EM REUNIÃO COM INDÍGENAS E MINISTROS, PRESIDENTE DESAUTORIZA DRAGAGEM NO RIO TAPAJÓS

O Governo Federal desautorizou a dragagem emergencial que retirava sedimentos no rio Tapajós. A decisão ocorreu durante reunião no Palácio do Planalto entre representantes de diversos ministérios e lideranças de povos indígenas.

Segundo informações, a reunião ocorreu na tarde de quinta-feira (23) e a decisão do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva contrariou seus auxiliares, pois não acatou as recomendações de iniciar a dragagem, devido à dificuldade de navegabilidade, duramente afetada pela previsão de o “Super El Niño”.

Participaram da reunião a ministra-chefe da Casa Civil, Miriam Belchior, liderando as discussões. Ministério dos Transportes, MPor (Portos e Aeroportos), MME (Minas e Energia), Dnit (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) e ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico) também participaram. Além dos povos indígenas.

No início do ano, indígenas de 14 etnias ocuparam por um mês o terminal da Cargill em Santarém em protesto contra uma dragagem de manutenção do rio e ações para a concessão da hidrovia do Tapajós.

Em seguida, o projeto de dragagem ficou engavetado. Diante do iminente fenômeno climático El Niño, foi resgatado um acordo de cooperação entre o Dnit e a Abani (Associação Brasileira para o Desenvolvimento da Navegação Interior). Empresas que atuam com o transporte de cargas pelos corredores fluviais do chamado Arco Norte se comprometeram a bancar integralmente o projeto de uma dragagem emergencial, incluindo toda a contratação, execução das obras e desenvolvimento dos trabalhos. Ao governo, restaria apenas fiscalizar.

A medida passou-se então a trabalhar com a possibilidade de intervenções em menos de 2% da extensão navegável do rio (cerca de quatro quilômetros) e apenas 1 milhão de m³, removendo bancos de areia em sete pontos localizados entre Miritituba e Santarém. O trabalho duraria de 90 a 100 dias.

De acordo com lideranças indígenas, a reunião foi longa, mais de quatro horas, repleta de tensão, “mas isso representa uma grande vitória para os povos que estiveram resistindo na luta e garantindo o direito dos rios”, afirmaram.

Confira abaixo o vídeo publicado nas redes sociais pela liderança indígena Auricelia Arapiun:


Por Sarah Beatriz

O Impacto

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