UM NOVO ROSTO NA POLÍTICA PARAENSE

Nesta semana, em entrevista à TV Impacto, a advogada, professora e mãe atípica Neyla Braga compartilhou detalhes de sua trajetória pessoal, as motivações que a levaram a atuar na linha de frente de projetos sociais e, agora, como pré-candidata ao cargo de deputada estadual.

Com 18 anos de dedicação à comunidade, Neyla destaca que sua atuação é movida pelo conhecimento direto das carências da população. Acompanhe:

TV Impacto: Quem é Neyla Braga e qual sua trajetória profissional e pessoal?

Neyla Braga: Neyla Braga é uma pessoa combativa por natureza. Uma pessoa que é atrevida quando é necessário ser. Se tiver que virar uma onça para defender os direitos dos meus, eu vou virar.  Mas também sou entusiasta de projetos sociais, tanto é que acumulo vários projetos ao longo da minha vida. Eu também sou mãe de duas crianças com autismo. Sou esposa de um marido excelente e ótimo pai.  Sou professora de história e advogada. Mas, acima de tudo, eu costumo dizer que eu sou uma pessoa muito humana. Ainda não perdi a minha humanidade.  Porque a gente percebe que todos nós somos humanos, porém muita gente já perdeu essa humanidade. E eu também sou muito da caridade. São 18 anos voltados para o próximo.  Então, a minha família, eu venho de uma família muito caridosa, e isso é muito intrínseco na minha personalidade.

TV Impacto: No dia 2 de abril, é marcado pela conscientização do autismo. Qual é a importância de falar sobre o tema?  E como a sociedade pode se engajar para apoiar crianças e famílias atípicas?

Neyla Braga: É importante falar sobre o tema, mas não só no dia 2. É necessário falar no decorrer do ano todo, em todo o período. O dia 2 é muito vago, porque ele não é para se dar parabéns, não é para se comemorar como as pessoas acreditam. Até porque não tem o que se comemorar, tendo em vista as longas filas de espera; uma mãe que espera 2, 3 anos por um médico especialista em neurodesenvolvimento. Famílias que esperam por uma terapia, fonoaudióloga, por T.O. Então, é caótico, triste e lamentável.

Realmente, não há o que se comemorar, até porque o intuito do dia de fato não é comemoração, e estamos longe disso, porém é conscientizar. A gente usa esse dia, ressalto que não deveria ser só o dia 2, para conscientizar a população. Os pais que estão chegando agora, os quais precisam também dessa conscientização, mas a população de um modo geral.

No dia 2, o Instagram vai estar cheio de gente postando, tirando foto com pessoas com autismo, fazendo declaração, contudo, me soa um pouco falso.  Pois, nos outros dias, você não tem empatia, olha com aquele olhar preconceituoso para uma mãe. Não entende aquela mãe e chama ela de surtada. Enfim, de fato, soa falso olhar para o Instagram e ver que é só aquele dia, e no decorrer do ano nada é feito.

Então, acredito que não deveria ser restrito ao dia 2. E que, de fato, as pessoas deveriam colocar em prática o que elas falam nas redes sociais. Porque a gente precisa de prática e não de teoria. Essa conscientização tem que se estender mais, não só sobre a questão do autismo em si ou das crianças que têm o autismo, mas é sobre a mãe, por exemplo.

A mãe que já foi abandonada pelo marido, que já foi abandonada pelo Estado. A mãe a qual possivelmente não tem aquele acolhimento de amigos, porque os amigos vão embora, são poucos os que ficam.  Na maioria das mães, elas são mães atípicas, porém são mães solos, visto que 80% dos maridos abandonam essa mãe e a criança no primeiro ano do diagnóstico.

Então, se tem que ter uma conscientização e que ir além do que é o autismo. Ela tem que perpassar pelos problemas que o autismo traz para a sociedade. Porque, na maioria das vezes, faz uma caminhada, mas o objetivo final foi atingido? Você foi conscientizada? O seu coração foi tocado? Porque, na maioria das vezes, se o problema não é meu, não me interesso.  Então, as pessoas que não têm uma criança com autismo na família, normalmente não têm essa consciência.

Eu acho louvável a caminhada, entretanto, não vejo de que modo isso vai trazer uma consciência para as pessoas. Mas eu acredito que a consciência de palestras, não só no dia 2, porém deveria ter todo mês, nas escolas, para os pais. Ver outros mecanismos de efetivamente essa consciência acontecer.

TV Impacto: Você é idealizadora de um projeto chamado ‘Mãos que Transformam’. Como surgiu o projeto e de que forma ele funciona na prática?

Neyla Braga: Ele surgiu realmente de uma dor. Eu sou mãe atípica, tenho dois filhos com autismo, um deles tinha características muito fortes, já indo do nível 2 para o 3. Onde eu apanhava dele três, quatro vezes ao dia, pois ele tinha crises, se machucava e me machucava.Não que ele quisesse, mas porque não tinha domínio das emoções dele. E o meu outro filho também passou por questões sérias de saúde ligadas ao autismo.

Então, foi um momento muito difícil das nossas vidas. Mas quando Deus permitiu que ele tivesse uma melhora, eu decidi que sairia para servir ao meu Deus. E foi quando eu pensei em levar consultas para aquelas mães que não conseguiam pagar. Eu comecei com 10 consultas, que era o que eu e algumas amigas conseguia arcar. Depois, Deus foi abençoando, nós aumentamos para 15. Em seguida, eu fiquei só no projeto, com a ajuda de alguns parceiros, aumentamos para 20. Hoje, a gente consegue atender 35 mães todo mês. Mas a gente leva para aquelas mães que são vulneráveis financeiramente, que não têm condições de pagar uma consulta do neuropediatra para o seu filho, que apresenta risco para o autismo.

E a gente resolveu atender também aquela mãe porque ninguém cuida de quem cuida.  Então, resolvemos dar uma assistência para a mãe com psicólogo, corte de cabelo, escova, sobrancelha, cílios e manicure. A gente resolveu também elevar aquela autoestima da mãe e estendemos para o resto da família. A gente leva fisioterapia, fonoaudiólogo, hemograma completo, aferição de pressão. É um projeto muito grande e lindo.

Ao mesmo tempo é um projeto que transforma a vida, porque não transforma só a vida daquela criança, mas vai impactar também diretamente toda a família e a comunidade. Ele surgiu de uma dor, que acabou se transformando em amor, e a gente está nessa. Então, todo mês a gente vai para uma cidade diferente, já fomos por Monte Alegre, Prainha, Santarém, Belterra e Rurópolis. Mês que vem vamos estar em Almerim. E a gente já segue com dois anos e meio mais ou menos de projeto, pois a gente está no trecho, levando não só consultas, mas dignidade para essas famílias e essas crianças.

TV Impacto: O que te motivou a ser uma pré-candidata estadual?

Neyla Braga: O povo me motivou. São 18 anos de um servir, que eu sirvo a minha comunidade. E eu conheço os anseios, as ausências e as mazelas sociais. Eu conheço porque eu convivo há 18 anos, servindo a população sem nunca ter exercido cargo político nenhum. Então, o que me motivou foi o povo.

Hoje, a gente percebe que o Brasil se transformou em um grande torcedor. Torce por alguns políticos, por alguns partidos. Mas o que realmente importa é o povo, e esse tem sido deixado em segundo plano. O Brasil deixou de defender o povo para defender alguns partidos de estimação, alguns políticos de estimação. O país está tomado por políticos corruptos, por bandidos que realmente estão respondendo a crimes. Então, é por conta desses políticos corruptos que o Brasil não avança. Vê as nossas estradas, estão caóticas. A nossa saúde é triste e lastimável. A educação. Por quê? Porque verbas que deveriam ser destinadas para o povo  encontram um político corrupto no meio do caminho. E quem sofre? O povo. Somos nós. Por isso, a minha motivação é o povo.

TV Impacto: Para finalizar, deixe uma mensagem de motivação e inspiração, especialmente, para aquelas famílias, que enfrentam desafios com crianças atípicas.

Neyla Braga: Eu sei que não é fácil. E tem muitos dias que eu também sei que você pensa em acabar com tudo. Dobre seus joelhos e peça a Deus. Clame por Ele. Porque tudo que a gente pede com muita fé, ele atende. Então, não perca sua fé jamais!  Só Ele, é tudo para Ele e se Ele quiser, Ele vai transformar. Por mais que o médico dos homens diga: olha, não tem jeito. Mas o nosso médico superior é Deus. Não perca a fé.

Por Diene Moura

O Impacto

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