INQUÉRITO APURA SUPOSTO DESVIO DE R$ 15 MILHÕES DE RECURSOS DE COMPENSAÇÕES AMBIENTAIS
Denúncia cita “projetos de fomento” que teriam recebido verbas as quais deveriam ser destinadas pelo Ideflor-Bio a Unidades de Conservação no Pará
O Ministério Público do Estado do Pará (MPPA), por meio da 1ª Promotoria de Justiça de Tutela das Fundações Privadas e Associações de Interesse Social, oficializou a abertura de um Inquérito Civil para investigar um suposto esquema de corrupção e desvio de aproximadamente R$ 15 milhões em recursos públicos.
O montante, oriundo de compensações ambientais, deveria ser aplicado na gestão de Unidades de Conservação (UCs) pelo Instituto de Desenvolvimento Florestal e da Biodiversidade (Ideflor-Bio), mas teria sido drenado para entidades privadas sem fins lucrativos através de projetos de fomento sem execução comprovada.
A investigação, formalizada pelo promotor Sávio Rui Brabo de Araújo através de despacho assinado em 19 de março de 2026, é o desdobramento de uma denúncia protocolada em março de 2025. Segundo os documentos, o esquema teria ganhado força em 2024 — ano eleitoral — quando o Ideflor-Bio adotou procedimentos de credenciamento de instituições para a formalização de contratos de projetos de fomento.
De acordo com a denúncia que originou o caso, tais instituições seriam, em sua maioria, “fantasmas”, recebendo valores exorbitantes sem nunca terem atuado nas frentes de conservação ambiental.
O Ministério Público aponta que a natureza e a gravidade dos fatos exigem diligências investigatórias aprofundadas. O Procedimento Preparatório anterior, que tinha prazo de 90 dias, foi considerado insuficiente para a “completa elucidação dos fatos”, o que motivou a conversão para Inquérito Civil.
O objetivo agora é identificar e qualificar todos os envolvidos para avaliar o ajuizamento de uma futura Ação Civil Pública.
O “Modus Operandi” e os envolvidos
A denúncia inicial detalha que as tratativas teriam sido orquestradas por altos escalões do órgão ambiental.
O esquema operaria à revelia dos gerentes das Unidades de Conservação — os gestores diretos dos recursos por lei —, que não estariam cientes das manobras financeiras.
Segundo o relato, os projetos eram pagos, mas as execuções eram inexistentes no campo. A lista de entidades sob investigação é extensa e inclui o Instituto de Desenvolvimento Social da Amazônia, Instituto Comunidade Viva, Associação Beneficente São Carlos do Brasil e o Instituto Moradores Educar e Ajudar (IMEA), entre outros.
Lavagem de dinheiro
A suspeita de lavagem de dinheiro também permeia o caso. Relatórios indicam que, mesmo em 2025, pagamentos referentes a projetos iniciados em 2024 continuavam sendo executados.
O MPPA baseia sua decisão de aprofundar a investigação na necessidade de coletar “elementos robustos de informação e prova”, conforme as Resoluções do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP).
Se confirmadas as irregularidades, os envolvidos podem responder por improbidade administrativa e crimes contra o patrimônio público, além do impacto ambiental direto pela não aplicação dos recursos na preservação das florestas do Pará.
Por Baía
O Impacto


