MEMÓRIA CONSERVADA
Por José Ronaldo Dias Campos*
A tradicional Garapeira Ypiranga, que corria o risco de sucumbir ao tempo e ao desapego à memória, apagando mais de um século de doces lembranças e registros afetivos da vida santarena, finalmente respira aliviada.
Sob a ameaça de uma licitação que poderia encerrar uma história iniciada há 104 anos, o secular ponto de encontro da cidade teve assegurada sua continuidade pelas mãos da família de Herbet Farias, o inesquecível “Cacheado”, personagem que se confunde com a própria trajetória da garapeira e cuja dedicação atravessou gerações.
Após delicada e prolongada demanda judicial, encerrada no Tribunal de Justiça do Pará, prevaleceu não apenas uma pretensão jurídica, mas a preservação de um patrimônio afetivo da memória coletiva de Santarém.
A Garapeira Ypiranga permanecerá de portas abertas, promovendo encontros amistosos, reencontros inesperados, boas conversas e causos da vida, sempre acompanhados do sabor inconfundível da garapa fresca e dos famosos pastéis de vento servidos pela amiga Dalila.
Mais do que um estabelecimento comercial, a Ypiranga é um pedaço vivo da história da cidade. E a história, quando preservada, fortalece os laços que unem um povo às suas raízes.
Santarém agradece.
O Impacto


