QUANDO A MÚSICA VENCE O TEMPO
Por Luís Alberto Mota Figueira – Advogado-OAB
Há encontros que o tempo não consegue apagar. Apenas adia.
Há mais de trinta anos, um grupo de amigos decidiu transformar amizade em música. Assim nasceu o Canto de Várzea. João Otaviano, Samuel Lima, Everaldo Martins Filho, Beto Paixão, Nicolau Paixão e eu dividíamos muito mais do que acordes e canções. Dividíamos sonhos, risadas, desafios e a certeza de que a verdadeira amizade sempre encontra uma melodia para permanecer viva.
Tocávamos na praça que todos conheciam como o Trevo da Calcinha. Ali, entre violões, vozes e o carinho do público, escrevemos uma página da história da música popular santarena. Gravamos um CD, cujo lançamento foi registrado em DVD, eternizando um tempo que parecia não ter fim.
Mas a vida segue seu curso. Cada um construiu sua história, enfrentou suas batalhas, formou sua família, abraçou novos desafios. Os caminhos se separaram, mas nunca apagaram as lembranças.
Na última sexta-feira, 17 de julho, tivemos o privilégio de viver um daqueles momentos que Deus prepara para aquecer o coração. Samuel Lima, que hoje mora em Florianópolis, voltou a Santarém por alguns dias. João Otaviano, com a sensibilidade de sempre, reuniu parte daquela velha turma para revivermos os bons tempos.
E foi como se o relógio tivesse parado.
As histórias voltaram naturalmente, acompanhadas de gargalhadas sinceras, lembranças inesquecíveis e, claro, de muita música de qualidade. Cada canção parecia despertar um pedaço da nossa juventude, mostrando que existem sentimentos que simplesmente não envelhecem.
Para mim, porém, houve um significado ainda mais profundo. Reencontrar Samuel foi reencontrar um amigo verdadeiro. Daqueles que oferecem o ombro quando a vida pesa, que permanecem presentes mesmo quando a distância física insiste em separar. Amigos assim são raros. Não precisam estar ao nosso lado todos os dias, porque ocupam um lugar permanente dentro do coração.
Saí daquele encontro com a alma leve e com a certeza de que a amizade verdadeira resiste ao tempo, à distância e às mudanças da vida. Ela apenas espera o momento certo para florescer novamente.
Obrigado, João Otaviano, por proporcionar esse reencontro. Obrigado, Samuel, por continuar sendo o mesmo amigo leal de tantos anos atrás. Obrigado a todos que fizeram parte dessa história tão bonita.
O tempo passa. Os cabelos embranquecem. As responsabilidades aumentam. Mas há coisas que jamais envelhecem: a boa música, as boas lembranças e os amigos que Deus escolhe para caminhar ao nosso lado.
Que venham outros reencontros. Porque algumas histórias merecem ser revividas muitas e muitas vezes.
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O Impacto


