SEU VOTO, SUA REGIÃO: COMO ESCOLHER BEM UM DEPUTADO EM 2026
Por Fábio Maia – Consultor Político
Começo hoje esta coluna com uma pergunta simples, mas que merece uma resposta honesta: você sabe, de verdade, o que faz um deputado estadual ou federal?
A maioria dos eleitores responde “não” ou, na melhor das hipóteses, dá uma resposta vaga. E isso não é culpa do eleitor — é reflexo de décadas de política feita nas costas das pessoas, longe das suas realidades. Meu objetivo aqui, neste espaço dominical, é justamente mudar isso: trazer análises claras, linguagem acessível e informação útil para que você, ao chegar na urna em outubro de 2026, faça uma escolha consciente. Não uma escolha por impulso, por nome bonito no rádio ou por promessa de último minuto.
Vamos começar pelo básico.
O que é, afinal, um deputado?
O deputado estadual legisla na Assembleia Legislativa do Pará (Alepa). Ele aprova leis estaduais, fiscaliza o governo do estado e — ponto fundamental para nossa região — tem papel direto na destinação de emendas orçamentárias para municípios. Em linguagem direta: é ele quem pode garantir uma ambulância para um posto de saúde de Santarém, uma reforma em uma escola de Óbidos ou uma estrada vicinal em Uruará.
O deputado federal atua no Congresso Nacional, em Brasília. Vota leis federais, fiscaliza o governo federal e também destina emendas parlamentares — agora com regras mais claras após a chamada “emenda pix” ganhar regulamentação. Em termos de recursos, o deputado federal tem capacidade de captar verbas ainda maiores para o seu município e sua região.
Em ambos os casos, a equação é simples: deputado presente traz recurso. Deputado ausente traz discurso.
O problema dos “candidatos paraquedistas”
A cada eleição, o Pará — e em especial o Oeste do estado — recebe uma leva de candidatos que mal conhecem nossa realidade. Nascem em Belém, vivem em Belém, têm seus escritórios, suas redes e seus interesses em Belém. Chegam aqui em julho, agosto, setembro do ano eleitoral, distribuem camisetas, fazem um churrasco, prometem pontes e hospitais, e somem assim que as urnas fecham.
Não estou dizendo que todo candidato de fora é desonesto. Estou dizendo que representação exige presença, vínculo e conhecimento da realidade local. Um candidato que nunca precisou atravessar o Rio Tapajós em uma balsa lotada no verão, que nunca ficou sem médico em um posto de saúde do interior, que nunca dependeu de uma estrada de barro para escoar a produção — esse candidato não vai legislar pela nossa realidade. Ele vai legislar pela dele.
O eleitor do Oeste do Pará precisa entender que eleger alguém da sua região não é bairrismo — é estratégia. É garantir que haja uma voz dentro da Alepa ou do Congresso que conhece Santarém, Alenquer, Óbidos, Monte Alegre, Juruti, Oriximiná e os municípios do Marajó Ocidental não por foto de campanha, mas por vivência real.
Como avaliar um candidato, na prática?
Aqui vão cinco perguntas que todo eleitor deveria fazer antes de decidir seu voto:
- Onde esse candidato mora e trabalha no dia a dia? Não onde ele diz morar em outubro. Onde ele mora em fevereiro, em julho, nos anos que não são de eleição?
- Ele já exerceu algum cargo público? O que entregou? Promessa é fácil. Execução é que diferencia. Pergunte: quais obras foram feitas? Quais leis foram aprovadas? Quais emendas foram destinadas para cá?
- Qual é a estrutura do partido dele no Pará? Isso importa mais do que parece. Um candidato em um partido com bancada forte tem mais poder de negociação e mais chance de garantir recursos. Um candidato em um partido isolado, por mais que prometa, terá dificuldade de entregar.
- Ele tem relação com lideranças da nossa região? Não me refiro a lideranças que aparecem em fotos de campanha. Me refiro a prefeitos, vereadores, associações comunitárias, entidades de classe — gente que conhece o candidato de antes da eleição e pode atestar seu comprometimento.
- Qual é a pauta dele? Turismo sustentável, infraestrutura urbana e fluvial, saúde urbana e no interior, agricultura familiar manual e mecanizada, desenvolvimento do Baixo Amazonas — essas são as pautas da nossa região. Se o candidato não fala delas com profundidade, desconfie.
Por que isso importa agora?
Porque 2026 está mais próximo do que parece. As articulações partidárias já começaram. Os candidatos já estão se movimentando. E o eleitor que espera a propaganda eleitoral começar para prestar atenção costuma chegar tarde para fazer uma análise séria.
Ao longo dos próximos meses, esta coluna vai analisar o cenário eleitoral do Oeste do Pará com dados, contexto e sem demagogia. Vamos falar sobre quem são os candidatos com maior potencial de representar nossa região, como funcionam as alianças partidárias, o que dizem os números eleitorais e quais políticas públicas estão — ou deveriam estar — na pauta dos nossos representantes.
Política não é espetáculo. É gestão. E gestão começa com escolhas certas.
Até domingo que vem.
Fábio Maia é consultor político, com atuação no Oeste do Pará. Escreve aos domingos no Jornal O Impacto.



Parabéns prezado Fábio Maia, pela excelente iniciativa! É preciso uma atuação didática como vc está realizando no sentido de um voto consciente e responsável!
Fábio Maia , sua iniciativa está de parabéns, com suas sábias colocações para o eleitorado do baixo Amazonas principalmente aquele eleitor que mora nas regiões distantes das áreas rurais e que muitas vezes vota pela emoção e isso leva a sérios enganos e problemas em atraso para nossa região!