130 ANOS DE HISTÓRIA: THEATRO VICTÓRIA CELEBRA PASSADO E PROJETA FUTURO DAS ARTES EM SANTARÉM

O Theatro Victória, um dos principais patrimônios históricos e culturais do município, completou 130 anos com uma programação que reuniu artistas, produtores, estudantes e representantes da cultura para celebrar a trajetória do espaço e discutir os novos caminhos das artes no município.

As atividades foram realizadas nos dias 21 e 22 de agosto, dentro da Semana do Patrimônio e em alusão ao Dia do Artista de Teatro. A programação foi promovida pela Prefeitura de Santarém, por meio da Secretaria Municipal de Cultura (SEMC), em parceria com entidades e conselhos ligados à cultura e à preservação do patrimônio.

Um dos destaques foi a conversa conduzida Éliton Sousa Reis e mediada por Alenilson Ribeiro através do bate-papo “Do palco à tela: o Theatro Victória e o cinema em Santarém”, que resgatou histórias do período em que o prédio também funcionava como sala de cinema.

“Esse Theatro é um patrimônio vivo da resistência daqueles que fazem cultura em Santarém. Além das homenagens, a programação também nos permitiu discutir novas perspectivas e possibilidades, olhando para a história do teatro na cidade desde as décadas de 1920 e 1930, pensando em como nossas produções vem sendo construída e, principalmente, em como podemos ampliar o acesso das pessoas a esse espaço. Foi muito importante também contar com a participação de duas escolas, Madre Imaculada e Colégio São Raimundo, porque são jovens que podem se envolver cada vez mais com o Theatro, conhecê-lo e reconhecê-lo como parte do nosso patrimônio”, destacou o professor e membro do Grupo Teatral Kauré.

 A programação contou ainda com uma mostra de curtas-metragens, aproximando o público de produções audiovisuais realizadas na região.

As discussões também se voltaram para o futuro das artes cênicas. Na roda de conversa “O Teatro que Queremos”, artistas e representantes do setor abordaram as dificuldades enfrentadas pela produção cultural e defenderam a ampliação dos espaços destinados às manifestações artísticas em Santarém.

“O teatro tem uma função social muito importante e, por isso, é sempre bom estarmos juntos, pensando, discutindo, analisando, olhando para o passado e buscando inspiração para construir o futuro. E o que a gente deseja é que o teatro santareno tenha, de fato, um futuro tão grandioso quanto a sua história. Um teatro cada vez mais descentralizado, ocupando novos espaços, chegando a diferentes públicos e garantindo que todo espetáculo tenha espaço para acontecer e para transformar vidas”, destacou Fábio Barbosa, presidente do Conselho Municipal de Polícia Cultural (CMPC).

Ao final do encontro, foi elaborada e aprovada uma carta pública em defesa da construção de um Teatro Municipal para Santarém, retomando uma antiga reivindicação da classe artística.

“Celebramos os 130 anos do Theatro Victória, mas também precisamos discutir qual teatro queremos e como esse espaço pode atender às necessidades da produção artística de Santarém. Essa reflexão vai além da estrutura física e envolve os modos de fazer cultura, as relações com o território, a memória e a ancestralidade, presentes não só no teatro, mas também na música, na dança e na cultura popular. A ideia foi repensar essas questões e apresentar demandas para um espaço mais acessível e conectado a quem produz cultura na cidade”, destacou Mourramdert Flexa, membro do Conselho da ATAS

No segundo dia de programação, o público acompanhou um Sarau Cultural com apresentações de poesia, música, dança e manifestações da cultura popular. Participaram da programação Elivangela Vieira, Francisco Vera Paz, Boi Resgatão, Ádria Goes e Banda Base da Semc, Grupo Terra Firme e Grupo Festa de Carimbó.

Para os organizadores, a celebração dos 130 anos reforçou a importância de manter o Theatro Victória como um espaço de cultura viva, ocupado por diferentes manifestações artísticas e aberto à participação da população.

A programação também destacou que preservar o patrimônio vai além da conservação da estrutura física. A memória, a identidade, o uso do espaço e a relação do Theatro com o território onde está inserido também fazem parte da preservação histórica.

A secretária municipal de Cultura, Priscila Castro, destacou a importância da arte e da cultura que desempenham um papel fundamental na construção de vínculos entre a população e a cidade, fortalecendo o sentimento de pertencimento e a valorização de suas histórias e manifestações.

“É por meio da arte, da cultura e das manifestações que uma cidade consegue se reconhecer e também se conectar com a sua própria história. Quando a população ocupa esses espaços, participa, cria e compartilha suas expressões, ela fortalece os vínculos com o lugar onde vive. É isso que queremos estimular: uma cultura que não fique distante das pessoas, mas que esteja presente no cotidiano, promovendo encontros, despertando pertencimento e mostrando que o patrimônio também está vivo nas experiências”, ressaltou.

Com 130 anos de história, o Theatro Victória encerrou as comemorações olhando para o futuro. Entre memórias, apresentações e debates, o aniversário do espaço serviu não apenas para celebrar seu passado, mas também para discutir novos caminhos para a produção cultural e para as artes em Santarém.

“Quando falamos sobre a preservação do Theatro Victória, não estamos falando apenas da conservação de paredes, fachadas ou elementos arquitetônicos. Falamos também de memória, identidade, uso e cidade. Temos que compreender o Theatro Victória como parte de uma paisagem histórica e pensar também sobre o território no qual ele está inserido. Preservar um bem sem olhar para o seu entorno pode significar manter o edifício, mas perder gradativamente o contexto que permite compreender sua importância” destacou Cecy Sussuarana, presidente do Conselho Municipal de Patrimônio Histórico, Artístico e Natural de Santarém.

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