GUIA DO ELEITOR: QUEM DISPUTA A CÂMARA DOS DEPUTADOS PELO OESTE DO PARÁ
Por Fábio Maia*
No domingo, esta coluna publicou o guia dos candidatos do Oeste do Pará à Assembleia Legislativa. Hoje, o segundo capítulo: os candidatos da nossa região que disputam uma vaga na Câmara dos Deputados, em Brasília.
O formato é o mesmo — quem são, de onde vêm, o que já fizeram e em que bloco estão. E, ao final, as movimentações partidárias que redesenharam esta disputa antes mesmo de ela começar.
O essencial: por que o voto federal é mais difícil de entender
O Pará elege 17 deputados federais. Para conquistar uma vaga, o partido ou a federação precisa atingir o quociente eleitoral, que em 2022 ficou em torno de 266 mil votos. É um número alto — e nenhum candidato paraense chega perto disso sozinho, com raríssimas exceções.
Na prática, isso significa que o voto para deputado federal é ainda mais coletivo do que o estadual. Um candidato com 80 mil votos pode não se eleger se o bloco dele for fraco. Outro com 60 mil pode se eleger se o bloco for forte e sobrarem vagas na distribuição. É por isso que a escolha do partido, feita meses antes da campanha, costuma pesar tanto quanto a campanha em si.
Os candidatos do Oeste do Pará
Seis candidatos com base eleitoral na nossa região disputam vaga na Câmara. Nem todos partem da mesma posição — e o eleitor merece saber disso com clareza.
Henderson Pinto (União Brasil — Federação União Progressista) — Deputado federal em exercício, eleito em 2022 com 74.746 votos, dos quais 49.026 em Santarém — a maior votação da cidade para o cargo. Antes disso, foi vereador de Santarém em quatro mandatos, disputou o estadual em 2014 (30.965 votos) e o federal em 2018 (63.533 votos, ficando como primeiro suplente). Em seu atual mandato (23/26), articulou só para Santarém mais de R$ 400 milhões em diversas áreas, priorizando saúde, infraestrutura e moradias. Migrou do MDB para o União Brasil na janela partidária. Lidera as pesquisas locais em Santarém com 32,69%.
Júnior Ferrari (PSD) — Deputado federal em exercício e o sexto candidato mais votado do Pará em 2022, com 160.342 votos. Sua trajetória é de crescimento contínuo: fez 63.752 votos em 2014 e 146.678 em 2018. A característica mais notável da sua votação é a distribuição: seu maior município em 2022 foi Santarém, com 9.938 votos, seguido de Oriximiná, com 9.497. Nenhuma cidade responde por mais de 7% do seu total.
Adriana Almeida (MDB) — Foi vereadora de Santarém, eleita em 2020 com 2.308 votos. Em 2022, disputou o estadual e obteve 31.205 votos, sem se eleger. É a primeira vez que concorre ao federal. Nas pesquisas do Baixo Amazonas, aparece com 5,8% no cenário geral, em empate técnico com Júnior Ferrari.
Airton Faleiro (PT — Federação Brasil da Esperança) — Deputado federal em exercício e um dos políticos de carreira mais longa da região. Foi deputado estadual por quatro mandatos consecutivos, entre 2002 e 2014. Em 2018, teve sua maior votação: 106.965 votos. Em 2022, caiu para 79.862 e foi eleito na distribuição das sobras, com 12.458 votos em Santarém.
Biga (PT — Federação Brasil da Esperança) — Vereador de Santarém, eleito em 2020 com 1.276 votos e reeleito em 2024 com 2.281 — único do PT eleito na cidade e único a dobrar a votação entre os dois ciclos. Foi indicado pela executiva nacional do partido em março de 2026 para disputar o federal. É sua primeira candidatura ao cargo.
Chapadinha (Podemos) — Construiu trajetória política no Oeste do Pará e chega à campanha sem o arranjo partidário que havia planejado — situação que esta coluna analisou em maio. Disputa o federal pelo Podemos.
As composições: onde cada candidato está jogando
Conhecer o candidato é metade do trabalho. A outra metade é entender em que bloco ele está — porque, como explicado no início, é o bloco que atinge o quociente e distribui as vagas.
A Federação União Progressista, que reúne União Brasil e PP, montou uma chapa com três âncoras territoriais distintas: Henderson Pinto no Oeste do Pará, Lena Pinto na região metropolitana de Belém e Lu Ogawa em Barcarena e no Nordeste paraense. É uma arquitetura desenhada para evitar que candidatos do mesmo bloco disputem os mesmos votos.
O MDB montou a chapa mais enxuta entre os grandes partidos: apenas 11 candidatos ao federal, para uma legenda que elegeu 9 em 2022. Traz Jader Filho, ex-ministro das Cidades, como principal nome. Mas perdeu dois quadros de peso na janela partidária, como veremos adiante.
A Federação Brasil da Esperança, com PT, PV e PCdoB, tem em Dilvanda Faro sua maior puxadora — foram 150.065 votos em 2022. O bloco elegeu dois federais naquele ciclo e disputa manter esse número.
O PL apresenta 18 candidatos, com Rogério Barra e Joaquim Passarinho à frente. O PSD, também com 18, tem Júnior Ferrari como principal nome. E o Podemos, que não elegeu nenhum deputado federal em 2022, chega a 2026 numa situação completamente diferente — com dois deputados federais em exercício na chapa e ainda Bob Fllay, humorista conhecido e atual deputado estadual com base na região metropolitana. É o assunto do próximo bloco.
As movimentações que redesenharam a disputa
Seis movimentos partidários alteraram substancialmente o quadro federal do Pará neste ciclo. Cada um deles tem consequências que o eleitor dificilmente percebe olhando apenas para o santinho.
O primeiro, e de maior impacto: Alessandra Haber deixou o MDB e foi para o Podemos. Ela foi a deputada federal mais votada do Pará em 2022, com 258.907 votos — quase o quociente eleitoral inteiro sozinha. E não foi a única a fazer esse caminho: Olival Marques, também deputado federal eleito pelo MDB em 2022, com 102.435 votos e base em Ananindeua, igualmente migrou para o Podemos. Somados, os dois levaram mais de 360 mil votos de um partido para o outro. O Podemos, que não tinha nenhum deputado federal, passou a ser um bloco fortemente competitivo. O MDB, que já havia perdido Henderson Pinto para o União Brasil, sentiu duas baixas de grande porte.
O segundo: Éder Mauro, o deputado federal mais votado do PL em 2022, deixou a disputa proporcional para concorrer ao Senado. O partido perde seu maior puxador, o que abre espaço interno para Rogério Barra e Joaquim Passarinho crescerem.
O terceiro: Rogério Barra migrou do estadual para o federal. Ele fez 81.868 votos na disputa pela Assembleia em 2022 e agora transfere essa base para a Câmara. Sua esposa, Tati Barra, assumiu a candidatura estadual pelo mesmo partido — uma operação que ocupa dois espaços com a mesma estrutura.
O quarto: Lu Ogawa também trocou o estadual pelo federal. Deputado estadual com 46.262 votos em 2022, ele amplia a cobertura territorial da chapa da Federação União Progressista no Nordeste paraense.
O quinto: Jader Filho, ex-ministro das Cidades e filho do senador Jader Barbalho, volta à disputa proporcional pelo MDB, dando ao partido um nome de projeção nacional na chapa federal.
E o sexto, que interessa diretamente ao eleitor de Santarém: Henderson Pinto saiu do MDB, onde foi eleito em 2022 como o nono deputado federal do partido, e migrou para o União Brasil. Deixou uma chapa com forte competição interna para ser a única referência do Oeste do Pará no novo bloco.
Dois modelos de construir votos — e o que eles revelam
Há um contraste nos números do Oeste do Pará que ajuda a entender como se constrói uma candidatura federal — e que raramente aparece no debate público.
Júnior Ferrari fez 160.342 votos em todo o estado em 2022. Mas seu maior município foi Santarém, com 9.938 votos. Nenhuma cidade responde por mais de 7% do seu total. É uma votação pulverizada, construída município a município ao longo de mais de uma década.
Henderson Pinto fez 74.746 votos no estado, dos quais 49.026 em Santarém — quase dois terços do total em uma única cidade. É uma votação concentrada, construída sobre a liderança em um território específico.
Nenhum dos dois modelos é melhor que o outro em abstrato: ambos elegeram seus candidatos em 2022. Mas eles dizem coisas diferentes ao eleitor. O modelo pulverizado é mais resistente a variações locais. O modelo concentrado significa que aquela cidade tem, de fato, um representante seu — alguém cuja eleição depende diretamente dela. Em Santarém, Henderson Pinto teve cinco vezes mais votos que Júnior Ferrari em 2022.
Santarém tem quatro candidatos ao federal — e isso tem um preço
Vale registrar um dado que o eleitor da cidade precisa considerar: Santarém tem quatro candidatos ao federal em 2026 — Henderson Pinto, Adriana Almeida, Biga e Chapadinha —, além de Airton Faleiro, que também tem base na cidade. São cinco nomes disputando parcela do mesmo eleitorado santareno, em quatro blocos diferentes, o que significa que esses votos não se somam entre si.
Em 2022, Santarém elegeu dois deputados federais: Henderson Pinto e Airton Faleiro. Foi um resultado histórico para a cidade. Manter os dois em 2026 exigirá que o eleitorado se distribua de forma eficiente — algo que a fragmentação de candidaturas torna mais difícil, não mais fácil.
O que observar até outubro
A campanha começou no sábado. Nas próximas semanas, o eleitor terá acesso à propaganda de rádio e TV, aos debates e às visitas de rua. Três perguntas ajudam a separar o candidato do discurso.
Primeira: o que ele já entregou? Emenda destinada, obra viabilizada, projeto aprovado — tudo isso é público e verificável.
Segunda: ele aparece na sua cidade fora do período eleitoral? Presença de quatro em quatro anos costuma se repetir depois da eleição.
Terceira: qual é a real chance do bloco dele? Um bom candidato num bloco inviável é um voto que não se converte em representação.
Esta coluna seguirá acompanhando a campanha aos domingos e às quartas até outubro, com análises, dados e pesquisas. No próximo domingo, o primeiro balanço da campanha oficial no Oeste do Pará.
Política é gestão. E voto consciente começa com informação organizada.
*Fábio Maia é consultor político, com atuação no Oeste do Pará. Escreve aos domingos e quartas no Jornal O Impacto.
O conteúdo deste artigo é de inteira responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do jornal ou de sua direção.
O Impacto



Realmente são cinco candidatos de Santarém, mais com poucas chances para alguns , não podemos deixar de citar Henderson Pinto, que realmente está fazendo um papel bem atuante em Santarém e na região oeste do Pará!