JK DO POVÃO: O CANDIDATO QUE LIDERA AS PESQUISAS, HERDOU UM VÁCUO ESTRATÉGICO — E PODE SER ELEITO POR ISSO

Por Fábio Maia

Cinco semanas analisando candidatos a deputado federal pelo Oeste do Pará. Hoje a análise se volta para o estadual — e para o nome que mais aparece nas pesquisas locais para a Alepa: JK do Povão, do PL. E agora, com a consolidação da pesquisa Doxa — quatro ondas, 8.000 entrevistas, registro no TRE-PA — ele aparece em 3º lugar entre os novos nomes para deputado estadual em todo o Pará, com 2,33%. O único candidato do Oeste do Pará no top 5 estadual. Ele lidera em Santarém com 17% a 19% das intenções de voto, segundo as pesquisas GPO e Destak. Mas o que os percentuais de pesquisa não contam — e o que esta coluna vai revelar — é que JK pode estar diante de uma janela estratégica muito maior do que parece à primeira vista.

Para entender por quê, é preciso olhar não apenas para quem ele é, mas para o movimento que o partido dele fez nos bastidores.

Quem é JK do Povão

Juscelino Kubitschek chegou ao segundo turno da eleição para prefeito de Santarém em 2024 pelo PL — resultado que ninguém previu e que mostrou a força de um eleitorado que as pesquisas tradicionais tinham dificuldade de capturar. Servidor público, com discurso de proximidade popular e perfil de outsider em relação ao establishment político local, ele ocupa um espaço que a política tradicional deixou vazio: o eleitor descontente com o campo dominante, mas que também não se identifica com as lideranças históricas da oposição.

Sua votação no segundo turno de 2024 foi a evidência mais concreta de que há em Santarém um eleitorado significativo e crescente que não se encaixa nos arranjos políticos tradicionais. Esse eleitorado está disponível para 2026 — e JK é, hoje, o candidato mais bem posicionado para capturá-lo.

O vácuo que o PL criou — e que JK pode preencher

Aqui está o dado que muda toda a análise.

Em 2022, o PL elegeu três deputados estaduais no Pará. O maior deles foi Rogério Barra, com 81.868 votos — o quinto deputado mais votado do estado naquele ciclo, numa primeira candidatura. Os outros dois — Avelino Souza, de Altamira, com 23.230 votos, e Coronel Neil, de Belém, com 22.366 votos — foram eleitos em grande parte arrastados pela votação expressiva de Rogério.

Em março de 2026, o PL anunciou oficialmente: Rogério Barra vai disputar a Câmara Federal. Éder Mauro, seu pai e atual deputado federal, vai ao Senado. Os dois maiores nomes do PL paraense sobem de cargo simultaneamente — e deixam a chapa estadual do partido sem seu principal puxador.

Esse movimento criou um vácuo estratégico na chapa estadual do PL. O partido precisa, urgentemente, de um novo puxador regional que sustente a votação coletiva necessária para garantir vagas na Alepa. E é exatamente aí que JK do Povão se torna uma peça central — não apenas como candidato individual, mas como âncora regional do PL no Oeste do Pará.

Os números que sustentam a tese

Vamos aos dados concretos. O piso real do PL para eleger na Alepa em 2022 foi 22.366 votos — o total de Coronel Neil, o menos votado dos três eleitos. Rogério Barra, com 81.868, foi o motor que puxou os demais. Sem ele, o partido precisa de votos que compensem essa perda.

JK do Povão, com potencial estimado de 40.000 votos apenas em Santarém, seria mais do que Avelino Souza e Coronel Neil somados em 2022. Para ter uma referência de escala: em 2022, Josué Paiva — candidato ao estadual pelo Republicanos — obteve 36.874 votos, sendo eleito. JK está projetado acima desse patamar, e sem a concorrência direta de um candidato do mesmo campo ideológico com base na cidade.

A matemática favorece. Se JK conseguir 40.000 votos em Santarém e o PL montar uma chapa com candidatos complementares em outros territórios do estado, o partido pode garantir duas vagas na Alepa — e JK seria o mais votado das duas.

A questão que ainda não tem resposta — e é a mais importante

Há uma variável crítica que esta coluna não tem como responder com os dados disponíveis hoje: qual será a composição da chapa estadual do PL em 2026?

Uma chapa bem calibrada — com candidatos em regiões distintas, sem sobreposição geográfica, cada um dominando seu território — é o que transforma uma votação forte em eleição garantida. Foi exatamente isso que o PL fez em 2022 com Rogério Barra: uma chapa que cobriu territórios complementares e maximizou o quociente coletivo.

Se a cúpula do PL montar a chapa estadual de 2026 tendo JK como âncora do Oeste do Pará — e completar com candidatos fortes em Belém, Marabá e no sudeste paraense — a eleição de JK se torna não apenas viável, mas provável. Se a chapa for descalibrada, com candidatos disputando o mesmo eleitorado conservador do interior, o risco aumenta.

A lógica política sugere que a cúpula do PL tem interesse direto em fortalecer a representação no Oeste do Pará — região historicamente sub-representada no partido. Montar a chapa ao redor de JK é uma decisão que beneficia o partido e o candidato simultaneamente. Mas interesse político e execução são coisas diferentes.

A rejeição baixa — o dado mais revelador

Há um número nas pesquisas sobre JK que merece mais atenção do que a intenção de voto: sua rejeição é de apenas 2% em Santarém. Para um candidato com perfil de confronto e discurso de outsider, isso é extraordinariamente baixo.

Normalmente, quem divide opiniões tem rejeição alta. JK divide o campo político, mas aparentemente não divide o eleitor comum da mesma forma. Um candidato com 2% de rejeição e 17-19% de intenção de voto, num cenário com 35% de indecisos, tem margem real de crescimento. Se conduzir uma campanha sem erros graves, pode dobrar sua votação. Esse é o cenário que seus adversários precisam levar mais a sério do que estão levando.

O fator nacional — ativo e risco ao mesmo tempo

Qualquer análise de JK em 2026 precisa incluir uma variável fora do seu controle: o desempenho do PL no cenário nacional. Em 2022, o bolsonarismo foi a maior força eleitoral do país. Em 2026, o cenário é mais incerto. O campo político se reorganizou, e a candidatura presidencial do campo conservador ainda está em definição — com Flávio Bolsonaro como nome mais provável do PL.

Se o PL nacional tiver um ciclo forte em 2026, JK será puxado pela onda. Se o partido enfraquecer, ele precisará compensar com muito mais esforço próprio. Mas há uma diferença fundamental entre JK e outros candidatos que dependem de marés nacionais: ele já demonstrou, no segundo turno de 2024, que tem base própria e mobilização independente do ciclo nacional. Isso é um ativo que não aparece nas pesquisas, mas aparece nas urnas.

O veredicto atualizado

Ao incorporar o movimento do PL na chapa estadual, com Rogério Barra saindo para o federal, JK passa de “candidato competitivo com riscos estruturais” para “candidato com janela estratégica real — dependente da composição da chapa do partido”. A consolidação da pesquisa Doxa publicada em 5 de junho de 2026 confirma esse movimento: JK aparece em 3º lugar entre novos nomes em todo o Pará, com 2,33% — crescimento em relação às ondas anteriores, onde marcava cerca de 2,0%. É o único candidato do Oeste do Pará no top 5 estadual da pesquisa mais robusta disponível antes das convenções.

Há pelo menos três condições que precisam se confirmar para que a eleição de JK seja considerada provável: uma chapa estadual do PL calibrada com territórios complementares; manutenção da liderança nas pesquisas de Santarém até setembro; e um cenário nacional do PL que não colapse. As duas primeiras estão, em boa medida, nas mãos do próprio JK e da cúpula do partido. A terceira, não.

O que os próximos meses vão revelar é exatamente essa composição de chapa — e aí a análise poderá ser mais precisa. Esta coluna vai acompanhar.

Até domingo que vem.


Fábio Maia é consultor político, com atuação no Oeste do Pará. Escreve sobre política aos domingos no Jornal O Impacto.

Um comentário em “JK DO POVÃO: O CANDIDATO QUE LIDERA AS PESQUISAS, HERDOU UM VÁCUO ESTRATÉGICO — E PODE SER ELEITO POR ISSO

  • 7 de junho de 2026 em 18:00
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    Com forte indício de aceitação nas intenções de votos para o legislativo estadual JK tem uma grande chance de se eleger e poder representar o oeste do Pará, podendo acompanhar de perto as necessidades da região e trazendo as soluções cabíveis e necessárias a população e a sociedade!

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