação nos canais oficiais.

Fica, portanto, a sugestão: que o município disponibilize essas orientações e crie, também, um canal permanente para sugestões e reclamações da população. Afinal, os gestores públicos administram bens que pertencem ao povo.

Mas, retomando a análise crítica, outubro de 2026 trará eleições.

E adivinhem quem reaparecerá? Exatamente: os mesmos políticos e seus aliados, hoje acomodados em cargos públicos, ressurgirão com as velhas promessas.

Em junho, mês de aniversário da cidade, obras serão inauguradas às pressas; a água voltará às torneiras; operações tapa-buracos surgirão em todos os cantos; ruas serão asfaltadas até de madrugada — como já vimos em 2024. As calçadas serão pintadas, e a cidade, enfim, será maquiada.

Que bom seria se escolhêssemos novos representantes.

Em outubro de 2026, teremos uma grande oportunidade: romper com ciclos de atraso e construir um novo tempo para Santarém.

Depende de nós.

A escolha que fizermos nos manterá no atraso — ou nos conduzirá ao progresso.

O Impacto

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