NÉLIO AGUIAR: O CANDIDATO QUE NÃO APENAS TEM OS MELHORES ATIVOS – MAS SOUBE POSICIONÁ-LOS
Por Fábio Maia
Esta é a última edição da série sobre os candidatos ao estadual com base em Santarém. Ao longo das semanas anteriores, analisei Maria do Carmo, Josué Paiva, João Pingarilho e JK do Povão. Cada um com uma história própria, cada um com seus ativos e suas vulnerabilidades. Hoje, o fechamento vai para o candidato que reúne o maior conjunto de ativos desta série – e que, além disso, fez algo que nenhum dos outros conseguiu na mesma medida: construiu ativamente o ambiente onde vai competir.
Esse candidato é Nélio Aguiar. E este artigo não é sobre se ele vai ser eleito. É sobre por que as condições que ele criou fazem da sua eleição o cenário mais provável do estadual no Oeste do Pará em 2026.
Uma trajetória que combina os dois mundos da politica
Nélio Aguiar tem algo raro na política paraense: experiência real nos dois poderes. Foi vereador de Santarém. Foi deputado estadual na Alepa. Foi prefeito por dois mandatos consecutivos, de 2017 a 2024. Presidiu a FAMEP, a federação dos 144 municípios paraenses. Foi primeiro tesoureiro da CNM, administrando R$ 220 milhões. Foi Secretário Regional de Governo do Baixo Amazonas por 14 meses, cargo que usa como trampolim quem quer construir capilaridade regional sem depender de uma campanha formal.
Essa combinação – legislativo, executivo, articulação institucional – é o que o diferencia dos outros candidatos desta série. Maria do Carmo tem profundidade histórica. Josué Paiva tem capilaridade interior. JK tem forca nas pesquisas. Pingarilho tem o mandato em exercício. Nenhum dos quatro combina os três níveis que Nélio combina: representatividade local, gestão executiva comprovada e articulação estadual e nacional.
Os números que ninguém consegue ignorar
Qualquer análise de Nélio Aguiar precisa começar pelos números eleitorais em Santarém, porque eles são excepcionais. Em 2016, foi eleito prefeito com 96.034 votos – a maior votação da história do município. Em 2020, foi reeleito no segundo turno com 92.732 votos, 59,22 por cento dos válidos, derrotando Maria do Carmo. Em 2014, tentou a Câmara Federal pelo DEM e obteve 84.601 votos — ficou a apenas 593 votos do último eleito, Hélio Leite (85.194). Uma eleição inteira decidida por menos de 600 votos. Em 2022 estava no segundo mandato como prefeito de Santarém e não concorreu.
Para contextualizar o que esses números representam no tabuleiro estadual: Celsa Brito, candidata ao estadual em 2022 com toda a estrutura política de Nélio operando por ela, fez 26.076 votos em Santarém — o maior resultado individual de qualquer candidato de Santarém ao estadual naquele ciclo. Josué Paiva fez 3.604 em Santarém, Zé Maria Tapajós fez 19.949, Pingarilho fez 11.923. Maria do Carmo, eleita com 43.255 votos no total, fez apenas 18.810 em Santarém — os outros 24.445 vieram do interior. Isso mostra que ser eleito ao estadual não depende de liderar em Santarém, mas de ter votação suficiente no conjunto do estado. Nélio, com base muito maior que qualquer um desses nomes, parte com vantagem estrutural real.
Nélio, com aprovação de 68 por cento ao final de 8 anos de gestão, partindo diretamente da cidade onde é a maior referência política, com campo reunificado e dobradinha com Henderson Pinto, tem condições reais de fazer entre 40 e 45 mil votos em Santarém — o que já o colocaria como o candidato mais votado da cidade para o estadual em 2026, acima de Celsa Brito em 2022 (26.076) e acima de Maria do Carmo (18.810 em Santarém). Somados aos votos que pode construir no interior via rede FAMEP, CNM e articulações regionais, a projeção total aponta para 60 a 65 mil votos — número que o posiciona de forma sólida dentro da Federação União Progressista e compatível com uma vaga na Alepa.
A escolha certa – o ambiente que ele construiu para competir
Há candidatos que chegam a uma eleição e jogam com o tabuleiro que encontram. E há candidatos que chegam depois de terem movido as peças do tabuleiro. Nélio está no segundo grupo.
A decisão de permanecer no União Brasil – que muitos analistas apressados classificaram como movimento arriscado, dado que o partido perdia deputados na janela nacional – foi na verdade a escolha mais inteligente disponível. Em 2022, o União Brasil elegeu apenas um deputado estadual no Pará: Victor Dias, com 48.235 votos. Com Nélio como puxador, projetando 60 a 65 mil votos no total — com base concentrada em Santarém e capilaridade no interior —, ele já supera individualmente o total que o partido fez na Alepa inteira em 2022 — quando Victor Dias foi eleito com 48.235 votos. A Federação União Progressista (União Brasil + PP) tem candidatos com mandato distribuídos em regiões distintas do estado. A vantagem estratégica de Nélio dentro dessa federação é precisa: ele é o único candidato com base consolidada no Oeste do Pará — sem nenhuma sobreposição territorial real com os demais. Enquanto os outros candidatos da federação disputam votos no Nordeste, no Marajó, em Belém e na região metropolitana, Nélio opera em território exclusivo. Essa exclusividade regional dentro do bloco é exatamente o que transforma uma votação forte em vaga garantida.
Se Nélio estivesse no MDB, seria o décimo quarto candidato de um partido com 13 eleitos em 2022, disputando o eleitorado com nomes como Chamonzinho, Iran Lima, Zeca Pirão, Paula Titan e outros. Com 60 a 65 mil votos totais, seria um candidato competitivo dentro de uma bancada gigante — mas dividindo territórios com 13 outros eleitos e sem exclusividade regional. Na Federação União Progressista, com base consolidada no Oeste do Pará e sem sobreposição com nenhum outro candidato da federação, esses mesmos 60 a 65 mil votos o posicionam como o puxador regional inequívoco do bloco — garantindo uma vaga por mérito próprio, sem depender de ser arrastado por ninguém.
O lançamento que sinalizou força antes da largada
Em política, a sinalização de forca antes do início formal da campanha tem valor eleitoral próprio. Um candidato que mostra músculo em maio intimida adversários, mobiliza cabos eleitorais hesitantes e envia uma mensagem clara ao campo político: este não é um candidato que precisa de ajuda para encher reunião.
O lançamento da pré-candidatura de Nélio no plenário da Câmara Municipal de Santarém foi exatamente isso. Com a presença pública e o discurso de apoio do prefeito Zé Maria Tapajós, lideranças comunitárias, pelo menos nove vereadores de diferentes partidos — confirmando um campo municipal mais amplo do que qualquer análise anterior havia registrado — e Henderson Pinto participando por vídeo – o evento não foi um ritual partidário. Foi uma demonstração de que o campo político de Santarém está reunificado, e que essa reunificação tem um rosto.
Para quem acompanhou o período de tensão entre Nélio e Zé Maria Tapajós – que gerou dúvidas sobre a disponibilidade da máquina municipal -, o lançamento funcionou como um ponto final nessa narrativa. Zé Maria foi ao evento. Discursou. Declarou apoio. Isso não se desfaz facilmente.
A dobradinha com Henderson – multiplicador de campanha
A dobradinha Nélio (estadual) + Henderson (federal) é o elemento operacional mais importante da campanha de ambos em Santarém. Os dois estão no mesmo partido, no mesmo campo político, com palanque único e recursos compartilhados. Em termos práticos, isso significa que cada evento de campanha mobiliza votos para os dois simultaneamente – reduzindo custos, amplificando alcance e enviando ao eleitor a mensagem de que há um projeto conjunto, não dois pedidos de voto isolados.
Henderson já foi o deputado federal mais votado em Santarém em 2022, com 49.026 votos na cidade. Com o campo reunificado e Zé Maria ao lado, a tendência é de manter ou ampliar esse resultado. A soma projetada dos dois em Santarém — Henderson com 60 mil e Nélio com 40 a 45 mil — representaria em torno de 100 a 105 mil votos para o campo no principal colégio eleitoral da região. Com os votos que Nélio constrói no interior, o total da dobradinha no estado ultrapassa 180 mil votos. É uma expressão de força que nenhuma dobradinha adversária no Oeste do Pará consegue equiparar.
O tabuleiro de 2022 e o que mudou para 2026
Em 2022, vários candidatos de Santarém disputaram a Alepa. Celsa Brito fez 26.076 votos na cidade, a maior votação individual de qualquer candidato santareno ao estadual naquele ciclo. Zé Maria Tapajós fez 19.949 em Santarém. Adriana Almeida fez 12.289. Pingarilho fez 11.923. Apenas dois foram eleitos: Maria do Carmo, com 43.255 votos totais sendo 18.810 em Santarém e 24.445 no interior; e Josué Paiva, com 36.874 votos totais sendo 3.604 em Santarém e o restante no interior. O dado que chama atenção: Celsa Brito, com mais votos em Santarém do que Maria do Carmo, não foi eleita — porque a eleição estadual depende da votação total no Pará, não apenas do desempenho na cidade.
Para 2026, o número de candidatos com potencial real de eleição em Santarém cresceu: Maria do Carmo, Josué Paiva, Pingarilho, JK do Povão e Nélio. Cinco nomes competitivos no mesmo território. A fragmentação é real. Mas há uma diferença fundamental entre Nélio e os outros quatro: ele é o único que chega ao pleito com aprovação histórica de gestor, com o campo político formalmente declarado ao seu lado, e com projeção de votação acima de qualquer resultado individual já registrado por candidato de Santarém ao estadual.
Os riscos que existem – e por que são gerenciáveis
Uma análise honesta não pode ignorar os riscos. Mas neste caso, eles são menores do que os de qualquer outro candidato desta série.
O primeiro risco é a diferença entre apoio declarado e máquina operando. Zé Maria foi ao lançamento e discursou. Mas aliados de Nélio que estavam nas secretarias municipais tiveram de ceder espaço. A estrutura da prefeitura tende a dividir espaço com Pingarilho e Adriana Almeida, que foram acolhidos na gestão. Vale registrar que Carlos Martins, vice-prefeito de Santarém, e Everaldo Martins, secretário municipal de Saúde, são irmãos de Maria do Carmo (PT) — o que confirma o mosaico de alianças cruzadas que caracteriza o campo político local. Nélio compensa com a estrutura de Henderson e com seus próprios cabos eleitorais – mas não é exatamente o mesmo que ter a máquina municipal plena.
O segundo risco é Josué Paiva. Com projeção de 45 a 50 mil votos no estado e crescimento real documentado – 13 prefeitos, 54 vereadores, 26 municípios – Josué pode ser um dos candidatos mais votados do Oeste do Pará para o estadual, disputando o mesmo território eleitoral que Nélio. Os dois não se canibalizam diretamente – eleitorados distintos, partidos distintos, perfis distintos – mas competem pelas mesmas vagas dentro do quociente estadual.
O terceiro risco é o reconhecimento estadual ainda em construção. A pesquisa Doxa coloca Nélio com 1,32 por cento de intenção de voto no estado. Com projeção de 60 a 65 mil votos totais — 40 a 45 mil em Santarém e o restante no interior —, os votos de fora de Santarém precisam ser conquistados via rede FAMEP/CNM e articulações regionais. É um trabalho que já está em andamento, mas que exige execução rigorosa.
Dito isso: nenhum desses riscos é do tipo que derruba uma candidatura que parte das condições que Nélio tem. São riscos de margem, não de estrutura.
O veredicto analítico
Esta série analisou nove candidatos ao legislativo pelo Oeste do Pará. Em todos eles, o argumento central foi o mesmo: a eleição começa muito antes de agosto, e as decisões tomadas nos bastidores de marco e abril definem quem chega a outubro em posição de vencer.
Nélio Aguiar é o candidato que melhor executou essa lógica. Saiu da Secretaria Regional no momento certo para a desincompatibilização. Ficou no partido certo – União Brasil – onde será puxador regional de uma chapa enxuta, em vez de coadjuvante de uma bancada gigante. Reunificou o campo político com presença pública e declarada do prefeito Zé Maria. Montou a dobradinha mais forte de Santarém com Henderson Pinto. Construiu uma rede de apoio via FAMEP e CNM que nenhum outro candidato ao estadual tem.
Com projeção de 60 a 65 mil votos totais — construídos sobre uma base de 40 a 45 mil em Santarém e complementados pela rede do interior —, aprovação histórica de gestor, campo político reunificado, exclusividade regional dentro da Federação União Progressista e o cabo eleitoral mais poderoso do Pará — Helder Barbalho — operando no mesmo campo, Nélio Aguiar parte bem posicionado para uma vaga na Alepa em 2026. É um cenário construído com estratégia e calculado com os pés no chão — exatamente o tipo de candidatura que eleições proporcionais recompensam. Não é garantido – eleição proporcional nunca é. Mas é o cenário mais provável, e por margem significativa.
Política é gestão. E esse candidato geriu muito bem, e por muito tempo, tudo que importa para chegar a essa posição.
Até domingo que vem.
Fabio Maia é consultor político, com atuação no Oeste do Pará. Escreve sobre política aos domingos no Jornal O Impacto.



Hélder foi o melhor prefeito, mandava asfaltar ruas até de madrugada, em véspera de eleição, o nélio só tinha o trabalho de entregar e sair na foto.