SOLAR DO BARÃO

Por José Ronaldo Dias Campos

Trago a lume, para conhecimento público, em síntese, a história do Solar do Barão, com o propósito de chamar a atenção das autoridades e dos agentes políticos para a urgente necessidade de intervenção do Poder Público, mediante aquisição, desapropriação, restauração e preservação desse secular imóvel para fins culturais, evitando-se a perda de parte significativa da memória do povo tapajônico.

O Solar do Barão de Santarém é um dos mais importantes e emblemáticos patrimônios arquitetônicos da cidade. Construído entre aproximadamente 1840 e 1860, pertenceu ao coronel Miguel Antônio Pinto Guimarães, agraciado com o título de Barão de Santarém pela Princesa Isabel, em 1871.

Localizado na área histórica da cidade, em frente à Praça do Pescador, o casarão revela marcante influência da arquitetura colonial portuguesa. Possui três pavimentos, cerca de quatorze cômodos, ampla escadaria interna e dez janelas frontais em arco, das quais se descortina uma vista privilegiada do encontro das águas dos rios Tapajós e Amazonas.

Mais do que uma residência senhorial, o Solar simboliza o período de prosperidade econômica vivenciado por Santarém no século XIX, especialmente em razão do intenso comércio regional. Seu pavimento térreo destinava-se às atividades mercantis, enquanto os andares superiores serviam de residência à família do Barão.

Considerado um dos mais antigos casarões da Amazônia e o segundo prédio histórico mais antigo de Santarém, o imóvel constitui valioso testemunho da formação urbana, social, econômica e cultural da cidade. É um verdadeiro marco da memória arquitetônica do Baixo Amazonas.

Infelizmente, o Solar encontra-se há anos privado da restauração e da conservação que sua importância histórica exige, permanecendo fechado à visitação pública. Diversos pesquisadores e defensores do patrimônio cultural têm reiterado a necessidade de sua recuperação, para que volte a cumprir uma função social, abrigando atividades culturais, educacionais e museológicas.

Preservar o Solar do Barão não significa apenas restaurar um edifício centenário. Significa resguardar a identidade de um povo, honrar sua história e transmitir às futuras gerações um dos mais preciosos símbolos da memória santarena.

A provocação está feita. Que o silêncio e a inércia não se tornem cúmplices da perda de um dos mais valiosos testemunhos da história de Santarém. Ainda há tempo de salvar esse patrimônio. Depois que ele desaparecer, restará apenas o arrependimento.

O Impacto

Um comentário em “SOLAR DO BARÃO

  • 29 de junho de 2026 em 11:00
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    Verdade, é uma história única ao povo santareno, que foi um momento de apogeu da economia local, que mostra a prosperidade da nossa terra!

    Resposta

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