SANTARÉM REGISTRA 3 FEMINICÍDIOS EM MENOS DE UMA SEMANA

Integração das forças de segurança resultou na identificação e prisão dos autores

Dayse Diniz, Edmara de Sousa Goes e Thainá Yarina dos Santos.

Em menos de uma semana, três mulheres tiveram suas vidas ceifadas de forma trágica e brutal no município de Santarém. Dayse Diniz e Edmara de Sousa foram mortas na sexta-feira, dia 24 de julho, e Thainá Yarana no domingo, dia 19 de julho.

A sequência estarrecedora de crimes acende um alerta vermelho para a sociedade santarena.

CASO DAYSE DINIZ

O corpo da jovem Dayse Diniz, de 25 anos, foi encontrado na tarde de quarta-feira (29/07), em uma área de mata na região do Eixo Forte, em Santarém.

A jovem estava desaparecida desde sexta-feira (24), quando foi vista pela última vez após sair de um estabelecimento comercial (bar), no bairro Nova República.

Segundo informações, Dayse deixou o local por volta de 4 horas, saindo com o condutor de uma motocicleta para ir até uma chácara na Comunidade São Braz.

O principal suspeito foi identificado como João Pedro Pereira dos Santos, que já estava preso após uma tentativa de assalto a um comércio no bairro Diamantino, na tarde de sexta (24).  Durante depoimento, ele confessou a autoria do assassinato de Dayse e onde estava o corpo. No decorrer das buscas, o corpo da jovem foi localizado em uma área de mata já em avançado estado de decomposição.

De acordo com a análise inicial da perícia, possivelmente o crime foi executado no local onde o corpo estava. No pescoço da vítima havia dois pedaços de cipó, porém, somente o médico perito poderá informar, por meio do laudo necroscópico, se a causa morte foi asfixia.

A delegada Mila Moura, em entrevista à imprensa, disse que após Dayse deixar o bar, ela saiu na companhia de um homem em uma motocicleta, aceitando o convite de um amigo para ir à chácara.

Perto de meio dia, as pessoas que estavam no local começaram a ir embora, permanecendo apenas Dayse, o assassino e uma terceira pessoa.

Por volta de 14h, a vítima disse que queria ir embora, foi quando João Pedro se ofereceu para levá-la até sua casa de moto, dizendo para a terceira pessoa que voltaria para buscá-la assim que deixasse Dayse na residência. No trajeto, ele cometeu o feminicídio.

João Pedro Pereira dos Santos responderá por feminicídio e ocultação de cadáver. Em seu depoimento à polícia, disse que não teve motivo para matar Dayse. Relatou que teve vontade, aproveitou a oportunidade e porque era mulher.

Vida no Crime

Segundo as forças de segurança, o João Pedro já responde por outros crimes, inclusive, matou uma mulher em 2019, no município de Uruará.

Ele confessou ter matado Naiara Lima dos Santos a facadas, sendo a motivação o fato dela estar lhe devendo R$ 50. Ele foi preso dois dias após o crime.

Em de maio de 2023, João Pedro foi julgado pela morte de Naiara e condenado a 16 anos e seis meses de reclusão pelo crime de homicídio qualificado por motivo fútil. Posteriormente, teve a pena reduzida para 14 anos.

Ele cumpriu uma parte da pena e foi para o semiaberto. Após ser beneficiado por uma saída temporária, não voltou mais ao presídio, permanecendo na condição de foragido. Em Santarém, apresentava-se com nome falso de Sidney Lopes.

Inclusive, quando foi preso na tarde de sexta-feira (24), pela tentativa de roubo a um mercadinho, ele se apresentou com o nome falso visando ludibriar as autoridades policiais.

Ainda em seu depoimento, o assassino disse que realizou o roubo ao mercadinho com intenção obter um álibi, caso o corpo da vítima viesse a ser encontrado.

CASO EDMARA DE SOUSA GOES

Na terça-feira (28/07), os militares do 35° Batalhão de Polícia Militar (BPM), com apoio do 2° Batalhão de Missões Especiais (2° BME), localizaram e apreenderam o adolescente suspeito de matar a jovem Edmara de Sousa Góes, 22 anos.

O corpo dela – que apresentava ferimentos na cabeça e sinais de crime sexual -, foi encontrado na manhã de sábado (25) em um terreno baldio no bairro do Maracanã, em Santarém. Ela foi morta na noite de sexta-feira (24).

O crime, que causou forte comoção e revolta na população, vinha sendo investigado de forma ininterrupta desde o fim de semana.

A perícia inicial constatou severos ferimentos na região da cabeça e indícios claros de violência sexual, o que mobilizou as forças de segurança em uma caçada ao assassino. Ele foi localizado escondido em uma residência.

Durante a ação, uma mulher também foi encaminhada à delegacia suspeita de favorecimento pessoal. De acordo com a polícia, ela tinha ciência da gravidade do delito e, mesmo assim, concedeu abrigo e proteção ao menor para dificultar e retardar a ação das forças policiais na tentativa de garantir sua impunidade.

Ela e o adolescente foram apresentados na 16ª Seccional de Polícia Civil para os procedimentos cabíveis.

A investigação

A Polícia Civil avançou rapidamente nas investigações sobre a morte de Edmara de Sousa Goes. A vítima era natural da vila de Curuai.

Em poucas horas de diligências, as equipes de segurança pública conseguiram acessar e analisar imagens de câmeras de videomonitoramento instaladas na região.

O material permitiu à polícia traçar com precisão o trajeto percorrido pelo suspeito e pela vítima até instantes antes de chegarem ao local do crime. A partir do rastreamento das imagens, os investigadores conseguiram identificar o principal suspeito: um adolescente. Segundo a polícia, familiares dele confirmaram sua identificação ao analisarem imagens. Também foram localizadas peças de roupas dele sujas de sangue.

O delegado José Kleydson Castro destacou o trabalho integrado entre a Polícia Civil e a Polícia Militar para o êxito na identificação do suspeito, bem como o trabalho realizado pela imprensa local, na divulgação de vídeos, o que contribuiu para denúncias.

Ainda segundo a autoridade policial, vítima e suspeito estavam na praia do Maracanã antes do crime. A investigação também verificará se há participação de outras pessoas no crime.

Nota da Redação: A identidade e a imagem do adolescente não foram veiculadas nesta matéria em atendimento à legislação vigente, em especial ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

CASO THAINÁ YARINA DOS SANTOS

Thainá Yarina dos Santos Cardoso, 29 anos, morreu no domingo, dia 19 de julho, atingida por um golpe de faca na região do tórax, no apartamento de um condomínio localizado na Avenida Magalhães Barata (Rodagem), entre Presidente Vargas e Marechal Rondon, bairro Aparecida, em Santarém.

O advogado Wlandre Gomes Leal, companheiro dela, foi preso suspeito de feminicídio.

À polícia, ele disse que a companheira teria cometido suicídio. No entanto, a investigação inicial revelou uma série de elementos que colocam em dúvida a versão apresentada pelo advogado, assim, o delegado a frente do caso, José Kleydson Castro, solicitou à Justiça a conversão da prisão em flagrante para temporária de 30 dias. A solicitação foi atendida pelo Poder Judiciário.

O delegado esteve no local e acompanhou o trabalho da Polícia Científica. O apartamento estava com sinais claros de que houve uma luta corporal e parte do sangue na cena do crime estava seco, o que indicaria um lapso temporal entre a morte e o acionamento do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu 192). Os socorristas disseram que após serem acionados, chegaram no local em 5 minutos.

Outro detalhe é o fato de a faca apreendida no local não apresentar compatibilidade com o tamanho do ferimento da vítima.

A faca de cozinha suja de sangue possui lâmina de cerca de 2,5 centímetros de largura e o ferimento no tórax da vítima media 10 centímetros. A análise inicial, portanto, é que o golpe foi desferido com extrema força.

Além disso, a vítima era destra (pessoa que utiliza predominantemente a mão direita para realizar a maioria das atividades diárias) e o golpe atingiu o lado direito do seu peito. Ambas as situações, segundo a análise inicial, são incompatíveis com uma suposta autoagressão.

O delegado José Kleydson Castro também ouviu testemunhas. Relatos de familiares apontaram que o relacionamento do casal era conturbado, especialmente, por ciúmes por parte de Wlandre Gomes Leal. Também disseram que a vítima não possuía problemas psicológicos com ideia de suicídio.

De acordo com a Lei 8.906/94, conhecida como Estatuto da Advocacia, o advogado tem o direito de ser preso em uma Sala de Estado Maior, que é uma dependência com instalações e comodidades adequadas, em vez de cela.

Em Santarém não há Sala de Estado Maior. Após decisão judicial, Wlandre Gomes Leal foi transferido para o Complexo Penitenciário de Santa Izabel, na região metropolitana de Belém.

SINAL VERMELHO: ONDE BUSCAR AJUDA E DENUNCIAR

A sequência de tragédias reforça a importância da denúncia precoce de casos de violência doméstica, ameaças e relacionamentos abusivos antes que tomem proporções irreversíveis.

Se você é vítima de violência doméstica ou conhece alguém que esteja passando por isso, denuncie e busque ajuda. A sua voz pode salvar vidas.

Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 (Serviço gratuito, anônimo e funciona 24 horas por dia em todo o país).

Programa SOS Mulher: Para se cadastrar no sistema não é necessário possuir uma Medida Protetiva de Urgência. Se você sofre ameaça ou se encontra em situação de risco faça o seu cadastro no programa clicando aqui<https://crm.jetcall-crm.com.br/ciop_form_identifica_vitima>.

Após o cadastro, em uma situação de perigo iminente, basta discar 190 para que a viatura da Polícia Militar seja acionada e enviada automaticamente para a sua localização em tempo real.

Centro Maria do Pará: O município conta com um espaço especializado de acolhimento e orientação jurídica, psicológica e social. O centro fica localizado na Rua Magnólia, s/n, bairro Aeroporto Velho (atrás da Prefeitura de Santarém).

A quem recorrer em caso de emergência imediata? Ligue para a Polícia Militar (190).

A Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (DEAM) fica localizada na Avenida Sérgio Henn, próximo à esquina com Avenida Frei Vicente, bairro Aeroporto Velho. Durante o final de semana funciona 24 horas por dia.

POLÍCIA CIVIL PROCURA SUSPEITO DE MATAR AMIGO DE PADRASTO NO JUÁ

A Polícia Civil está a procura de Leonardo Santos Souza, suspeito de homicídio e duas tentativas de homicídio ocorridos no dia 14 de junho no Juá, em Santarém. Os crimes aconteceram em um campo de futebol no final de uma festa junina.

Paulo Oziel Silva Cardoso morreu com um golpe de faca no peito após separar uma briga entre padrasto e enteado. O padrasto, Diogo dos Santos Marialva, foi socorrido com vida na época, além de Davi que também sobreviveu.  Já o enteado acabou fugindo.

Durante coletiva de imprensa, na manhã de terça-feira (28), a Delegada Raíssa Beleboni detalhou que todos estavam juntos na festa quando houve a ação criminosa praticada por duas pessoas, ou seja, além de Leonardo Santos, há outro envolvido que ainda não foi identificado e teria utilizado um pedaço de madeira para cometer as agressões.

Ainda de acordo com Beleboni, Paulo Oziel era amigo de Diogo, padrasto do suspeito, e de outros que estavam no local. Já Leonardo acumulava desavenças familiares com Diogo, até por ser usuário de drogas.

“Então ele foi tentar ajudar o Diogo e acabou sendo ferido fatalmente por um golpe desferido pelo Leonardo. O objetivo agora é que a gente localize o Leonardo, porque desde a época dos fatos ele não teria sido mais visto na região”, afirmou a autoridade policial.

A delegada ressalta sobre as diligências e solicita apoio da população para localizar o paradeiro do suspeito.

“O que pedimos agora é a ajuda da população para que a gente possa concluir as investigações e assim identificar o outro envolvido na ação criminosa. Nós não temos informações do paradeiro e aqueles que tiverem informações de onde ele possa ser localizado, que entre em contato tanto com a imprensa, com a Polícia Civil ou mesmo através do disque denúncia pelo 181, porque o nosso objetivo é que ele seja preso o mais rápido possível”, finalizou.

Por Wandra Trindade e Baía

O Impacto

Um comentário em “SANTARÉM REGISTRA 3 FEMINICÍDIOS EM MENOS DE UMA SEMANA

  • 3 de agosto de 2026 em 09:15
    Permalink

    Das três pensei que só uma era namorada do agressor ,mas segundo a reportagem todas as 3 mantinham relacionamento com o agressor , caracterizando feminicidio .

    Resposta

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